Manifestantes contra e a favor de Bolsonaro fazem pequenas manifestações neste domingo

Publicado em 07/06/2020 18:10 e atualizado em 07/06/2020 19:41 836 exibições

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SÃO PAULO (Reuters) - Manifestantes contrários e a favor do presidente Jair Bolsonaro protestavam neste domingo em atos nas maiores cidades do país, sem registro de confrontos até o fim da tarde. 

Na capital paulista, os atos contra e a favor do presidente aconteceram em locais separados por uma determinação judicial e após acordo dos organizadores dos protestos com o Ministério Público estadual.

A Justiça acatou pedido feito pelo governo do Estado para proibir que ambas manifestações voltassem a acontecer na Avenida Paulista e, enquanto o grupo favorável ao presidente se reuniu neste local, manifestantes contrários a Bolsonaro se agruparam no Largo da Batata, na zona oeste da cidade, levando também bandeiras favoráveis à democracia e antirracistas.

Nos dois protestos, grande parte dos manifestantes usava máscaras de proteção, mas houve aglomeração, o que vai contra a recomendação das autoridades de saúde para frear a disseminação da Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus e que já matou quase 36 mil pessoas no Brasil.

Na Avenida Paulista, os apoiadores do presidente se reuniram perto do prédio da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), usando camisas verdes e amarelas, algumas com o rosto do presidente estampado.

Já no Largo da Batata, um contingente maior de manifestantes do que o que protestou contra Bolsonaro na Paulista na semana passada estava majoritariamente de preto. Assim como há uma semana, torcedores de times de futebol, especialmente do Corinthians, se manifestaram a favor da democracia. Os corintianos abriram uma grande bandeira com os dizeres "Democracia Corintiana".

"Nós temos aqui os nossos próprios problemas e as nossas próprias mortes. A gente está falando da polícia que mais mata. A gente está falando da mortalidade do corona nos negros, muito maior. A gente está falando do isolamento que não funcionou nas favelas e nas periferias. Então, a gente está fadado à morte, de corona, de fome ou de tiro", disse à Reuters TV a manifestante Juliana Gonçalves, que usava máscara e um escudo de proteção facial.

No Rio de Janeiro um grupo de menos de 100 pessoas fez pela manhã uma caminhada pacífica pela orla da Praia de Copacabana a favor de Bolsonaro.

A manifestação contra Bolsonaro foi no centro da capital fluminense. A exemplo do que aconteceu em São Paulo, também levou a bandeira do antirracismo e de protesto contra a violência policial nas favelas da cidade, novamente com menções a Floyd e cartazes com a mensagem "Vidas Negras Importam".

BOLSONARO SEM MÁSCARA

Em Brasília aconteceram atos a favor e contra o presidente. Apoiadores de Bolsonaro ocupavam um lado da Esplanada dos Ministérios com as tradicionais camisas verdes e amarelas que se tornaram marca do grupo favorável ao presidente.

Do lado oposto, torcedores de times de futebol se juntaram a centenas de manifestantes que gritavam a favor da democracia e a outro grupo numeroso de ativistas contra o racismo que lembravam vítimas negras da violência policial no Brasil, como o menino João Pedro, morto dentro de casa por dezenas de tiros durante uma operação policial em uma favela no Rio de Janeiro.

Em frente ao Palácio da Alvorada, Bolsonaro cumprimentou, abraçou e tirou fotos com um pequeno grupo de apoiadores que se aglomerou no local. O presidente não usava máscara, apesar de o equipamento de proteção ser obrigatório por decreto no Distrito Federal.

Em outro momento, ainda sem usar máscara, Bolsonaro falou com um outro grupo de simpatizantes em frente ao palácio que é sua residência oficial.

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  • Manifestação contra Bolsonaro em São Paulo 7/6/2020 REUTERS/Amanda Perobelli

13 detidos em São Paulo (O Antagonista)

Até as 16 horas deste domingo, pelo menos 13 pessoas foram detidas pela polícia por portar armas brancas na região da Avenida Paulista.

No Twitter, a Polícia Militar de São Paulo publicou um vídeo que mostra a apreensão de coquetel molotov, garrafas de vidro, soco inglês e outros objetos proibidos.

