Ibovespa acumula 3º semana de alta com aposta em reação de economias a Covid-19

Publicado em 05/06/2020 17:10 e atualizado em 08/06/2020 07:59 151 exibições

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - Apostas otimistas na recuperação das economias no pós-pandemia de Covid-19 garantiram mais uma semana positiva na bolsa paulista, com o Ibovespa chegando a superar os 97 mil pontos no melhor momento desta sexta-feira, em um ambiente de elevada liquidez e taxas de juros em mínimas históricas.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em alta de 0,86%, a 94.637 pontos, tendo alcançado 97.355,75 pontos na máxima da sessão. Na semana, a terceira seguida no azul, subiu 8,3%, reduzindo as perdas acumuladas no ano para cerca de 18%. O volume financeiro nesta sexta-feira foi novamente acima da média diária de 2020 e totalizou 38,4 bilhões de reais.

O Ibovespa não registrava uma sequência de seis pregões em alta desde outubro de 2019. Mas ainda segue distante da máxima intradia registrada em janeiro, de 119.593,10 pontos.

O analista de investimentos José Falcão, da Easynvest, elenca uma série de razões para a performance das ações, entre eles o sentimento e esperança de que o pior pode estar passando na crise relacionada ao Covid-19, com abertura em vários países, mesmo que os problemas ainda não estejam resolvidos.

Ele também cita a alta liquidez global, após medidas de estímulos para combater a pandemia; juros baixos, que tornam os mercados mais inclinados ao risco; ativos desvalorizados com preços e taxas atrativas em meio a crise; melhora em dados econômicas, mesmo que ainda ruins, e cena política mais calma.

Falcão ainda destaca a entrada líquida de capital externo no mercado secundário de ações no Brasil nos primeiros dias de junho. "É inegável que a bolsa brasileira está muito barata em dólar e pode ser o início de um novo fluxo de capital estrangeiro, o que é muito bem-vindo."

Em dólar, o Ibovespa acumula em 2020 declínio de mais de 30%.

De acordo com o dados mais recentes da B3 sobre a participação dos estrangeiros na bolsa, as compras superaram as vendas em 1,786 bilhão de reais nos três primeiros pregões do mês. No ano, porém, o saldo dessas operações no segmento Bovespa permanece bastante negativo, em 75 bilhões de reais.

"O Brasil tem sido um dos grandes beneficiários da melhora do apetite por risco global", destacou o BTG Pactual em nota enviada mais cedo pela área de gestão de recursos do banco, ponderando, contudo, que segue cauteloso com o recente rali pois o ritmo de recuperação ainda está incerto.

A equipe do BTG observa que o 'valuation' (preço) das ações está a níveis muito elevados para o retorno esperado, avaliando que o mercado está comprado em excesso e alavancado. "A percepção é que os investidores estão olhando só além da realidade e não o curto prazo."

Nos Estados Unidos, números sobre o mercado de trabalho em maio endossaram as expectativas de retomada rápida da atividade econômica ao mostrarem criação de vagas e queda na taxa de desemprego. Em Wall Street, o S&P 500 fechou com elevação de 2,6%. [nL1N2DI25I]

DESTAQUES

- ITAÚ UNIBANCO PN fechou com elevação de 2,21% e BRADESCO PN subiu 1,83%, respaldados pelo clima positivo no mercado como um todo, e mais uma vez atuando como principal contribuição para a alta do Ibovespa. BANCO DO BRASIL ON avançou 0,74% e SANTANDER BRASIL UNIT valorizou-se 2,27%.

- PETROBRAS PN valorizou-se 3,13%, na esteira de forte alta do petróleo no exterior antes de uma reunião da Opep e seus aliados liderados pela Rússia no sábado para discutir cortes recordes na produção. A petrolífera também iniciou o processo de venda de suas participações em cinco sociedades de geração de energia elétrica.

- VALE ON recuou 1,89%, uma vez que os contratos futuros de minério de ferro negociados na China caíram nesta sexta-feira, embora tenham registrado o quinto ganho semanal consecutivo, diante de perspectivas de demanda forte para o ingrediente siderúrgico no país, além de preocupações com a oferta do importante exportador Brasil.

