Bolsonaro acerta filiação ao PL, dizem fontes
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Por Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro decidiu se filiar ao PL, partido do ex-deputado Valdemar Costa Neto, confirmaram à Reuters quatro fontes com conhecimento do assunto nesta segunda-feira, após o chefe do Executivo ter sido alvo de assédio também do PP, outro importante partido do chamado centrão.
A Reuters havia antecipado em 26 de outubro que Bolsonaro deveria optar pelo PL, em uma mudança de rumo depois de praticamente ter fechado com o PP.
Uma importante liderança do PL disse à Reuters nesta segunda-feira, sob a condição de anonimato, que Costa Neto lhe assegurou que o martelo está batido. Ainda não houve o acerto, entretanto, do dia da assinatura da ficha de filiação por Bolsonaro. "Ainda falta combinar a data", destacou.
Em um vídeo divulgado no dia 25 de outubro, Costa Neto convidou Bolsonaro e os filhos a se filiar ao PL. Segundo a fonte, o dirigente partidário --com forte atuação de bastidor e avesso a holofotes-- só fez esse movimento após ter recebido sinais de que o presidente iria para o partido.
Contudo, a cúpula do PP --que tem o ministro da Casa Civil e presidente licenciado do partido, Ciro Nogueira, como expoente -- reagiu e tentou garantir o ingresso de Bolsonaro na legenda. A tentativa não obteve sucesso.
Bolsonaro praticamente selou seu futuro no PL em entrevista à CNN Brasil nesta segunda. "Está 99% fechado. A chance de dar errado é quase zero. Está tudo certo", afirmou o presidente, segundo a emissora.
Uma segunda fonte do PL disse que uma das datas aventadas para a filiação do presidente é o dia 22, para coincidir com o número do partido nas urnas.
O chefe do Executivo precisa estar filiado a uma legenda para concorrer à reeleição em 2022. Ele se desfiliou do PSL em 2019, pouco depois de assumir o governo.
"A movimentação é que ele está vindo. O que pesa é capilaridade do partido tendo vista a eleição do ano que vem”, disse uma terceira fonte do PL. “Amanhã deve ser o anúncio oficial. A filiação deve ser depois, com cerimônia e evento“.
Uma possibilidade aventada, segundo as fontes, é que, com Bolsonaro filiado ao PL, o vice na chapa presidencial seja indicado pelo PP.
Segundo uma das fontes, Ciro Nogueira, principal dirigente do PP, se reuniu com os líderes do PL na Câmara, Wellington Roberto (PB), e do Senado, Wellington Fagundes (MT), para uma conversa de "alinhamento" entre as legendas.
AUMENTO DA BANCADA
Uma das fontes revelou que o intuito de Costa Neto em levar Bolsonaro para o PL é ajudar na estratégia de aumentar as bancadas da Câmara e do Senado nas eleições do próximo ano. Atualmente o PL tem 43 deputados federais e 4 senadores.
Fontes, entretanto, observam que em alguns lugares será preciso resolver impasses entre as atuais lideranças do partido e interesses ligados a Bolsonaro. Um dos exemplos citados é o PL de São Paulo, que dá apoio ao governador João Doria, que pretende se lançar candidato a presidente pelo PSDB.
Costa Neto foi deputado federal por dois mandatos e foi condenado no processo do mensalão. Ele chegou a ser preso, mas posteriormente foi beneficiado por um indulto do Supremo Tribunal Federal (STF).
Em 2002, o PL indicou o empresário José de Alencar para ocupar a vaga de candidato a vice-presidente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na chapa que se sagrou vencedora da eleição. Vinte anos depois, agora o PL deverá estar no lado oposto, como adversário de Lula na disputa presidencial
(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier, no Rio de Janeiro, e Lisandra Paraguassu, em Brasília)
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