UE avalia doar 5% de suas vacinas contra Covid-19 para países pobres, diz documento

Por Francesco Guarascio
BRUXELAS (Reuters) - A União Europeia pode doar 5% das vacinas contra Covid-19 que tiver garantido para nações mais pobres, mostrou um documento interno do bloco visto pela Reuters, em uma medida que pode impactar o mecanismo de distribuição de imunizanres co-liderado pela Organização Mundial de Saúde (OMS).
O plano, esboçado pelo governo da França, estabelece pela primeira vez uma meta clara para doações de vacina da UE que, até então, era considerada somente uma opção para o caso de o bloco acabar com sobras de doses.
A medida, no entanto, pode ser um golpe para o mecanismo global de aquisição de vacinas co-liderado pela OMS conhecido como Covax, que tem a meta de entregar 2 bilhões de doses até o final do ano que vem para pelo menos 20% das pessoas, a maioria delas mais necessitadas no mundo.
Pelo plano francês, que ainda precisa do consentimento dos 27 países da UE, até 65 milhões de doses de vacinas contra Covid-19 podem eventualmente ser doadas pelo bloco a países pobres.
Isso representaria 5% das 1,3 bilhão de doses que a UE já assegurou até o momento sob seis acordos avançados de compras firmados com Pfizer/BioNTech, Moderna, Johnson & Johnson, AstraZeneca/Oxford, Sanofi/GSK e CureVac, mostra o documento.
O Covax seria usado para ajudar a identificar os países que mais precisam, mostrou o documento francês.
Mas, para reduzir custos, as vacinas seriam diretamente entregues pelos fabricantes que têm um acordo de fornecimento com a UE para as pessoas mais necessitadas em países pobres, diz o documento. As doses seriam rotuladas como doadas pelo "Time Europa".
"Doar vacinas do nosso portfólio da UE para atingir esses grupos prioritários parece ser, no curto prazo, a maneira mais eficiente de cumprir a ambição de tornar a vacina um bem público", diz o documento.
O documento estima que as doses doadas podem ser usadas na vacinação, geralmente com duas doses, de 16 milhões de profissionais de saúde em 62 países pobres. Trabalhadores médicos e de enfermagem em outros 54 países de baixa renda também podem se beneficiar da doação.
Até agora o Covax tem tido dificuldade de encomendar doses, já que a maioria já foi reservada por países ricos, incluindo os da UE que, apesar de financiarem o mecanismo da OMS, preferiram não comprar vacinas por meio dele porque não quiseram ter seu fornecimento limitado a 20% da população, disseram autoridades do bloco à Reuters.
0 comentário
Dólar fecha no maior valor do ano e acumula alta de 9,15% na semana pós-eleição
Ibovespa tem pior semana desde a pandemia com ajustes pós-eleição
Taxas dos DIs encerram semana com altas acumuladas de mais de 250 pontos-base após vitória de Lula
Debate sobre ajuste fiscal esbarra em resistências de aliados de Lula na largada
Ações europeias recuam por preocupações com IA ao fim de melhor mês desde junho
Ibovespa recua com exterior reforçando ajuste negativo pós-eleição