Dólar zera perdas ante real após Lula anunciar Mercadante no BNDES e descartar privatizações
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar devolveu praticamente todas as suas perdas frente ao real nesta terça-feira e fechou perto da estabilidade, apesar do bom humor externo, após o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) confirmar o petista Aloizio Mercadante como novo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A moeda norte-americana à vista fechou com variação negativa de 0,04%, a 5,3098 reais na venda, bem distante do menor patamar do dia, quando chegou a recuar 1,31%, a 5,2427 reais.
Ao dizer nesta terça-feira que Mercadante assumirá o BNDES, Lula afirmou que o objetivo foi buscar um nome que pense em desenvolvimento e em reindustrializar o país. Além disso, para agravar o descontentamento dos mercados financeiros, o presidente eleito frisou que seu governo não privatizará empresas públicas. Imediatamente após esses comentários, o dólar, que vinha de queda considerável, chegou a subir 0,46%, a 5,3366 reais.
"Não são os nomes, nem as questões teóricas. Isso tudo sinaliza a opção pela Nova Matriz Econômica que nos levou à breca no segundo governo Dilma", disse Pedro Paulo Silveira, diretor de gestão de recursos da Nova Futura Gestora, em publicação no Twitter.
Nova matriz econômica é um termo comumente usado em referência a medidas heterodoxas e de caráter desenvolvimentista adotadas a partir de 2011 pelo governo Dilma Rousseff, sob a liderança do ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.
A confirmação das especulações de que Mercadante seria o escolhido de Lula para chefiar o BNDES veio pouco depois da definição de outro cargo importante na equipe econômica do governo eleito, com o anúncio pelo futuro ministro da Fazenda Fernando Haddad de que o economista Gabriel Galípolo será seu secretário-executivo, número dois na hierarquia da pasta.
Segundo Luciano Rostagno, estrategista-chefe do Banco Mizuho, o mercado não reagiu muito especificamente à nomeação de Galípolo. "De certa forma ele já estava sendo esperado, e avalio que é um pouco mais do mesmo; é mais para ter uma interlocução com o mercado, mas em termos de ideias (Galípolo) não me parece muito diferente de o que o Haddad pensa", avaliou ele.
Segundo Rostagno, o resumo do pregão desta terça-feira é que as "preocupações fiscais domésticas estão se sobrepondo ao bom humor externo".
O índice do dólar contra uma cesta de pares fortes despencava quase 1% nesta tarde, abatido por dados de inflação norte-americanos mais baixos do que o esperado que reforçaram esperanças de que o Federal Reserve moderará seu ritmo de aperto monetário.
O Departamento do Trabalho dos EUA informou nesta terça-feira que o índice de preços ao consumidor subiu 0,1% no mês passado, após avanço de 0,4% em outubro. Economistas consultados pela Reuters projetavam alta de 0,3%.
A leitura abaixo do esperado "sem dúvida deve ser vista como uma notícia positiva de curto prazo e pode dar sustentação ao mercado em um fim de ano sazonalmente mais positivo e com posição técnica saudável", disse em publicação no Twitter Dan Kawa, diretor de investimentos da TAG Investimentos.
No entanto, ele ponderou que a inflação de serviços e as pressões de salários, que tendem a ser mais inerciais, "continuam preocupantes" nos EUA, de forma que a leitura de preços ao consumidor ainda seria compatível com uma alta de juros de 0,50 ponto percentual pelo Fed nesta semana, custos de empréstimo terminais em torno de 5% e juros mais altos por mais tempos.
O Federal Reserve encerra sua reunião de política monetária de dois dias na tarde de quarta-feira.
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