Cena externa endossa realização de lucros e Ibovespa termina semana com queda marginal

Publicado em 07/08/2020 18:17 86 exibições

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou a semana com uma leve queda, determinada pela sessão desta sexta-feira, sem catalisadores significativos para renovar as máximas desde o agravamento da pandemia no país em março, mas também sem notícias que apoiassem uma correção mais forte após quatro meses de alta no pregão brasileiro.

Na última quarta-feira, o Banco Central reduziu a Selic a 2% ao ano, reforçando o que tem sido um dos principais suportes para as ações brasileiras, em meio a uma migração de recursos de pessoas físicas para a bolsa em busca de retornos mais elevados para seus investimentos.

A temporada de balanços no país mostrou uma combinação mista de resultados, trazendo o desempenho e as perspectivas de pesos pesados como Itaú Unibanco, Banco do Brasil, Klabin, Gerdau e Braskem, entre outros, enquanto o calendário de ofertas de ações - IPOs e follow ons - continuou aquecido.

Brasília não trouxe novidades em relação ao andamento da reforma tributária, com o ministro da Economia, Paulo Guedes, buscando ganhar no discurso a confiança de investidores sobre os efeitos benéficos do texto, que ainda traz desconfiança quando a um eventual aumento da carga tributária a alguns setores.

O Senado, por sua vez, atraiu as atenções ao aprovar na quinta-feira projeto de lei que estabelece um teto para taxas de juros de cheque especial e cartão de crédito enquanto durar o estado de calamidade pública por conta da pandemia da Covid-19. O texto será agora analisado pela Câmara dos Deputados.

No exterior, a semana termina com o clima tenso após o governo norte-americano tomar medidas para proibir os aplicativos WeChat e TikTok, controlados por empresas chinesas, nos Estados Unidos, adicionando ainda mais combustível às relações complicadas entre as duas maiores economias do mundo.

Ao mesmo tempo, dados sobre a economia dos EUA, com o relatório sobre o mercado de trabalho nesta sexta-feira sendo o mais recente, mostraram que a recuperação da atividade econômica perdeu um pouco o fôlego, após números mais fortes nos meses anteriores.

Ainda assim, Wall Street encontrou suporte no desempenho do setor de tecnologia e em esperanças de um novo pacote de estímulos fiscais nos EUA, que continua sendo negociado por parlamentares em um ambiente de aumento de casos de Covid-19, com mais de 160 mil mortos pelo vírus.

O Brasil também não mostra arrefecimento no ritmo de contágio do novo coronavírus e fica mais perto de 3 milhões de casos e 100 mil mortes.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 1,3%, a 102.775,55 pontos, com o aumento da tensão entre EUA e China e números sobre a economia norte-americana respaldando movimentos de realização de lucros, que asseguraram queda de 0,13% na semana/mês. No ano, o declínio alcança 11,13%.

"O desempenho da bolsa continua caminhando em sentido lateral, entre 100 mil e 105 mil pontos", observou o analista Fernando Góes, da Clear Corretora, acrescentando que o Ibovespa precisa romper um desses níveis para mudar de comportamento. "O mais provável é que fiquemos mais tempo sem andar."

O índice Small Caps recuou 0,85%, a 2.457,34 pontos, com perda de 0,35% na semana/mês e baixa de 13,50% no acumulado de 2020.

O volume negociado no pregão nesta sexta-feira somou 29,16 bilhões de reais.

NOTÍCIAS DE AÇÕES EM DESTAQUE NA SEMANA:

Fila de IPOs tem 13 empresas do ramo imobiliário

IPO da Quero-Quero movimenta R$2,2 bi

IPO da d1000 movimenta R$460 mi

Bolsa não vive bolha, diz CEO da B3

PORTFÓLIO-Cenário favorece alta na bolsa [nL1N2F50R9]

Eztec e Petrorio entram na 1ª prévia do Ibovespa

DESTAQUES DO IBOVESPA DO ACUMULADO DO MÊS:

- KLABIN UNIT mostra alta de 11,67% em agosto, embalada pelo lucro operacional medido pelo Ebitda ajustado de 1,3 bilhão de reais entre abril e junho, melhor desempenho trimestral da história da fabricante de papel e celulose. Na esteira dos fortes números da rival, SUZANO ON acumula elevação de 9,95%.

- TOTVS ON acumula valorização de 11,42%, apoiada no resultado trimestral da produtora de softwares de gestão, que mostrou lucro quase estável no segundo trimestre, uma vez que maiores receitas com produtos de computação em nuvem e a forte redução da despesa compensaram os efeitos econômicos da pandemia do coronavírus. A companhia ainda espera um "fim de ano interessante".

