Vacina de Oxford tem melhor chance de sucesso contra Covid-19, diz Ministério da Saúde

Publicado em 29/06/2020 21:22 209 exibições

(Reuters) - O secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, defendeu nesta segunda-feira o acordo fechado pelo governo brasileiro com o consórcio formado pela biofarmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford para compra de uma possível vacina contra a Covid-19, afirmando ser a candidata com melhor chance de sucesso contra o novo coronavírus.

O ministério anunciou no sábado um acordo de 127 milhões de dólares para começar a produzir localmente a vacina em desenvolvimento, que já está sendo testada em humanos, inclusive no Brasil.

O secretário disse que o Brasil está ciente dos riscos, caso a vacina não cumpra todos os requisitos de licenciamento necessários, mas defendeu a escolha afirmando que há evidências no mundo de que essa é a candidata que está em estágio mais avançado e tem melhor chance de sucesso contra a Covid-19.

Se a vacina for eficaz, o acordo prevê que 100 milhões de doses estarão à disposição da população brasileira. Foi acertada também a transferência de tecnologia de formulação para a Fundação Osvaldo Cruz, que ficará encarregada da produção local.

O Brasil é o segundo país mais afetado pela pandemia de coronavírus, com mais de 1,3 milhão de casos confirmados e mais de 58 mil mortes até esta segunda-feira. Apenas os Estados Unidos têm mais casos e mais óbitos em consequência da Covid-19.

Ministério da Saúde entrega mais de 6 mil ventiladores pulmonares e 4,37 milhões de unidades de cloroquina

O secretário executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, disse hoje (29), durante entrevista no Palácio do Planalto, que já foram entregues 6.410 ventiladores pulmonares. Nos últimos sete dias, foram distribuídos 1.553. Os estados que mais receberam o equipamento até agora foram Rio de Janeiro (814), São Paulo (766), Pará (406), Minas Gerais (389) e Bahia (306).ebc.png?id=1310519&o=node

Foram disponibilizadas 4,37 milhões de unidades de cloroquina. Os estados destinatários das maiores quantidades de comprimidos foram São Paulo (489 mil), Pará (439 mil), Alagoas (412 mil), Amazonas (371 mil) e Ceará (302 mil).

Segundo o Ministério da Saúde, foram encaminhados até agora 115,7 milhões de equipamentos de proteção individual (EPIs). Deste total, foram repassados às secretarias estaduais de saúde 54,7 milhões de máscaras cirúrgicas, 36,8 milhões de luvas cirúrgicas, 15,6 milhões de toucas, 3,4 milhões de máscaras N95, 2,9 milhões de aventais, 1,2 milhão de protetores faciais e 554 mil recipientes de álcool em gel.

Em termos de recursos, de acordo com a pasta, até o momento, foram destinados aos estados e municípios R$ 9,7 bilhões para ações de enfrentamento à pandemia do novo coronavírus.

Desabastecimento

Os representantes do Ministério da Saúde também falaram sobre as dificuldades de abastecimento das secretarias estaduais e municipais de saúde em relação a medicamentos utilizados em Unidades de Terapia Intensiva. O fornecimento não é responsabilidade da pasta, mas estados e municípios solicitaram auxílio diante do problema.

A diretora do Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos da pasta, Sandra de Castro Barros, informou que após uma reunião na Procuradoria-Geral da República (PGR), no dia 17 de junho, entre autoridades de saúde, procuradores, Anvisa e fabricantes de remédios, foram definidas três ações para lidar com o cenário de desabastecimento.

A Organização Pan-americana de Saúde (OPAS) está fazendo uma cotação juntamente a fornecedores internacionais. Não foi indicada pelos representantes do órgão uma previsão de quando esse processo de aquisição deverá ser concluído.

O Ministério da Saúde realizará um pregão eletrônico para aquisição centralizada desses medicamentos, na qual os estados poderão entrar como co-participantes. O secretário executivo do órgão argumentou que este tipo de procedimento ajuda ao permitir uma compra em escala, reduzindo o preço dos medicamentos.

Outra medida adotada foi a requisição administrativa do excedente da produção da indústria farmacêutica como forma de facilitar o acesso por estados a estes medicamentos.

