Petrobras desaba e arrasta Ibovespa após mudança relâmpago em Lei das Estatais
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O Ibovespa caía novamente nesta quarta-feira, antes de decisão de juros nos Estados Unidos e pressionado pelas ações da Petrobras após mudança nas Lei das Estatais que beneficia a indicação de Aloizio Mercadante para a presidência do BNDES ser aprovada a toque de caixa na Câmara dos Deputados.
Os papéis da estatal eram a maior influência negativa ao índice, enquanto Vale ajudava a limitar as perdas.
Às 12:13 (de Brasília), o Ibovespa caía 1,79%, a 101.684,59 pontos, caminhando para terceira queda seguida. O volume financeiro somava 10,6 bilhões de reais, em sessão de vencimento de opções sobre o índice.
A Câmara dos Deputados aprovou na noite de terça-feira uma mudança na Lei das Estatais que reduz de 36 meses para apenas um mês a quarentena obrigatória para que pessoas vinculadas à estrutura decisória de partidos políticos ou de campanhas eleitorais assumam cargos em empresas estatais. O texto seguirá para o Senado.
A aprovação, que ocorreu na sequência de nomeação de Aloizio Mercadante para o comando do BNDES pelo presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pressiona ações de estatais, especialmente a Petrobras.
"Bolsas estão fracas no exterior e aqui o lado político pesa", diz Pedro Galdi, analista da Mirae Asset Corretora. Ele afirmou que o mercado lê o aval da Câmara à alteração como "um retrocesso na governança em grandes empresas estatais".
Os agentes do mercado também digerem as declarações de Fernando Haddad, escolhido por Lula para ser o ministro da Fazenda de seu governo. Ele afirmou na véspera que poderá antecipar a apresentação de uma proposta fiscal que seja confiável e sustentável, aliando compromisso com a estabilidade da dívida pública e também com a área social.
O mercado ainda seguia acompanhando a tramitação da PEC da Transição, que enfrenta obstáculos com relação ao cronograma, enquanto, na agenda de indicadores, avaliava queda marginal do IBC-Br em outubro sobre o mês anterior, ante expectativa de alta de 0,5%.
Em Wall Street, os principais índices acionários tinham leve alta, à medida que investidores evitavam novos movimentos antes da decisão de juros do Federal Reserve (Fed), a ser divulgada nesta tarde. A expectativa majoritária no mercado é de alta de 0,5 ponto percentual na taxa de juros pelo banco central norte-americano. O S&P 500 avançava 0,5%.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN desabava 7,63%, a 21,54 reais, enquanto a ON cedia 7,98%, a 24,78 reais, apesar da alta do petróleo. Os papéis eram impactados pela mudança na Lei das Estatais. Inverstidores aguardam por mais informações sobre a estratégia a ser adotada pelo novo governo para a empresa. Analistas do BTG Pactual escreveram que, ainda que alguns ajustes sejam prováveis nos próximos dias, a alteração na legislação é "indiscutivelmente negativa" para a Petrobras e outras estatais brasileiras ao "eliminar um dos principais mecanismos de defesa com relação à influência política na companhia."
- BANCO DO BRASIL ON cedia 4,77%, a 30,34 reais, com desempenho bem pior do que seus pares privados. ITAÚ UNIBANCO PN, por exemplo, perdia 2,2%.
- PRIO ON avançava 1,46%, a 35,4 reais, e 3R PETROLEUM ON tinha oscilação negativa de 0,09%, a 33,6 reais. O preço do petróleo subia depois que Opep e Agência Internacional de Energia projetaram recuperação da demanda para o próximo ano, e com agentes do mercado na expectativa pela decisão de juros nos EUA.
- VALE ON avançava 0,32%, a 86,44 reais, após contratos futuros do minério de ferro subirem na Ásia, com otimismo de que um aumento nas infecções por Covid-19 levará a mais medidas de estímulo do governo chinês para fortalecer a segunda maior economia do mundo. O contrato da commodity mais negociado para maio em Dalian encerrou as negociações diurnas com alta de 1,3%.
- MAGAZINE LUIZA ON despencava 6,79%, a 2,61 reais, em sessão negativa para ações de varejistas, diante de disparada dos juros futuros locais. VIA ON perdia 5,39% e AMERICANAS ON mostrava baixa de 5,37%.
- SUZANO ON tinha ganho de 2,06%, a 52,42 reais, após desabar 6,4% na véspera com redução de preço de celulose na China. A desvalorização do real também é benéfica para a ação, diante do caráter exportador da companhia.
- REDE D'OR ON caía 2,26%, a 23,75 reais, e SULAMÉRICA UNIT recuava no mesmo percentual, a 17,76 reais, em dia de análise do negócio entre as empresas pelo órgão regulador Cade. QUALICORP ON, na qual a Rede D'Or tem fatia de quase 29%, cedia 0,2%.
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