Dólar recua frente ao real após falas de Campos Neto e dados de inflação dos EUA
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar caía frente ao real nesta terça-feira em meio a negociações voláteis, depois que o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, voltou a se posicionar contra eventual flexibilização das metas de inflação do Brasil, enquanto, no exterior, o mercado reagia a dados mistos de inflação dos Estados Unidos.
Às 12:24 (horário de Brasília), o dólar à vista recuava 0,58%, a 5,1471 reais na venda. A moeda mostrava instabilidade no ritmo de queda, e foi de 5,1288 reais na mínima do dia (-0,93%) para 5,1830 na máxima (+0,11%).
Na B3, às 12:24 (horário de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,33%, a 5,1565 reais.
Ajudando o real a se manter em território positivo, Campos Neto disse nesta terça-feira em evento que o sistema de metas para a inflação do Brasil funciona bem e que não é hora de fazer experimentos, mas de melhorar a credibilidade.
Os comentários vieram depois de, na véspera, em entrevista ao programa Roda Viva, Campos Neto ter dito que o BC não propôs ao governo um aumento da meta de inflação para ganhar flexibilidade na política monetária, negando rumores que vinham rondando os mercados desde a semana passada.
Segundo Denilson Alencastro, economista-chefe da Geral Asset, o posicionamento de Campos Neto foi positivo, principalmente por passar a imagem de um BC politicamente neutro, que não busca prejudicar o governo vigente.
Campos Neto fez novo aceno à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira, afirmando que é justo o Executivo questionar o patamar elevado dos juros e que é trabalho do Banco Central esclarecer e melhorar a comunicação em meio a esse debate.
Segundo Alencastro, essa tentativa de aproximação favorece os ativos brasileiros, que foram abalados pela tensão institucional entre governo e BC nos últimos dias, após críticas intensas de Lula e aliados à atuação da autoridade monetária e ao nível dos juros no país.
O mercado deve voltar sua atenção agora para a primeira reunião no novo governo do Conselho Monetário Nacional (CMN), na quinta-feira, com alguns participantes do mercado ainda se mostrando desconfortáveis com a possibilidade de que sejam discutidas mudanças para elevar as metas de inflação, mesmo que elas não sejam implementadas já nesta semana.
No exterior, o dólar caía contra uma cesta de seis moedas de países desenvolvidos nesta manhã, mas mostrava instabilidade e trocou de sinal várias vezes, movimento que contaminou o mercado de câmbio brasileiro.
A volatilidade foi alimentada por dados de inflação norte-americanos mistos. Os preços ao consumidor dos EUA aceleraram em janeiro na comparação com o mês anterior, mas o aumento anual foi o menor desde o final de 2021.
Alencastro, da Geral, disse que o fato de os dados de inflação terem vindo amplamente em linha com a expectativa oferece algum suporte ao apetite de investidores por risco, mas ponderou que a leitura de avanço mensal de 0,5% do índice de preços ao consumidor ainda é muito elevada.
Uma inflação pressionada nos EUA justificaria mais aumentos de juro pelo Federal Reserve, o que, por sua vez, tende a tornar o dólar mais atraente para investidores globais.
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