- GOL PN disparou 9,74% após acordo com pilotos e comissários para flexibilizar jornada e salários até 2021, em medida que pode se tornar uma referência para outras empresas do setor aéreo. Dados operacionais melhores em maio ante abril no mercado doméstico e nova queda do dólar em relação ao real endossaram a alta. AZUL PN saltou 10,9%.

- CVC BRASIL ON fechou em alta de 5,61%, também apoiada nas perspectivas mais otimistas para a reabertura de economias, além do declínio de mais de 3% do dólar ante o real.

- YDUQS ON avançou 9,83%, após acertar a compra da Athenas, grupo educacional com unidades em Rondônia, Acre e Mato Grosso, em transação que pode movimentar até 300 milhões de reais. "A aquisição amplia a atuação da Yduqs em regiões ainda pouco exploradas, ampliando os ganhos de sinergias", avaliou a equipe da Guide Investimentos.

- SUZANO ON recuou 3,89%, com exportadoras entre os destaques negativos diante da queda do dólar ante o real, com a cotação indo abaixo de 5 reais. KLABIN UNIT caiu 3,09%. No setor de proteínas, MARFRIG ON cedeu 3,57%, MINERVA ON perdeu 2,62%, BRF ON caiu 3,20% e JBS ON encerrou com decréscimo de 2,42%.

- GRUPO SBF ON, que não está no Ibovespa, disparou 12,06%, maior alta do índice Small Caps, após levantar 900 milhões de reais em oferta de ações subsequente com distribuição primária, precificada a 30 reais por papel na véspera. A companhia dona da rede de lojas de artigos esportivos Centauro usará os recursos para financiar aquisições.

- RESTOQUE ON, que também não faz arte do Ibovespa, despencou 10,23%. A varejsta de vestuário anunciou acordo de recuperação extrajudicial envolvendo todo seu endividamento financeiro. De acordo com fonte ouvida pela Reuters, as dívidas envolvidas no acerto chegam a 1,5 bilhão de reais. No pior momento, a ação caiu 20%.

Bolsa fecha em alta de 0,86%, com ganho de 8,28% na semana (Estadão)

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O otimismo amparado na leitura muito acima do esperado para o mercado de trabalho dos EUA em maio, alimentando a perspectiva de recuperação global em V pós-pandemia, contribuiu decisivamente para que o Ibovespa encadeasse nesta sexta-feira, 5, a sexta sessão de ganhos, algo que não ocorria desde outubro, acumulando alta de 8,28% na semana, a maior desde o período que antecedeu a Páscoa. Nesta sexta-feira, o principal índice da B3 perdeu fôlego depois das 16h, em alta mais modesta no fechamento do que a observada mais cedo na sessão, aos 94.637,06 pontos (+0,86%) no encerramento, saindo de mínima a 93.838,60 e chegando na máxima do dia a 97.355,75 pontos.

Uma sequência de seis ganhos não ocorria desde o intervalo entre os dias 9 e 16 de outubro de 2019, separado pelo fim de semana de 12 e 13 de outubro, sessões ao longo das quais o Ibovespa se manteve entre 101.248,78 e 105.422,80 pontos naqueles respectivos fechamentos, refletindo então a expectativa para a votação da reforma da Previdência em segundo turno no Senado ainda naquele mês e, no exterior, sinais de que a China buscava àquela altura um acordo, ainda que parcial, com os EUA.

Na máxima de hoje, o Ibovespa foi ao maior nível desde 9 de março, então aos 97.982,08 pontos no pico intradia daquela sessão. No fechamento de hoje, aproximou-se um pouco mais da marca de 6 de março, quando encerrou aos 97.996,77 pontos. O ganho desta semana, de 8,28%, foi o maior desde a semana encerrada em 9 de abril, pré-Páscoa, quando o Ibovespa avançou 11,71%, colhendo então o maior avanço semanal desde o início de março de 2016 (+18,01%). Em um mês, os ganhos do índice estão agora em 19,08%. O giro financeiro da sessão totalizou R$ 38,4 bilhões, mais uma vez bem elevado, com o índice da B3 limitando agora as perdas do ano a 18,17%.

