Pacheco diz que não se pode chegar a anomalias graves e que se reunirá com militares
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Por Maria Carolina Marcello e Ricardo Brito
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou nesta terça-feira que pretende se reunir com o ministro da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, e comandantes das Forças Armadas, em meio ao acirramento da crise entre Poderes da República, a ameaças a instituições e a tensões em torno das eleições gerais de outubro.
O senador defendeu, após reunião na tarde desta terça-feira com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, que as instituições têm o dever de dialogar para garantir as eleições e o ambiente democrático. Alertou ainda que deve-se evitar uma contaminação do clima pela proximidade das eleições, de forma a evitar o que considera "anomalias", citando ataques a instituições e à democracia, como os ocorridos no último domingo em manifestações de partidários do presidente Jair Bolsonaro.
"É um encontro absolutamente necessário entre o presidente Fux e o ministro da Defesa, algo que eu também pretendo fazer pelo Congresso Nacional, não só com o ministro da Defesa, mas também com os comandantes das Forças Armadas", disse Pacheco ao comentar encontro entre Fux e o ministro previsto para esta tarde.
"É muito importante que todos nós estejamos imbuídos dentro de um propósito de fortalecimento maior da democracia de preservação do Estado de Direito, de cumprimento da Constituição Federal e fundamentalmente, algo que nós não podemos esquecer, de garantir a lisura e bom andamento do processo eleitoral", disse, acrescentando não identificar qualquer problema entre as Forças Armadas e o STF.
"Então é garantir também que haja um processo eleitoral que possa culminar na escolha de quem quer que seja, mas na escolha legítima por parte da população dos seus representantes agora no próximo mês de outubro", defendeu.
Pacheco, que se reuniu no início da tarde com líderes do Senado para debater, entre outros temas, a escalada da crise institucional, garantiu manter boa relação com o Executivo e o presidente da República.
"O que nós não podemos é permitir que o acirramento eleitoral, que é natural do processo eleitoral e das eleições, possa descambar para aquilo que eu reputei anomalias graves de se permitir falar sobre intervenção militar, sobre atos institucionais, sobre frustração de eleições, sobre fechamento do Supremo Tribunal Federal", afirmou o presidente do Senado e do Congresso Nacional.
"Essas são anomalias graves que devem ser contidas, rebatidas com a mesma proporção, a cada instante, porque todos nós, todas as instituições... têm obrigação com a democracia, com o Estado de Direito e com o cumprimento da Constituição. E esse alinhamento deve ser feito através do diálogo."
Em nota, a assessoria de imprensa do STF informou que a reunião entre os presidentes dos dois Poderes levou cerca de 45 minutos, durante os quais eles conversaram "sobre o compromisso de ambos para a harmonia entre os Poderes, com o devido respeito às regras constitucionais".
De acordo com a nota, Fux e Pacheco também "ressaltaram que as instituições seguirão atuando em prol da inegociável democracia e da higidez do processo eleitoral".
Mais cedo, o ministro da Defesa e o alto comando das Forças Armadas reuniram-se com Bolsonaro.
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