Com agravamento da pandemia, sistema de saúde do Paraguai colapsa

Publicado em 15/05/2021 22:20 e atualizado em 16/05/2021 06:00 527 exibições
Ocupação nos leitos de UTI é de 100%; País está em 3º em mortes por milhão (no Poder360)

O sistema hospitalar do Paraguai está em colapso diante do recrudescimento da pandemia do novo coronavírus. Mesmo com a ampliação do número de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para tratamento da covid-19, o país sofre com a capacidade limitada de sua estrutura de saúde.

Desde o início da pandemia, a quantidade de leitos de UTI no país mais do que dobrou (de 300 para 630). Porém, todos estavam ocupados nesta 6ª feira (15.mai). Além da explosão de novos casos, o Paraguai sofre com a falta de profissionais de saúde especializados.

De acordo com o Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social, apenas 100 médicos intensivistas trabalham no país. A maioria está concentrada em Assunção. Muitos leitos de UTI do interior são manejados por médicos sem experiência.

Em todo o ano passado, foram 2.262 mortes por covid no Paraguai. Só de janeiro até 13.mai.2021, o número total de vítimas saltou para 7.427 –ou seja, um aumento de 228% só em 2021. No último dia de 2020, eram 107.932 casos. Nesta 6ª feira (14.mai), o Paraguai já contabilizava 309.648.

Os números tornaram o Paraguai o 3º colocado no ranking de média de mortes diárias por milhão de habitantes. Segundo o OurWorldInData, são 10,2 mortes por milhão no país, atrás apenas de Uruguai (13,9) e Peru (11,4).

No mesmo ranking, o Brasil é o 8º colocado, com 9,1 mortes a cada milhão de pessoas. No top 10, aparecem ainda outros 2 países latino-americanos: a Argentina (9,42) e a Colômbia (9,5).

TENTATIVA DE IMPEACHMENT NAUFRAGOU

Em março, manifestantes atearam fogo à sede do partido Colorado, em Assunção, capital do país. O protesto ocorreu depois que o Congresso rejeitou o afastamento do presidente, Mario Abdo Benítez, e de seu vice, Hugo Velázquez. Ambos eram acusados de má gestão da pandemia.

Eram necessários ao menos 53 votos para aprovação, mas só 36 deputados votaram a favor. A solicitação de abertura do processo foi feita pela oposição, que é minoria na Câmara. À época, faltavam insumos básicos nos hospitais e centros de saúde, como analgésicos.

O pedido de afastamento de Benítez também incluía a acusação de que o governo teria feito pagamento incorreto de parte dos recursos necessários para a compra de vacinas pelo consórcio Covax Facility. Dos US$ 45,6 milhões, cerca de 15% teriam sido transferidos para a conta errada duas vezes. O Ministério da Saúde Pública e Bem-Estar Social negou o erro.

Uruguai fica em 1º em mortes per capita por covid-19 no mundo em 1 só dia

Exemplo contra covid-19 em 2020, Uruguai sofre com maior índice de mortalidade pela doença no mundo

Durante 2020, o Uruguai foi apontado como um exemplo no combate à pandemia do coronavírus, enquanto os países vizinhos lutavam com o número crescente de mortes.

Mas, na última semana, a taxa de mortalidade per capita da covid-19 do país foi a maior do mundo, alcançado 14,23 mortes por milhão de habitantes só no dia 13 de maio, segundo o Our World in Data, da Universidade de Oxford.

Até 6ª feira (14.mai.2021), pelo menos 3.252 pessoas morreram de covid-19 no país de 3,4 milhões de habitantes, de acordo com o Ministério da Saúde do Uruguai. A média diária de mortos ficou em 50 na última semana.

Seis dos 11 países com as maiores taxas de morte per capita estão localizados na América do Sul, onde a pandemia deixa marcas no desemprego, pobreza e fome crescentes. Em sua maioria, os países da região não conseguiram adquirir vacinas suficientes para imunizar suas populações rapidamente.

As taxas de contágio no Uruguai começaram a aumentar em novembro e dispararam nos últimos meses, aparentemente por causa de uma variante contagiosa identificada pela 1ª vez no Brasil em 2020.

“No Uruguai, é como se tivéssemos duas pandemias, uma até novembro de 2020, quando as coisas estavam sob controle, e outra a partir de novembro”, afirmou o vice-ministro da Saúde, José Luis Satdjian.

“Nós temos uma nova figura na situação: a variante brasileira, que atingiu nosso país com muita força”, completou.

O país com a 2ª maior taxa de mortes per capita em 13 de maio ficou o vizinho Paraguai, com 10,9 por milhão de habitantes de acordo com dados de 5ª feira (13.mai). País também teve relativo sucesso no controle do vírus durante parte do ano passado, mas houve uma piora.

No Brasil, a taxa diária em 13 de maio foi de 9,05 por milhão, ficando em 3º lugar no ranking.

