Bolsonaro irá à Cúpula das Américas e se encontrará com Biden, diz Itamaraty
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Por Lisandra Paraguassu
BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro irá a Cúpula das Américas, em Los Angeles, e terá um encontro bilateral com o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, informou oficialmente nesta quinta-feira o Ministério das Relações Exteriores.
Até a visita do enviado especial norte-americano Chris Dodd ao Brasil, na última terça-feira, Bolsonaro havia decidido não comparecer à Cúpula, que acontece nos dias 9 e 10 de junho. De acordo com fontes ouvidas pela Reuters, com a Cúpula esvaziada, a intenção do presidente era permanecer no Brasil para cuidar de assuntos internos.
A visita de Dodd e a proposta de uma reunião bilateral com Biden mudaram o cenário. A avaliação no Palácio do Planalto é que seria um gesto de boa vontade em um momento em que o governo norte-americano tenta salvar a Cúpula de um esvaziamento total. Até o momento, os presidentes da Argentina e do México já informaram que não comparecerão, em protesto pela ausência de convites à Venezuela e à Cuba.
"Há de fato uma preocupação de que o evento ficasse esvaziado, sem os líderes do Brasil, México e Argentina", disse a fonte.
O encontro com Biden serve, também, para tentar melhorar a imagem de Bolsonaro interna e externamente. Visto como um presidente isolado do mundo, Bolsonaro é acusado por seus opositores de rebaixar a posição internacional do Brasil.
Este será o primeiro contato direto entre Bolsonaro e Biden. Fã declarado do antecessor de Biden, Donald Trump, o presidente brasileiro não escondeu a torcida pelo republicano nas eleições norte-americanas de 2020 e foi o último chefe de Estado de um país com relações próximas com os EUA a cumprimentar Biden pela eleição, após chegar a fazer eco às acusações infundadas de Trump de fraude eleitoral.
Desde então, as relações entre Brasil e EUA esfriaram, mesmo mantendo negociações diplomáticas em várias áreas. Cobranças em relação ao desmatamento da Amazônia e, mais recentemente, os avisos que chegaram ao Planalto de que o país poderia sofrer sanções em caso de ruptura democrática não ajudaram a melhorar a relação.
A reunião bilateral é vista no Itamaraty como uma oportunidade para aparar arestas. Não há expectativa de que assuntos polêmicos sejam tratados pelos dois presidentes.
Em entrevista à CNN Brasil, Bolsonaro comentou a viagem.
"Será uma reunião bilateral, reservada, em que a gente vai reatar para valer nosso relacionamento. Os governos são passageiros, mas os países são eternos. Há interesse dele (Joe Biden) em conversar conosco. Nós temos um bom relacionamento com todos os países", afirmou.
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