Dólar sobe ante real com expectativa por Fed; mercado digere ata do Copom
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O dólar subia contra o real nesta quarta-feira, com os investidores digerindo a ata da última reunião de política monetária do Banco Central, enquanto aguardavam a decisão de política monetária do Federal Reserve.
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, divulgada antes da abertura dos mercados nesta quarta-feira, mostrou que a autarquia avaliou acelerar a alta da Selic para além do ajuste de 1,5 ponto percentual que adotou. A autoridade monetária chegou à conclusão, no entanto, de que o ritmo adotado poderia levar a inflação à meta em 2022, desde que considerando uma taxa terminal distinta.
"Achei que foi mais 'hawkish', mais dura sobre a inflação", comentou Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, sobre a ata. "O Banco Central parece disposto a adotar taxas mais altas para segurar a inflação do ano que vem, principalmente as expectativas."
Além da maior preocupação da autarquia com a disseminação e a persistência das pressões sobre os preços, tanto no Brasil quanto no exterior, Cruz também notou cautela do BC diante das perspectivas de que os bancos centrais das economias avançadas comecem a elevar os juros a partir do ano que vem.
"Isso traz uma pressão para o Brasil", afirmou o estrategista sobre as crescentes apostas de custos de empréstimos mais altos nas principais economias. Geralmente, um maior diferencial de juros entre países emergentes e desenvolvidos tende a beneficiar as moedas emergentes, uma vez que elas passam a oferecer retornos mais atraentes para os investidores.
Ainda nesta quarta-feira, o Federal Reserve deve detalhar planos para encerrar suas compras de títulos da era da pandemia até meados de 2022, com as autoridades voltando o foco para o que fazer em relação a um salto na inflação. Sua decisão de política monetária será divulgada às 15h (horário de Brasília).
Caso se confirme, a expectativa de especialistas é de que a decisão do Fed seja benéfica para o dólar globalmente, embora alguns ressaltem que a redução de estímulos já foi amplamente precificada pelos mercados. A atenção passa, então, aos juros básicos dos EUA em meio a especulações sobre quando o Fed deve elevá-los.
Às 10:15, o dólar avançava 0,10%, a 5,6766 reais na venda, deixando para trás a mínima do dia, de 5,6570 reais (-0,25%). Na B3, o dólar futuro tinha variação positiva de 0,03%, a 5,7140 reais.
Nesta quarta-feira, investidores também devem ficar de olho na possível votação da PEC dos Precatórios. Sua aprovação é crucial para que o governo federal consiga abrir espaço fiscal para promover o Auxílio Brasil no valor de 400 reais por família, mas a PEC tem enfrentado resistência de parlamentares.
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