O ato neste domingo, 7, contra o presidente Jair Bolsonaro, que começou no Largo da Batata, na capital de São Paulo, ocorreu pacificamente até por volta das 18h40 quando a Polícia Militar (PM) usou bombas de efeito moral para dispersar manifestantes que estavam na região do bairro de Pinheiros e queriam seguir para a Avenida Paulista.

"Quem ficou na rua até essa hora, quase 19h, é alguém que não está querendo boa coisa, e fica ali confrontando a polícia", disse o secretário-executivo da PM coronel Alvaro Camilo para a emissora CNN. "A polícia vai usar progressivamente a força. Se as pessoas tentarem agredir os policiais, o patrimônio. E isso pode incluir água, munição química. Não queremos isso. Queremos restabelecer a ordem e que as pessoas voltem para suas casas. Essa é a orientação do Governo do Estado."

Ao menos nove Estados e o DF registram atos pacíficos contra o governo Bolsonaro (Estadão)

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Grupos contrários ao governo do presidente Jair Bolsonaro promoveram manifestações pacíficas neste domingo, 7, em ao menos nove Estados. Atos públicos com bandeiras diversas, como o combate ao racismo e a defesa da democracia e do impeachment, provocaram aglomerações especialmente na capital paulista, onde o protesto teve maior adesão. Os manifestantes, no entanto, procuraram manter uma distância mínima entre si, nem sempre com sucesso, mas usando máscaras. Já os protestos a favor de Bolsonaro foram registrados em menor número.

Após o encerramento do ato realizado no Largo da Batata, na zona oeste de São Paulo, por volta das 16h40, houve um princípio de tumulto logo contido pelas próprias lideranças do movimento. Alguns manifestantes quebraram a porta de uma agência bancária quando caminhavam em direção a uma estação de metrô. Como havia aliados de Bolsonaro na região da Avenida Paulista a caminhada até lá não foi permitia pela Polícia Militar, que acompanhou a movimentação que seguiu pela Rua dos Pinheiros fazendo um cordão de isolamento.

O bloqueio foi feito com escudos e policiais que portavam armas que disparam balas de borracha e bombas de efeito moral. Alguns manifestantes entregaram cravos para integrantes da PM para fazer referência à Revolução dos Cravos, movimento histórico contra os fascistas em Portugal. Alguns policiais aceitaram as flores, mas depois foram orientados a devolvê-las.

Mais cedo, a manifestação contra Bolsonaro chegou a fechar um trecho da Avenida Brigadeiro Faria Lima no meio da tarde. Parte das pessoas carregavam faixas com os dizeres "Fora Bolsonaro", outros levantavam cartazes questionando ações do governo nas áreas cultural e indígena, além de palavras de ordem contra ataques a negros, como a vereadora Marielle Franco, assassinada há dois anos no Rio.

No carro de som que estacionou no largo discursos a favor da democracia e direitos humanos foram feitos por líderes dos movimentos que une torcidas de futebol, estudantes e ativistas ligados ao PSOL, único partido a levar bandeiras ao ato.

Já na Avenida Paulista, um grupo de manifestantes a favor de Bolsonaro se reuniu na esquina com a Rua Pamplona, próximo ao prédio da Fiesp. Eles carregavam faixas que pediam "intervenção militar" e outras com críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Com bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo, os apoiadores de Bolsonaro ficaram a maior parte do tempo sobre a calçada, na esquina, sem número suficiente para ocupar as faixas de trânsito O tráfego de veículos na via não foi afetado entre 11h e 15h30

Além de pedir "intervenção militar com militar no poder", alguns manifestantes defendiam interesses de suas categorias profissionais. Duas pessoas carregavam uma faixa que pedia a reabertura de barbearias na cidade. Não houve registro de ocorrências policiais no movimento.

Capitais

Nos demais Estados, os atos também ocorreram com tranquilidade. Em Brasília, protestantes ocuparam parte da Esplanada dos Ministérios para se posicionarem contra o presidente Jair Bolsonaro e contra o racismo. A Polícia Militar fez um cordão de isolamento para impedir que os manifestantes avançassem até a Praça dos Três Poderes.

