Serviços cresce mais que o esperado em agosto sobre julho, mas não recupera perdas com pandemia

O volume do setor de serviços do Brasil cresceu 2,9% em agosto sobre o mês anterior, na terceira alta mensal, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quarta-feira, em um desempenho recorde para o mês, mas ainda insuficiente para recuperar as perdas acumuladas de fevereiro a maio por causa da pandemia.
Na comparação com o mesmo mês do ano passado, o indicador sofreu a sexta queda consecutiva, de 10%.
O desempenho do setor, que responde por cerca de 60% do Produto Interno Bruto (PIB) do país, veio um pouco melhor do que as expectativas de analistas que apontavam alta mensal de 2,3% e recuo anual de 10,7%, segundo pesquisa Reuters. [BRSERM=ECI] [BRSERV=ECI}
Ainda assim, em 12 meses o setor de serviços acumulou queda de 5,3%, a mais forte da série, que teve início em dezembro de 2012. A alta acumulada desde junho, de 11,2%, foi inferior às perdas de 19,8% registradas de fevereiro a maio.
"Ainda não devemos ver em 2020 uma recuperação das perdas provocadas pela pandemia", afirmou a jornalistas o gerente da pesquisa do IBGE, Rodrigo Lobo, acrescentando que o setor ainda está 9,8% abaixo do nível de fevereiro.
Lobo ressaltou que, mesmo com medidas de flexibilização das restrições à movimentação, o deslocamento ainda não voltou aos níveis normais, limitando a recuperação de um setor que, ainda mais do que comércio e indústria, depende em grande medida do contato presencial.
O crescimento dos serviços em agosto sobre julho foi o maior para o mês da série e teve impulso de aumento recorde de 33,3% nos serviços prestados às famílias. Esse segmento, que inclui serviços como alojamento, alimentação, recreação e atividades culturais, foi fortemente baqueado pelas medidas de contenção da disseminação do vírus da Covid-19 e neste mês teve seu desempenho puxado por restaurantes e hotéis, segundo o IBGE.
Das cinco atividades investigadas pelo IBGE, outras três tiveram altas sobre julho: transportes e correios (+3,9%) serviços profissionais, administrativos e complementares (+1,0%) e outros serviços (0,8%). Serviços de informação e comunicação recuaram 1,6%.
Na comparação com agosto de 2019, serviços prestados às famílias (-43,8%), serviços profissionais, administrativos e complementares (-14,0%) e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio (-8,5%) foram as principais influências negativas.
No acumulado do ano, o setor de serviços teve queda de 9% até agosto sobre o mesmo período de 2019. Os serviços prestados à família, com impacto mais relevante, foram pressionados no período especialmente pela queda nas receitas de restaurantes, hotéis, catering, bufê e outros serviços de comida preparada.
"A intensificação da queda deste setor (serviços prestados às famílias), passando de -38,2% no acumulado até julho para -38,9% no acumulado até agosto, ainda é reflexo do lento ritmo de retomada da prestação de serviços, devido à pandemia", disse o IBGE em nota.
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