Governo busca com líderes no Congresso alternativas para programa social e desoneração da folha

O governo está discutindo com seus líderes no Congresso alternativas para um novo programa social e a desoneração da folha de pagamento, e deve encaminhar a eles o adendo para a reforma tributária para que seja negociado um texto possível de ser aprovado pelos parlamentares, disse nesta quarta-feira o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).
De acordo com Barros, depois de uma reunião entre o presidente Jair Bolsonaro, os líderes do governo no Congresso e ministros, ficou acertado que o governo enviará o texto com novas propostas de mudanças tributárias primeiro para os líderes e para o relator da reforma, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB).
"A reunião foi para analisar as várias alternativas que temos para financiar o programa de renda social e para desonerar a folha de pagamento, que são objetivos já anunciados pelo presidente e que queremos alcançar", disse o deputado ao final da reunião.
A pedido do ministro da Economia, Paulo Guedes, Bolsonaro vetou a manutenção das desonerações da folha de pagamento aprovadas pelo Congresso, por não haver previsão orçamentária para sua manutenção. No entanto, o governo sabe que o veto deve ser derrubado.
A equipe econômica trabalha com uma proposta de vincular uma desoneração mais ampla da folha, não restrita aos 17 setores que eram contemplados, à criação de um imposto sobre transações financeiras --uma reforma da antiga CPMF-- que seria apresentado juntamente com outros pontos, como aumento da isenção do Imposto de Renda e redução do IPI em produtos da linha branca.
Essa seria a proposta a ser apresentada aos líderes para ser empacotada como parte da reforma tributária. A nova CPMF, no entanto, encontra muita resistência dentro do Congresso, com o próprio presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já tendo declarado que o novo imposto não passa enquanto ele for presidente.
O presidente da Comissão de Mista da Reforma Tributária, senador Roberto Rocha (PSDB-MA), afirmou, ao chegar ao Planalto, que o novo imposto não está em discussão no Congresso. Segundo o senador, o governo quer desonerar a folha e vê como alternativas a criação da nova CPMF ou um aumento no IVA, mas essa discussão pode atrapalhar a reforma.
"É muito delicado esse assunto. Isso pode de algum modo contaminar a reforma. Não há ambiente político para discutir esse assunto", afirmou.
A mesma reunião no Planalto misturou a reforma com a criação de um novo programa de renda mínima. Depois de enterrar o Renda Brasil, o presidente autorizou o relator do Orçamento, senador Marcio Bittar (MDB-AC), a estudar alternativas para um programa de renda mínima. O assunto também foi tratado na reunião.
"Para ficar claro, estamos construindo com senador Marcio Bittar o texto do pacto federativo em que estará o conceito do programa de renda mínima, e a equipe econômica estará construindo também o texto que será encaminhado para reforma tributária. Esses textos serão submetidos aos líderes da Câmara e do Senado e do que for acordado será encaminhado então a Câmara dos Deputados e o senador Márcio Bittar apresentará o seu relatório no Senado Federal", disse.
O deputado ressaltou, no entanto, que as mudanças não afetarão o teto de gastos e o rigor fiscal, e que não haverá propostas para aumentar carga tributária.
"Estamos buscando dentro do Orçamento recursos para avançar nos programas. Se for necessário, fazemos uma substituição", disse o deputado depois da reunião.
0 comentário
Trump diz que EUA ficarão satisfeitos se Irã concordar em não possuir armas nucleares
Nasdaq lidera as perdas nas ações, com petróleo e custos de financiamento no foco
Trump suspende ataque ao Irã enquanto negociações continuam
Ibovespa fecha abaixo dos 177 mil pontos pressionado por Vale
Brasil pode realocar fluxos de exportações do agro em meio a acordo EUA-China
Dólar volta a fechar abaixo de R$5,00 após Trump adiar ataque contra o Irã