Dólar tem queda após ganhos da véspera; políticas monetária e fiscal seguem no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuava frente ao real nesta quarta-feira, depois de registrar ganho acentuado na última sessão, mas apostas crescentes de aperto monetário mais cedo do que o esperado nos Estados Unidos e dúvidas sobre a saúde fiscal do Brasil permaneciam no radar dos mercados.
Às 10:19, o dólar recuava 0,34%, a 5,4814 reais na venda, após tocar 5,4661 reais na mínima do dia, desvalorização de 0,61%. Na B3, o contrato mais líquido de dólar futuro tinha queda de 0,47, a 5,494 reais.
A baixa desta quarta-feira vem depois de, na véspera, a moeda norte-americana spot avançar 0,79%, a 5,4999 reais na venda, dando sequência a ganho de 1% registrado no final da semana passada. É normal, depois de variações expressivas na taxa de câmbio, haver movimentos de realização de lucros.
Mas o cenário para o mercado de câmbio doméstico continua desafiador, apesar da movimentação deste pregão, disse à Reuters Alexandre Almeida, economista da CM Capital Markets.
De um lado, ele apontou dados fortes de vendas no varejo dos Estados Unidos divulgados na véspera, em meio à inflação elevada, que alimentaram expectativas de alta dos juros pelo Federal Reserve já em meados de 2022, o que tende a impulsionar o dólar globalmente.
Nesta sessão, o índice da divisa norte-americana contra uma cesta de seis rivais fortes mostrava queda de 0,16%, um leve ajuste depois de avançar com força na terça-feira, chegando a tocar máximas em mais de um ano.
Enquanto isso, no Brasil, investidores têm mostrado preocupação cada vez maior com a saúde das contas públicas em meio à tramitação da PEC dos Precatórios no Congresso. Almeida explicou que, embora muitos participantes do mercado enxerguem a proposta como possível alívio para a incerteza fiscal doméstica, "o fato é que a questão fica mais sensível com (a inclusão dos) servidores na conta pelo presidente Jair Bolsonaro".
Bolsonaro havia dito na terça-feira que a aprovação da PEC dos Precatórios abriria espaço para se conceder reajuste aos servidores públicos federais, justificando eventual aumento como resposta a um congelamento dos salários e à inflação.
A PEC modifica a regra de pagamento dos precatórios e altera o prazo de correção do teto de gastos pelo IPCA, abrindo espaço para o pagamento de auxílio à população de pelo menos 400 reais por família em 2022, ano eleitoral.
Além da previsão de mais gastos para o ano que vem, a aproximação de eleições provavelmente polarizadas, sinais crescentes de desaceleração econômica no Brasil e uma inflação pressionada somam-se aos empecilhos para a valorização dos ativos locais, explicou Almeida.
Na terça-feira, dados do Banco Central indicaram que a atividade econômica brasileira registrou perdas em setembro pelo segundo mês seguido e fechou o terceiro trimestre com contração, sugerindo possibilidade de recessão técnica.
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