“Tivemos desajuste no mercado e dificuldade de aquisição pelos estados, com aumento da procura e do preço por esses medicamentos. Pelo levantamento que fizemos com Conass e Conasems, estaremos atendendo às necessidades sem desabastecer o mercado, porque temos também a rede privada. Vamos conseguir fazer isso trazendo material de fora”, comentou Elcio Franco.

Em relação aos remédios cuja disponibilização é responsabilidade do Ministério da Saúde, para além das 4,3 milhões de unidades de cloroquina, foram distribuídos 7,26 milhões de comprimidos de Tamiflu. Ainda há estoque de 3,3 milhões de unidades em estoque desta substância.

Brasil registra 692 óbitos por covid-19 nas últimas 24 horas; região Sudeste é a mais afetada

Com 692 novos óbitos, registrados nas últimas 24 horas, sobe para 58.314 o total de mortes em função da pandemia do novo coronavírus no Brasil. O número foi divulgado na atualização diária do Ministério da Saúde. O total representou um aumento de 1,2% em relação a ontem (28), quando o balanço marcou 57.622 falecimentos totais em decorrência da covid-19. Para se ter uma ideia do que o número representa, a soma é maior do que a capacidade de conhecidos estádios brasileiros, como Beira Rio e Arena do Grêmio, em Porto Alegre, e Arena Fonte Nova, em Salvador.ebc.png?id=1310534&o=node

Ainda conforme o Ministério da Saúde, nas últimas 24 horas foram adicionadas às estatísticas mais 24.052 casos confirmados de covid-19. Com isso, o Brasil atinge 1.368.195 milhões de casos acumulados da doença.

A taxa de letalidade (número de mortes pelo total de casos) ficou em 4,3%. A mortalidade (quantidade de óbitos por 100 mil habitantes) atingiu 27,7. A incidência dos casos de covid-19 por 100 mil habitantes é de 651,1.

O balanço do Ministério da Saúde aponta 552.419 pacientes ainda em observação, enquanto o total de recuperados desde o início da pandemia totaliza 757.462.

Regiões mais afetadas pelo novo coronavírus

A região com mais óbitos por covid-19 é o Sudeste, com 26.807. É nela onde estão os dois estados com maior número de vítimas: São Paulo (14.398) e Rio de Janeiro (9.848). Em seguida vem a região Nordeste, com 18.923 vítimas da doença. Os estados nordestinos com mais vítimas são Ceará (6.076) e Pernambuco (4.782).

Boletim epidemiológico covid-19

 Brasil ainda enfrenta "grande desafio" no combate ao coronavírus, diz OMS

GENEBRA (Reuters) - O Brasil ainda enfrenta um "grande desafio" na luta contra o novo coronavírus, disse nesta segunda-feira uma importante autoridade da Organização Mundial da Saúde (OMS), pedindo às autoridades federais e estaduais que trabalhem com mais próximas.

"Não há dúvida. O Brasil ainda enfrenta um grande desafio", disse Mike Ryan, chefe do programa de emergências da OMS, em uma entrevista coletiva virtual. Ele descreveu a situação nas Américas em geral como "difícil".

Questionado por um jornalista sobre o uso do termo "kung flu" --um jogo de palavras com a palavra em inglês para gripe com "kung fu"-- pelo presidente dos EUA, Donald Trump, ou de outras referências ao vírus como chinês, Ryan pediu o uso de um "discurso internacional baseado no respeito mútuo".

"Muitas pessoas ao redor do mundo têm usado linguagem infeliz nesta resposta", disse ele. "Estamos tentando nos concentrar no caminho a seguir, tentando nos concentrar no que precisamos fazer."

O Brasil é o segundo país do mundo com o maior número de casos confirmados da doença respiratória provocada pelo novo coronavírus, com mais de 1,3 milhão de infecções, e também o segundo com mais mortes, com 57.622 óbitos registrados até domingo. Apenas os Estados Unidos têm mais casos e mortes por Covid-19.

Na semana passada, a OMS já havia alertado para uma provável subnotificação de casos de Covid-19 no Brasil devido a uma escassez de testes.

Apesar de a epidemia no país ter apresentado estabilização em algumas grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, que inclusive têm afrouxado medidas de distanciamento social, atualmente cidades do interior se tornaram o epicentro da doença e podem provocar um "tsunami" de novos casos nas capitais, à medida que pessoas em estado grave dependem dos grandes centros para receber atendimento, segundo especialistas.

Fonte:
Reuters/Agencia Brasil

0 comentário