Dólar se afasta de mínimas e ronda R$4,95 com Ptax do mês, exterior e fiscal no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar se afastava dos menores patamares desta sexta-feira, sessão que tende a ser volátil devido à formação da taxa Ptax de fim de mês, enquanto investidores monitoravam oscilações da moeda norte-americana no exterior e digeriam comentários do presidente Jair Bolsonaro sobre o teto de gastos brasileiro.
Às 12:09 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,24%, a 4,9522 reais na venda, depois de mais cedo chegar a cair 1,64%, a 4,8592 reais.
Na B3, o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento ainda caía 0,40%, a 4,9210 reais.
Vários participantes do mercado disseram nesta sexta-feira que o que deve ditar as oscilações do dólar ao longo das primeiras horas de pregão é a formação da Ptax --taxa de câmbio calculada pelo Banco Central que serve de referência para liquidação de derivativos.
No fim de cada mês, agentes financeiros costumam tentar direcioná-la para níveis mais convenientes às suas posições, o que pode gerar alguma volatilidade nos mercados.
Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, disse à Reuters que a devolução das perdas do dólar no mercado doméstico também reflete a desaceleração da queda da moeda norte-americana no exterior contra algumas moedas, citando, especificamente, o dólar australiano.
A divisa, muitas vezes tida como "proxy" da demanda global por risco, subia 0,1% contra o dólar dos EUA por volta de 11h50 (de Brasília), depois de ter chegado a ganhar mais de 1% mais cedo. Enquanto isso, na América Latina, o peso mexicano também desacelerava seus ganhos contra a moeda norte-americana.
O índice do dólar contra uma cesta de moedas de países ricos, por sua vez, continuava caindo, no que alguns atribuíam a um movimento de ajuste depois de o índice tocar seu maior patamar em 20 anos na véspera.
Rostagno disse que a recuperação do dólar no mercado pode refletir também movimentos de redução da exposição a risco antes do fim de semana, que precederá a reunião do Federal Reserve na próxima terça e quarta-feira, bem como o encontro, nas mesmas datas, do Comitê de Política Montetária (Copom) do Banco Central do Brasil.
Nesta sessão, investidores também digeriam a notícia de que o presidente Jair Bolsonaro afirmou que pretende discutir, após as eleições, uma alteração da emenda constitucional que criou o teto de gastos, com o objetivo de permitir o uso de recursos para obras de infraestrutura em caso de excesso de arrecadação de impostos.
O dólar está a caminho de registrar alta de 4% em abril, o que representaria seu primeiro ganho mensal desde outubro do ano passado.
O dólar vinha de um início de ano fraco contra o real e registrou sua pior queda trimestral desde 2009 entre janeiro e março deste ano, antes de recobrar fôlego em abril, em linha com a disparada da divisa norte-americana no exterior.
O dólar ainda acumula queda de cerca de 11% contra a moeda brasileira em 2022, embora suba em torno de 7,4% em relação aos menores patamares do ano, perto de 4,60 reais.
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