"Aos 97 mil pontos na máxima de hoje, os que entraram primeiro já começam a realizar um pouco, para colocar no bolso - assim, limitou a alta aqui em relação ao dia muito positivo lá fora, especialmente em Nova York. Todo mundo no mercado sabe que o segundo semestre será difícil, mas ninguém quer ficar fora deste movimento da Bolsa", observa Ari Santos, operador de renda variável da Commcor. Ele considera que alguma realização ocorra antes de o Ibovespa retomar os 100 mil pontos. "Por volta do dia 15 a 17, a coisa tende a ficar um pouco mais clara, com a reabertura da economia e o aguardado corte de juros pelo Copom. Juros ainda mais baixos podem ajudar a retomada econômica", acrescenta o operador.

A redução da percepção de risco contribui para que o investidor estrangeiro volte a olhar os ativos brasileiros, ainda que muitos fatores de incerteza permaneçam no horizonte, especialmente em relação à persistência da pandemia e, em consequência, o grau de reabertura da economia local.

Assim, os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 852,811 milhões na B3 no pregão da última quarta-feira, quando o Ibovespa fechou em alta de 2,15%, aos 93.002,14 pontos, com giro financeiro a R$ 39,4 bilhões. Em junho, nos três primeiros pregões, o saldo ficou positivo em R$ 1,785 bilhão, resultado de R$ 41,427 bilhões em compras e de R$ 39,641 bilhões em vendas - um desdobramento animador, na medida em que a B3 não registra saldo mensal positivo desde setembro de 2019. No acumulado até aqui em 2020, os estrangeiros já retiraram R$ 75,061 bilhões.

No exterior, a surpreendente retomada da geração de vagas no mercado de trabalho americano em maio levou o presidente Donald Trump a celebrar que os EUA se recuperarão com o ímpeto de um "foguete". Wall Street também comemorou, com o blue chip Dow Jones em alta de 3,15% no fechamento de hoje, enquanto S&P 500 e Nasdaq tiveram ganhos acima de 2% na sessão.

Espelhando também o apetite por risco, em dia de queda ante divisas de emergentes o dólar renovava mínimas frente ao real no início da tarde, caindo a R$ 4,9348, para fechar aos R$ 4,9909, em baixa de 2,73% na sessão e acumulando perda de 6,52% na semana, o que colocou a ação da exportadora Suzano, de papel e celulose, na ponta negativa do Ibovespa, em queda de 3,89% na sessão, superada apenas por Totvs (-4,29%).

No lado oposto, Azul subiu 10,90%, à frente de Yduqs (+9,83%), Gol (+9,74%) e Via Varejo (+6,45%). Entre as ações de commodities, destaque para Petrobras PN (+3,13%) e ON (+3,11%), enquanto Vale ON cedeu 1,89%, tendo acentuando as perdas à tarde e contribuído para segurar o Ibovespa. Acumulando ganhos de dois dígitos na semana, as ações de bancos também avançaram nesta sessão, embora limitando a alta na parte final, ajudando a segurar o índice de referência da B3 - destaque para Bradesco ON (+2,30%).

Antes mesmo da divulgação do payroll, já se notava demanda por ativos de risco nos mercados internacionais, após a informação de que a Opep e aliados, grupo conhecido como Opep+, concordou em estender corte na oferta de petróleo até o fim de julho. Assim, os contratos do Brent para agosto encerraram em alta de 5,78%, aos US$ 42,30 por barril, no fechamento da ICE. Destaque absoluto do dia, o relatório sobre o mercado de trabalho americano em maio trouxe inesperada criação de 2,509 milhões de vagas, quando se esperava destruição de 8 milhões de postos no mês.

 

Bolsa fecha em alta de 0,86%, com ganho de 8,28% na semana

 

Fonte:
Reuters/Estadão Conteúdo

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