O Uruguai, como medida preventiva no início da pandemia, fechou as fronteiras, mas cidades ao longo da divisa com o Brasil são efetivamente “binacionais”. O trânsito entre os 2 lados é intenso.

O surto de casos sobrecarregou hospitais uruguaios. Em 1º de março, o país tinha 76 pacientes da covid-19 em UTIs (unidades de terapia intensiva). Nesta última semana, profissionais de saúde estavam cuidando de mais de 530 internações.

Brasil registra mais 2.087 mortes por covid-19, com 14.062.396 recuperados

Paciente no Hospital Regional da Asa Norte, referência para a covid-19 em Brasília

O Ministério da Saúde confirmou neste sábado (15.mai.2021) mais 67.009 casos e 2.087 vítimas por covid-19 no Brasil. De acordo com a pasta, o país registra agora 434.715 mortes e 15.586.534 diagnósticos da doença. As autoridades também contabilizam 14.062.396 recuperados. Outros 1.089.423 pacientes estão em acompanhamento.

MÉDIA DE MORTES E CASOS

A média móvel matiza variações abruptas. A curva é uma média do número de ocorrências confirmadas nos últimos 7 dias. A média de novas mortes no país é de 1.914.

É o patamar mais baixo desde 15 de março, quando a curva ficou em 1.841.

Já a curva de novos casos está em 62.951.

MORTES PROPORCIONAIS

O Brasil tem 2.038 mortes por milhão de habitantes. Todos os Estados têm mais de 1.000 mortes por milhão.

O Brasil é o 11º no ranking mundial de vítimas por milhão. A Hungria lidera a lista, com 3.020 vítimas por milhão.

O número está um pouco abaixo do pico no início de maio, mas os especialistas ainda não viram um declínio constante que possa indicar uma tendência de queda.

França aplicou 20 milhões de primeiras doses de vacinas contra Covid-19, diz Macron

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PARIS (Reuters) - O presidente francês Emmanuel Macron disse em uma postagem no Twitter neste sábado que 20 milhões de pessoas na França já receberam pelo menos uma dose da vacina contra Covid-19, enquanto o governo tenta intensificar sua campanha de vacinação.

O governo francês estabeleceu para si próprio uma meta de dar uma primeira dose a 20 milhões de pessoas até meados de maio, após um início lento de sua campanha há vários meses. Agora, foi aberto o programa de imunização para um número mais amplo de pessoas.

Índia espera que casos de COVID-19 se estabilizem, apesar de média diária de mortes em 4 mil

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MUMBAI, (Reuters) - A Índia relatou seu menor aumento diário em infecções por coronavírus em quase três semanas neste sábado, com mortes ainda perto da marca de 4 mil por dia, mas autoridades federais de saúde disseram que os casos e fatalidades estão se estabilizando rapidamente nesta onda da pandemia.

A taxa geral de casos positivos por teste caiu para 19,8% nesta semana, de 21,9% na semana passada, disseram autoridades federais de saúde em um comunicado, mas alertaram que a cautela deve continuar.

Randeep Guleria, diretor do Hospital AIIMS em Delhi, alertou que infecções secundárias como mucormicose ou "fungo negro" estavam aumentando a taxa de mortalidade da Índia, com Estados relatando recentemente mais de 500 casos de Covid-19 em pacientes com diabetes.

No início do dia, o primeiro-ministro Narendra Modi disse às autoridades para se concentrarem na distribuição de recursos, incluindo suprimentos de oxigênio nas áreas rurais duramente atingidas, de acordo com um comunicado do governo.

Ele também pediu mais testes no vasto interior da Índia, que está testemunhando uma rápida disseminação do vírus, acrescentou a nota.

Nas últimas 24 horas, a Índia registrou 326.098 novas infecções pelo vírus, chegando a 24,37 milhões, com 3.890 mortes, para um número de 266.207, mostram dados do Ministério da Saúde. Mas o crescimento lento também pode refletir as taxas de teste que estão em seus níveis mais baixos desde 9 de maio.

Em Genebra, o chefe da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que a Índia era uma grande preocupação, com o segundo ano da pandemia sendo mais mortal do que o primeiro.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, da OMS, falou em uma reunião online depois que Modi anunciou na sexta-feira a rápida propagação do Covid-19 pelo interior indiano.

Quatro mil concentradores de oxigênio apoiados pela OMS chegaram a Délhi neste sábado e serão levados às pressas para os Estados durante os próximos 2-3 dias para em resposta à Covid-19, afirmou Tedros no Twitter.

Durante a semana passada, o país do sul da Ásia adicionou cerca de 1,7 milhão de novos casos e mais de 20.000 mortes em uma segunda onda de infecções que sobrecarregou hospitais e equipes médicas.

Fonte:
Poder360/Reuters

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