Dólar dispara a quase R$5,35 com temores fiscais domésticos e inflação no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar disparava frente nesta quinta-feira e chegou ganhar mais de 3%, a quase 5,35 reais, refletindo a manutenção de temores domésticos sobre a agenda fiscal do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto investidores digeriam os dados do IPCA de outubro piores do que o esperado e reforçavam a cautela antes da divulgação de uma importante leitura de inflação nos Estados Unidos.
Às 10:06 (de Brasília), o dólar à vista avançava 2,34%, a 5,3058 reais na venda. No pico do pregão, a moeda norte-americana disparou 3,13%, a 5,3466 reais na venda, patamar intradiário mais alto desde 31 de outubro.
O real tinha, de longe, o pior desempenho entre uma cesta de moedas globais nesta manhã.
Na B3, às 10:06 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 2,29%, a 5,3250 reais.
Em sua primeira visita a Brasília depois das eleições, Lula se reuniu na quarta-feira com os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), em duas visitas institucionais em que se negociou o caminho para aprovação da PEC da Transição necessária para gastos como a manutenção do Bolsa Família em 600 reais.
"Os sinais indicam que o espírito de construção da PEC de Transição estão muito voltados a novos gastos públicos. Por ora, não parece haver um caminho de onde virão estes recursos e qual será o caminho de ajuste de longo-prazo", escreveu Dan Kawa, CIO da TAG Investimentos.
"Os sinais são péssimos. O mercado deveria sentir mais forte no curto prazo. O impacto mais claro me parece ser nos juros e na parte longa a curva. É ruim para o dólar e ações sensíveis a juros na bolsa."
Investidores também digeriam nesta quinta-feira a notícia de que o IPCA passou a subir 0,59% em outubro, mais do que o esperado e deixando para trás três meses seguidos de deflação.
"Esses dados de inflação um pouco mais pressionados, em conjunto com o novo governo lançando uma PEC de transição que busca furar o teto de gastos, corrobora para um cenário de descontrole fiscal e de uma inflação que pode voltar a ficar mais pressionada", disse à Reuters Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital.
Rafaela Vitoria, economista-chefe do Banco Inter, tem visão parecida. "A alta de outubro serve de alerta de que a inflação ainda não está totalmente controlada e, para a política monetária ter efeito mais eficiente, é importante ser seguida de um fiscal também mais contido", escreveu ela em publicação no Twitter.
Izac, da Nexgen, disse que investidores ficarão atentos à divulgação, às 10h30 (de Brasília), de dados de inflação dos EUA. Segundo ele, caso a leitura venha em linha com ou abaixo do esperado, o mercado deve reagir positivamente e pode haver um enfraquecimento do dólar a nível mundial, pois isso sugeriria que o banco central norte-americano não precisaria intensificar o seu já agressivo ciclo de aperto monetário.
Já o cenário oposto, de dados acima do esperado, geraria pressão negativa no humor global e impulsionaria a moeda norte-americana, pois indicaria que a inflação e os juros da maior economia do mundo ainda não chegaram em seu pico, afirmou Izac.
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