- BR MALLS ON sobe 9,49% na primeira semana do mês, principalmente após resultado do grupo Iguatemi, que mostrou declínio de 14,3% na receita líquida e de apenas 2 pontos percentuais na margem Ebitda, para 71,4%. IGUATEMI ON avança 6,86% no mês e MULTIPLAN ON, que também reportou resultado, valoriza-se 7,85%. A brMalls apresenta seu desempenho trimestral em 13 de agosto.

- COGNA ON recua 11,96%, após figurar entre os destaques positivos do mês anterior, em meio a correções com a estreia fraca da sua subsidiária Vasta na bolsa norte-americana Nasdaq. Parte do avanço recente de Cogna esteve associada a expectativas para o IPO, uma vez que parcela dos recursos da oferta foi destinada a pagamento de dívida com a controladora. O IPO foi precificado em 30 julho acima da faixa indicativa, a 19 dólares por papel, mas a ação não teve fôlego para sustentar a cotação, que fechou a sexta-feira a 17,80 dólares.

- CVC BRASIL ON registra uma queda de 8,61% na primeira semana do mês. A empresa de turismo mostrou uma baixa de mais de 65% no lucro líquido não auditado de 2019, após revisão e reconciliação de resultados em razão de distorções contábeis. Além de todo o efeito negativo por causa da pandemia, a revisão da contabilidade acarretou ainda ajustes no valor de 362,4 milhões de reais nas demonstrações financeiras do ano passado. A CVC busca divulgar balanço auditado de 2019 e o resultado do primeiro trimestre de 2020 até 31 de agosto.

- CARREFOUR BRASIL ON apura um declínio de 5,30% neste começo de mês, após forte valorização na última semana de julho ocorrido depois da divulgação de salto de quase 75% no lucro ajustado do segundo trimestre ante mesmo período de 2019. Na ocasião da publicação do balanço, a equipe da XP Investimentos considerou resultado sólido, mas avaliou o múltiplo da companhia como justo e reiterou recomendação 'neutra' para as ações. No setor, GPA ON perde 4,30% no mês.

DESTAQUES DO SMALL CAPS NO ACUMULADO DO MÊS:

- PETRORIO ON registra uma alta de 10,86%, tendo de pano de fundo a sua entrada na primeira prévia da composição do Ibovespa que irá vigorar de setembro a dezembro.

- C&A MODAS ON contabiliza uma valorização de 10,56%, mesmo com perspectivas mais negativas para o setor de vestuário no segundo trimestre em razão das medidas de restrição de circulação. A companhia divulgará desempenho de abril a junho em 19 de agosto. No setor, LOJAS RENNER ON, que faz parte do Ibovespa, mostra elevação de 5,08% no mesmo período.

- ALIANSCE SONAE ON sobe 9,34%, acompanhando suas concorrentes listadas no Ibovespa, em meio a perspectivas de que os efeitos das determinações de lockdowns podem não ter sido tão ruins nos resultados dos shopping centers como se antecipou.

- LIGHT ON mostra um recuo de 8,94% no mês, afetada pelos receios sobre os impactos do coronavírus no mercado de energia, como queda do consumo e aumento da inadimplência. Em relatório no mês passado, a Fitch Ratings estimou que a companhia deve ser uma das mais impactadas do setor em termos de Ebitda em 2020 por causa da pandemia em razão de sua exposição ao mercado livre de energia. A companhia divulga seus números do segundo trimestre no próximo dia 13.

- JHSF ON perde 6,29% neste começo de agosto, em meio a movimentos de realização de lucros. O papel acumulou alta de quase 30% no mês passado, quando a empresa realizou oferta de ações para levantar capital para a expansão da estratégia digital, além de ampliação do segmento de incorporação e de shopping center.

FORA DOS ÍNDICES:

OI ON registra queda de 14,29% apesar da expectativa sobre venda de ativos. Enquanto o consórcio formado por TIM, Telefônica Brasil e Claro aparece como único ofertante oficial para os ativos móveis da Oi, a unidade de fibra óptica tende a ter uma disputa mais acirrada.

Veja o comportamento dos principais índices setoriais na B3 no acumulado do mês:

- Índice financeiro: -1,84%

- Índice de consumo: +0,11%

- Índice de Energia Elétrica: -1,77%

- Índice de materiais básicos: +3,56%

- Índice do setor industrial: +1,15%

- Índice imobiliário: +1,30%

- Índice de utilidade pública: -1,55%

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