Com ajuda externa, dólar fecha em baixa após saltar mais de 9% em apenas 5 pregões

Publicado em 08/05/2020 17:14 e atualizado em 09/05/2020 19:59 250 exibições

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Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em queda nesta sexta-feira, após cinco altas consecutivas, mas ainda acumulou valorização em uma semana marcada pela aproximação do patamar de 6 reais, depois de renovadas tensões políticas e de corte mais intenso nos juros.

Sinais mais amigáveis entre China e EUA sobre um acordo comercial deram argumentos para alguma realização de lucros nesta sessão, na qual o dólar também caía no exterior.

Os principais representantes comerciais dos Estados Unidos e da China discutiram a Fase 1 de seu acordo comercial nesta sexta-feira, e o país asiático disse que concorda em melhorar a atmosfera para sua implementação, enquanto os EUA disseram que os dois lados esperam que as obrigações sejam cumpridas.

A notícia amenizou temores de que o governo Trump pudesse adotar novas medidas contra a China, segundo Washington, por causa da maneira como o país asiático lidou com o início do surto do coronavírus --que se espalhou pelo mundo, tem destruído empregos e deve provocar a maior recessão em décadas na economia global.

Mas, pelo menos no Brasil, qualquer alívio no câmbio é visto com desconfiança por alguns no mercado, diante da percepção de que as variáveis ainda apontam um real sob pressão.

"Embora o real esteja com excesso de depreciação sob todas as nossas métricas de avaliação, a dinâmica está nos forçando a dispensar agora qualquer previsão no curto prazo", disse o BNP Paribas em nota a clientes.

Lembrando a decisão do Copom nesta semana de cortar a Selic em intensidade ainda mais forte que a esperada --o que pressionou mais o câmbio--, os estrategistas do banco francês Gabriel Gersztein e Samuel Castro dizem que uma moeda tão fraca numa economia tão fechada como a brasileira beneficiaria apenas as contas do governo e exportadores de materiais básicos.

Eles concluem que, no fim, tamanha debilidade do real pode não ser boa para a economia. Uma economia já abalada é citada como elemento a prejudicar o câmbio, já que oferece poucos atrativos para ingresso de capital externo que poderia aumentar a oferta de dólar.

"A menos que a autoridade monetária não continue intervindo, o risco final continua sendo uma fuga desordenada de capital de locais, em nossa opinião", disseram Gersztein e Castro.

No fechamento das operações locais no mercado à vista, o dólar caiu 1,71%, a 5,7401 reais na venda.

Na véspera, a cotação se aproximou de 5,90 reais e encerrou em novo recorde histórico nominal.

Nesta semana, a divisa subiu 5,56%.

O dólar se apreciou bem mais de 1% em cada um dos últimos cinco pregões, período no qual acumulou um salto de 9,05%.

Na B3, o dólar futuro cedia 1,66%, a 5,7490 reais, às 17h03 desta sexta-feira.

O real cai 30,09% em 2020, pior desempenho global. A moeda brasileira tem a performance mais fraca também desde meados de março, quando ativos financeiros no mundo começaram a se recuperar da liquidação iniciada semanas antes por causa da escalada da crise do Covid-19.

Ibovespa sobe quase 3% com exterior e zera perda na semana com apoio de blue chips

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em forte alta nesta sexta-feira, embalado pelo ambiente favorável a risco no exterior após dados norte-americanos e sinais de alívio nos atritos comerciais entre China e Estados Unidos. O movimento praticamente zerou as perdas da semana, quando pesaram questões políticas e fiscais no país.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa subiu 2,75%, a 80.263,35 pontos - fechando acima dos 80 mil pontos pela primeira vez na semana, que terminou com declínio acumulado de apenas 0,3%. O volume financeiro somou 22,86 bilhões de reais nesta sexta-feira.

Na visão do analista de investimentos José Falcão, da Easynvest, as bolsas refletiram a sensação de que o pior no mercado de trabalho nos Estados Unidos pode ter passado, apesar dos números ainda serem assustadores.

A economia norte-americana perdeu 20,5 milhões de postos de trabalho em abril, a queda mais acentuada no emprego desde a Grande Depressão, mas abaixo dos 22 milhões esperados no mercado.

