Ainda não é possível estabelecer prazo para chegada de insumos e vacinas, diz Araújo

Por Maria Carolina Marcello
BRASÍLIA (Reuters) - O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, afirmou nesta quarta-feira que ainda não é possível estabelecer prazos para a chegada dos insumos da China para a produção de vacinas contra a Covid-19 no Brasil e para o envio de imunizantes prontos ao país por parte da Índia, mas disse que a diplomacia brasileira segue trabalhando para agilizar os processos.
Em reunião virtual informal de comissão externa da Câmara dos Deputados que acompanha as ações do governo no combate à crise do coronavírus, o chanceler negou que a importação de insumos da China esteja sofrendo "percalços políticos", acrescentando que o Brasil tem boa relação com os chineses.
"Em relação a prazo para a entrega das vacinas que nós estamos importando da Índia, eu não posso mencionar agora um prazo, mas quero reiterar que está bem encaminhado, que estou conduzindo pessoalmente as conversações com as autoridades da Índia", disse o ministro.
"Em relação aos insumos provenientes da China, também não é possível falar de prazo nesse momento. Claro que a gente está trabalhando e todo o governo federal... para que o prazo seja o mais breve possível", acrescentou Araújo.
Pouco antes, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, afirmou em participação na reunião virtual que o ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, tinha acabado de se reunir com o embaixador da China sobre os insumos para a produção de vacinas do Instituto Butantan e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
Mais cedo nesta quarta-feira, governadores de todos os Estados e do Distrito Federal pediram ao presidente Jair Bolsonaro, em ofício, um "diálogo diplomático" entre o governo brasileiro e os países provedores de insumos para fabricação de vacinas contra Covid-19 como a China e a Índia a fim de assegurar a continuidade do programa de imunização do país.
Em nota, o governo federal afirmou que vem "tratando com seriedade" todas as questões referentes ao fornecimento de insumos farmacêuticos para produção de vacinas e que realizou uma conferência telefônica dos ministros da Saúde, Eduardo Pazuello, da Agricultura, Tereza Cristina, e das Comunicações, Fábio Faria, com o embaixador chinês Yang Wanming.
O governo ressaltou na nota que "é o único interlocutor oficial com o governo chinês". Mais cedo nesta quarta-feira, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), teve um encontro virtual com Wanming, ocasião em que o embaixador chinês negou qualquer entrave político à importação de insumos e disse trabalhar junto ao governo chinês para acelerar o processo.
Os Estados começaram a vacinação de grupos prioritários esta semana com doses da CoronaVac importadas da China, mas a expectativa é que a imunização só deslanche com a fabricação no país das vacinas CoronaVac, pelo Instituto Butantan, e da AstraZeneca-Oxford, pela Fiocruz. A fabricação desses dois imunizantes, no entanto, depende da chegada de insumos.
O Instituto Butantan espera receber insumos da China até o dia 10 de fevereiro, o que possibilitará o envase de mais 11 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra Covid-19 do laboratório chinês Sinovac, segundo o presidente do órgão, Dimas Covas.
A Fiocruz adiou de fevereiro para março a entrega das primeiras doses da vacina da AstraZeneca a serem produzidas no Brasil devido ao atraso na chegada do insumo farmacêutico ativo (IFA) da China.
Além dos insumos chineses, o Brasil tenta importar 2 milhões de doses prontas da vacina da AstraZeneca produzidas na Índia, mas o avião que traria as doses na semana passada ainda não decolou do Brasil devido a um impasse na liberação com os indianos.
Na reunião informal desta quarta na comissão da Câmara, o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Krieger, disse ter a "boa notícia" de que haverá a mobilização de uma segunda linha de produção da fundação, de forma a duplicar a capacidade de produção.
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