País entrou em recessão no 1º tri e fecha mais 331.901 vagas de trabalho

Publicado em 29/06/2020 21:00 e atualizado em 30/06/2020 06:47 119 exibições

BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil entrou em recessão no primeiro trimestre do ano após um ciclo de expansão que durou 12 trimestres, de acordo com diagnóstico do Comitê de Datação de Ciclos Econômicos (Codace), da Fundação Getulio Vargas (FGV) divulgado nesta segunda-feira.

Diferentemente da métrica utilizada por alguns economistas de que uma recessão técnica ocorre quando há dois trimestres consecutivos de retração do Produto Interno Bruto (PIB), o Codace adota uma análise mais ampla de dados.

"A fase cíclica marcada pelo declínio na atividade econômica de forma disseminada entre diferentes setores econômicos é denominada recessão. A fase entre um vale e um pico do ciclo é chamada expansão", diz nota do comitê.

Em encontro na sexta-feira, o comitê, formado por oito membros com notório conhecimento em ciclos econômicos, identificou um pico no ciclo de negócios doméstico no quarto trimestre de 2019.

O grupo também identificou um período de recessão entre os anos de 2014 e 2016, ao detectar um pico da atividade em março de 2014 e um vale em dezembro de 2016. "Isso significa que a recessão teria durado 33 meses, entre os meses de abril de 2014 a dezembro de 2016", disse o comitê.

Criado em 2004 pela FGV, o Codace determina uma cronologia de referência para os ciclos econômicos do país com base na alternância entre datas de picos e vales no nível da atividade econômica.

De acordo com os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o PIB brasileiro recuou 1,5% no primeiro trimestre de 2020 em comparação ao trimestre anterior. Foi a maior contração trimestral desde o recuo de 2,1% no segundo trimestre de 2015.

.
  • Lojas fechadas em São Paulo, em meio à pandemia de Covid-19 

  • Brasil fecha mais 331.901 vagas formais de trabalho e tem pior maio da série do Caged

  • BRASÍLIA (Reuters) - O Brasil fechou 331.901 vagas formais de trabalho em maio, pior desempenho para o mês da série disponibilizada pelo Ministério da Economia, com início em 2010, mas numa melhora em relação à performance fortemente negativa de abril. Apesar do encolhimento do emprego formal, houve melhora em relação a abril, quando haviam sido fechados 860.503 postos. A retração de empregos totaliza 1.144.118 de janeiro a maio.

    Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) foram divulgados nesta segunda-feira. Em abril, a crise com o coronavírus levou ao encerramento de 902.841 postos, informação ajustada pelo ministério após a divulgação inicial de fechamento de 860.503 postos.

    Em maio, quatro dos cinco grupos de atividades econômicas mostraram desempenho negativo, com destaque para serviços, com fechamento líquido de 143.479 vagas.

    Também ficaram no vermelho a indústria geral (-96.912), o segmento de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (-88.739 postos) e o setor da construção (-18.758).

    Por outro lado, o grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura foi responsável pela abertura de 15.993 vagas no período.

    "O primeiro ponto a se enfatizar é a clara reação do mercado de trabalho, a clara melhora da economia e a clara melhora dos números relativos ao emprego no Brasil", afirmou o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco, numa análise comparativa a abril.

    Nos cinco primeiros meses do ano, foram encerrados 1.144.875 postos, na série com ajustes. Este foi o pior desempenho para o acumulado desde pelo menos 2010, conforme série disponibilizada pelo ministério.

    Também representou um mergulho muito mais fundo que o registrado em igual período de dois anos em que houve crise econômica: 2015 (-243.948 vagas) e 2016 (-448.101).

    Em 2019, foram criadas 351.062 vagas com carteira assinada no país no período de janeiro a maio.

    O secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo, afirmou ser "muito difícil" saber se o próximo resultado do Caged virá positivo.

    "O que posso dizer é que o mercado de trabalho reagirá tão logo a economia reaja. E a economia para reagir depende da reabertura das cidades, dos comércios, dos serviços, da retomada da vida normal, ou pelo menos o novo normal", disse.

    EXTENSÃO DO BEM

    O ministério informou que, até 26 de junho, foram fechados 11,7 milhões de acordos no âmbito do BEM, benefício que permite redução de salário e jornada de até 70% por um período de três meses, com o pagamento de compensação parcial pelo governo aos trabalhadores, ou a suspensão do contrato de trabalho por até 60 dias, também com repasse de recursos pelo governo aos funcionários.

    Agora, esse benefício será prorrogado por meio de decreto presidencial, disse Bianco.

    A prorrogação virá tão logo o presidente Bolsonaro sancione o projeto de conversão em lei da Medida Provisória (MP) 936, que criou o benefício. A versão aprovada pelo Congresso para o texto foi a responsável por trazer essa possibilidade de extensão.

    O presidente Jair Bolsonaro ainda não sancionou a MP por conta de uma questão burocrática, disse Bianco, já que o autógrafo final enviado pelo Senado foi modificado e, por isso, precisou passar pela análise de vários órgãos do governo federal.

    "Nós fizemos isso em tempo recorde, nos próximos dias haverá a sanção pelo presidente da República ... e aí sim ele mesmo editará um decreto para a prorrogação", afirmou Bianco.

    Ele destacou ainda que "tudo indica" que o governo fará a prorrogação por mais dois meses da possibilidade de suspensão do contrato e por mais um mês da redução de jornada.

    Não haverá renovação automática e empresas e funcionários deverão firmar novo acordo para a prorrogação.

    A contrapartida será que a empresa deverá garantir o emprego pelo mesmo tempo de adesão ao programa.

  • Carga de energia do Brasil cai 10% em maio com medidas de isolamento, diz ONS

  • SÃO PAULO (Reuters) - A carga de energia do sistema elétrico interligado do Brasil recuou 10,2% em maio quando na comparação anual, diante do impacto de medidas de isolamento adotadas para conter a disseminação do coronavírus, informou o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em boletim nesta segunda-feira.

    O desempenho é apenas um pouco melhor que em abril, primeiro mês inteiramente afetado por quarentenas decretadas por governadores e prefeitos devido à pandemia, quando a demanda desabou 11,6%.

    "A menor redução, em relação ao recorde de variação negativa observada em abril, sinaliza uma acomodação da situação atual em níveis muito baixos", disse o ONS, ao citar a interrupção de atividades em diversos setores da economia em meio às medidas restritivas adotadas contra o vírus.

    O órgão do setor elétrico disse ainda que temperatura e calendário também impactaram o desempenho, que teria sido um recuo de 7,9% se desconsiderada a influência desses fatores não econômicos.

    Foi o segundo mês consecutivo com queda na carga em todas regiões do Brasil, com o maior recuo registrado na Região Nordeste, de 11,4%.

    No Sudeste, houve retração de 11,3%, enquanto na Região Sul a diminuição no consumo de energia foi de 7,7%. A Região Norte foi com menor redução, de 5,9% ano a ano.

    Já o mês de junho tem apresentado desempenho um pouco melhor, com queda de 6% no consumo ante mesmo período do ano anterior, se considerados dados prévios dos primeiros 19 dias, disse a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) também nesta segunda-feira.

    No acumulado do ano, a queda acumulada de demanda até o momento é de 9,8%, ainda segundo a CCEE.

    Essa redução no consumo deve fazer com que as distribuidoras de energia do país fechem o ano de 2020 com sobras de eletricidade contratada de cerca de 15,8%, projetou a CCEE em conferência online com jornalistas.

Fonte:
Reuters

0 comentário