Falcão também destacou declarações que abafaram receios de novos conflitos comerciais entre as duas maiores economias do mundo em um momento muito delicado no cenário Global.

Os principais representantes comerciais de EUA e China discutiram a Fase 1 do acordo comercial entre os países nesta sexta-feira. Pequim concorda em melhorar a atmosfera para sua implementação, enquanto Washington disse que os dois lados esperam que as obrigações sejam cumpridas.

"As aberturas graduais de regiões em vários países do mundo, é outro fator que cria boas expectativas e ganha impulso com a recuperação do preço do petróleo no mercado internacional e das empresas do setor", acrescentou o analista da Easynvest.

Em Wall Street, o S&P 500 fechou em alta de 1,69%.

A bolsa paulista também refletiu a repercussão a novos balanços corporativos do primeiro trimestre, entre eles Natura &Co e Yduqs, entre outras notícias de empresas, como anúncio da Via Varejo de que avalia a possibilidade de uma oferta de ações.

A equipe do BTG Pactual destacou que a parte política continua sendo uma das maiores preocupações, uma vez que impacta na programação de reformas, nos ajustes fiscais necessários e por último o programa de e privatizações, conforme nota enviada a clientes pela área de gestão do banco.

"Quanto à bolsa, ... estamos em um processo de acumulação do Ibovespa entre 76.000 a 80.000 pontos. Continuamos realizando revisões em nossa grade de projeções, à medidas que são publicados os balanços trimestrais, porém os ajustes estão mais intensos e continuamos cortando as nossas estimativas de lucro para 2020 e 2021 em média 35% este ano."

DESTAQUES

- VALE ON subiu 6,08%, favorecida ainda pela alta dos preços do minério de ferro na China. O diretor financeiro, Luciano Siani, também afirmou nesta sexta-feira que a companhia observa que a China já vive uma trajetória de recuperação econômica "muito vigorosa". Ainda, em nota a clientes, o BTG Pactual reiterou recomendação de 'compra', destacando que os ADRs da mineradora estão descontados considerando perspectivas para o preço do minério de ferro e para a taxa de câmbio. [nL1N2CQ08B]

- BRADESCO PN subiu 4,49% e ITAÚ UNIBANCO PN avançou 4,1%, em sessão de recuperação de bancos, que vêm sofrendo com as perspectivas econômicas sombrias em razão da pandemia de coronavírus. BANCO DO BRASIL ON valorizou-se 3,2% e SANTANDER BRASIL UNIT fechou com elevação de 4,58%.

- PETROBRAS PN e PETROBRAS ON avançaram 5,96% e 6,83%, respectivamente, com alta dos preços do petróleo no exterior. Analistas do Bradesco BBI também elevaram a recomendação dos papéis para 'outperform', bem como o preço-alvo para 29 reais, de 18,50 reais anteriormente.

- YDUQS ON subiu 0,97%. O grupo de educação reportou na quinta-feira queda de 30,3% no lucro líquido do primeiro trimestre, a 167,9 milhões de reais, afetado entre outros fatores por aumento despesas principalmente por medidas relacionados ao Covid-19. Nesta sexta-feira, executivos da empresa afirmaram esperar sinergias maiores que as previstas com a aquisição de Adtalem.

- VIA VAREJO ON caiu 9,14%, após afirmar nesta sexta-feira que está avaliando a possibilidade de lançamento de uma oferta subsequente primária de ações, mas que não há nesta data decisão quanto ao lançamento, bem como de seus eventuais termos. O setor como um todo recuava, com B2W ON, que divulgou balanço na véspera, em baixa de 2,99%.

- QUALICORP ON recuou 2,76%, após reportar queda no lucro do primeiro trimestre, em resultado pressionado por despesas extraordinárias, incluindo um pagamento de 42 milhões de reais ligada à rescisão de um executivo.

- NATURA&CO ON cedeu 2,06%, tendo no radar balanço do primeiro trimestre, com prejuízo líquido de 820,8 milhões de reais, mas também anúncio de que o conselho de administração aprovou aumento de capital de até 2 bilhões de reais a 32 reais por ação. A fabricante de cosméticos disse nesta sexta-feira ver alguma recuperação na Ásia e Europa com reabertura gradual, enquanto os negócios na América Latina ainda sofrem.

Fonte:
Reuters

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