A exemplo das manifestações ocorridas em 2016, durante o processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, grupos a favor e contra o governo se dividiram entre os dois lados da Esplanada. Do lado esquerdo da via, em sentido ao Congresso, ficaram os manifestantes que pedem a defesa da democracia e a saída de Bolsonaro. Do lado direito, poucos manifestantes se uniram em ato pró-Bolsonaro.

Os manifestantes também evitaram utilizar roupas de times ou de torcidas organizadas e bandeiras de partidos político, como forma de demonstrar que o ato era do cidadão e não atrelado a qualquer grupo

Belo Horizonte, Belém, Rio, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Fortaleza e Goiânia também registraram atos políticos neste domingo. Na capital mineira, a concentração de opositores a Bolsonaro se deu na Praça da Bandeira, região sul, e seguiu em direção à Praça Sete, no centro. O representante da Unidade Popular (UP), Leonardo Péricles, que participou da manifestação, justificou o ato em plena pandemia. "Não temos as melhores condições de lutar, mas temos que lutar. A bandeira 'Fora Bolsonaro' tem que ser a bandeira do povo brasileiro", disse.

Já em Belém, um forte esquema de segurança impediu uma manifestação contra o presidente ao longo da manhã. A capital do Pará também não teve atos a favor do presidente da República. Organizado pelas redes sociais, o movimento anti-Bolsonaro estava marcado para acontecer às 9h, em frente ao mercado de São Brás. Antes do horário previsto, no entanto, tropas da Polícia Militar, incluindo a de Operações Especiais, a cavalaria e também a Força Nacional, impediam qualquer tipo de aglomeração. Cerca de 50 manifestantes foram detidos e levados para uma delegacia.

O representante do movimento antirracista de Belém, Raphael Castro, repudiou a ação dos policiais. "Tivemos um diálogo muito limitado e não conseguimos expor aos agentes da segurança pública os motivos pelos quais estamos aqui. Desde o início esse era um ato que pretendia manter o distanciamento social e os protocolos de higiene", explicou.

Em entrevista ao Estadão, o delegado da polícia civil, Renan Souza, coordenador da ação, disse que as pessoas estão sendo ouvidas individualmente. "Estamos analisando cada caso. Não tivemos depredação de patrimônio público, confronto nem resistência. Eles estão aqui para dar esclarecimentos ao descumprimento do decreto estadual que proíbe a aglomeração de pessoas", informou. (Colaboraram André Borges, Denise Luna, Pedro Venceslau, Isabel Cristina, Angelo Sfair, Leonardo Augusto, Lucas Rivas, Fernanda Lima, Lôrrane Mendonça e Roberta Paraense).

Estadão: Ato contra Bolsonaro ocorre no largo da Batata e manifestação a favor, na Paulista

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A manifestação contra o presidente Jair Bolsonaro na capital paulista fechou um trecho da avenida Brigadeiro Faria Lima no Largo da Batata sentido Avenida Rebouças, próximo ao metrô.


Manifestantes ocuparam parte da Praça que vai até o quarteirão da Igreja Paróquia Nossa Senhora de Monte Serrante.

A grande maioria dos manifestantes estava de máscara, mas ninguém respeitou o distanciamento de dois metros.

Há apenas um carro de som que é compartilhado com os líderes do ato; torcedores, líderes estudantis da UNE e ativistas do Conlutas (ligado ao Psol).

Em outro ponto da cidade, um grupo de manifestantes a favor de Bolsonaro se reuniu na esquina da Avenida Paulista com a Rua Pamplona, próximo ao prédio da Fiesp. Manifestantes carregavam faixas que pediam "intervenção militar" e com críticas ao governador de São Paulo, João Doria (PSDB).

Com bandeiras do Brasil e do Estado de São Paulo, os manifestantes ficaram a maior parte do tempo sobre a calçada, na esquina, sem número suficiente para ocupar as faixas de trânsito O tráfego de veículos na via não foi afetado entre 11h e 15h30

Além de pedir "intervenção militar com militar no poder", alguns manifestantes defendiam interesses de suas categorias profissionais. Duas pessoas carregavam uma faixa que pedia a reabertura de barbearias na cidade. Não houve registro de ocorrências policiais no movimento.

 

Fonte:
Estadão Conteúdo/Reuters

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