Presidente argentino diz que "protecionismo" europeu é principal obstáculo a acordo UE-Mercosul
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BUENOS AIRES (Reuters) - O presidente da Argentina, Alberto Fernández, disse nesta quarta-feira que o "protecionismo" em alguns setores europeus era o maior desafio para um acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia.
A UE e o Mercosul, grupo formado por Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, concordaram em junho de 2019 em criar uma área de livre comércio de 700 milhões de pessoas após duas décadas de conversações.
Entretanto, o acordo não foi ratificado devido a preocupações, especialmente na França e no Parlamento Europeu, sobre o desmatamento na Amazônia e o ceticismo em relação aos esforços do Brasil para combater a mudança climática sob o presidente Jair Bolsonaro.
Falando ao lado do chanceler alemão, Olaf Scholz, em uma conferência de imprensa conjunta em Berlim, Fernández disse: "O que realmente precisamos discutir é também ver como agimos contra o protecionismo de certos setores da economia europeia".
As assimetrias econômicas entre a Europa e a América Latina, agravadas pela pandemia do coronavírus e pela guerra na Ucrânia, também colocaram dificuldades, disse ele.
Scholz disse que acolheria de bom grado mais progressos nas negociações pelo acordo.
"O acordo é importante e há algumas questões que nos preocupam sobre padrões ambientais, sobre padrões sociais, mas no final trata-se de torná-lo um sucesso", disse Scholz.
O acordo comercial precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu e pelos 27 Estados-membros da UE.
Após sua visita à Alemanha, Fernández se encontrará com o presidente francês, Emmanuel Macron, na sexta-feira, para discutir o acordo.
A comissária da UE Virginijus Sinkevicius disse à Reuters no início deste mês que a UE e o Mercosul poderiam resolver as preocupações ambientais que atrasam o acordo de livre comércio até o final deste ano.
(Reportagem de Nicolás Misculin, em Buenos Aires, e Madeline Chambers, em Berlim)
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