Crescente ruído político doméstico pressiona real e pode inclinar curva de juros, diz Morgan Stanley
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SÃO PAULO (Reuters) - Os crescentes ruídos políticos mais recentes impõem um cenário negativo para o real e geram risco de nova pressão nas taxas de juros de longo prazo, em meio a aumento do receio de uma abordagem fiscal menos conservadora, disseram estrategistas do Morgan Stanley em relatório nesta segunda-feira.
No caso do câmbio, os profissionais citaram que um nível já carregado de posicionamento favorável ao real, "valuations" caros e elevada sensibilidade aos movimentos do dólar no exterior pesam contra a moeda brasileira, com o risco/retorno do real prejudicado mesmo com a perspectiva de que o Banco Central eleve os juros.
"Achamos que a moeda terá dificuldade em sair de uma faixa de 5,00 reais a 5,60 reais no curto prazo e vemos (o mercado de) opções como o mais interessante", disseram, mantendo recomendação de venda de puts (opções de venda) de dólar/real para três meses com delta (uma medida de sensibilidade da opção) 25.
O dólar à vista oscilava em torno de 5,13 reais nesta segunda-feira, queda de 1,5% no dia, devolvendo, assim, parte da disparada da sexta-feira ditada por renovados temores sobre gastos.
Num estudo separado no mesmo relatório, os profissionais destacaram que a moeda brasileira está entre as mais sensíveis às movimentações do iuan chinês, junto com dólar australiano, peso colombiano e rand sul-africano.
Os temas políticos também podem afetar os DIs mais longos, que vêm reduzindo a inclinação ante as taxas mais curtas tanto pelos movimentos de política monetária doméstica quanto pela melhora em recentes dados fiscais.
Os estrategistas do banco norte-americano avaliaram que a cada vez maior desaprovação do governo e a proximidade da eleição de 2022 sugerem potenciais riscos em direção a uma política fiscal menos austera.
"Isso poderia, em último caso, criar renovada pressão de alta para os juros longos, especialmente com o excesso de prêmio a termo se movendo para perto de zero", disseram.
O spread de taxa entre os DIs janeiro 2025 e janeiro de 2023, que em março chegou a 179 pontos-base, estava em 86,5 pontos-base nesta sessão, mas acima de 77 pontos-base de 28 de julho.
(Por José de Castro)
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