Combustíveis voltam a subir, alimentos pressionam e IPCA-15 acelera alta a 0,53% em novembro
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Por Camila Moreira
SÃO PAULO (Reuters) - Os preços de combustíveis voltaram a subir e somaram-se à pressão de alimentos para levar o IPCA-15 a acelerar a alta em novembro, marcando o maior ritmo de avanço em cinco meses.
O avanço do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) passou a 0,53% em novembro, depois de alta de 0,16% no mês anterior, de acordo com os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira.
Essa é a taxa mensal mais elevada desde junho, quando o IPCA-15 avançou 0,69%.
Apesar da aceleração, o índice considerado prévia da inflação oficial registrou nos 12 meses até novembro alta de 6,17%, de 6,85% em outubro.
O resultado indica assim que Luiz Inácio Lula da Silva iniciará seu terceiro mandato como presidente, em 2023, com a inflação acima do teto da meta oficial para este ano --3,5%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos, medida pelo IPCA e já abandonada pelo Banco Central.
As expectativas em pesquisa da Reuters para o IPCA-15 de novembro eram de avanço de 0,56% na base mensal e de 6,21% em 12 meses.
A inflação retoma a trajetória de alta neste fim de ano depois de ter chegado a apresentar deflação graças a medidas do governo e à queda nos custos de combustíveis.
Em novembro os maiores impactos no IPCA-15 vieram das altas de 0,54% dos custos de Alimentação e bebidas e de 0,91% de Saúde e cuidados pessoais.
No caso de alimentação, o resultado foi influenciado pelo avanço de 0,60% nos alimentos para consumo no domicílio, com tomate (17,79%), cebola (13,79%) e batata-inglesa (8,99%) em destaque.
O aumento de 0,49% nos custos de Transportes, após queda de 0,64% em outubro, também ajudou a pressionar o resultado do IPCA-15.
Os combustíveis voltaram a subir depois de cinco meses consecutivos de quedas, com alta de 2,04%, mostrando que os efeitos da redução da alíquota de ICMS sobre combustíveis, energia e telecomunicações se dissiparam.
Em novembro a gasolina subiu 1,67%, depois de recuar 5,92% no mês anterior, exercendo o maior impacto individual no índice do mês. Os preços do etanol e do óleo diesel também avançaram, respectivamente, 6,16% e 0,12%.
Para combater a inflação, o Banco Central elevou a taxa de juros para os atuais 13,75%, nível em que deve encerrar o ano. O presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou recentemente que a inflação mostra sinais "incipientes" de melhora, mas reforçou que é cedo para comemorar e que o país precisa persistir no combate à inflação.
Campos Neto também vem alertando para a importância do equilíbrio fiscal para a inclusão social, depois de o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva fazer críticas à austeridade fiscal e à regra do teto de gastos. Ainda não há um texto final da PEC da Transição, que o governo eleito busca aprovar para permitir gastos extra-teto a partir do ano que vem.
Pesquisa Focus realizada pelo BC com uma centena de economistas mostra que a expectativa do mercado é de que a inflação encerre este ano a 5,88%.
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