Juros futuros sobem em movimento de correção com foco na crise bancária dos EUA
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SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros tiveram uma sessão de alta no Brasil nesta terça-feira, em um cenário ainda nebuloso nos Estados Unidos após a derrocada de duas instituições financeiras e com os investidores à espera de sinais mais claros sobre o rumo da política monetária norte-americana.
Na segunda-feira, participantes do mercado avaliaram que a crise bancária norte-americana poderia abrir espaço para juros não tão altos nos EUA, o que também contribuiria para um corte mais rápido da Selic (a taxa básica brasileira). Na ocasião, o resultado foi uma queda das taxas dos DIs.
Nesta terça-feira, porém, o mercado recompôs prêmios na curva a termo e corrigiu preços, à espera dos desdobramentos da crise norte-americana e da apresentação, no Brasil, do novo arcabouço fiscal, previsto para este mês.
No fim de semana, o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) anunciou um novo mecanismo de empréstimo para dar liquidez aos bancos, na esteira da falência do SVB Financial Group, instituição financeira focada em startups. No domingo, os reguladores norte-americanos fecharam o Signature Bank, com sede em Nova York.
Com isso, cresceram as apostas de que o Fed poderá não subir tanto os juros na semana que vem ou até mesmo não alterar as taxas. Como o cenário é indefinido, a atuação dos investidores também é cautelosa.
“O mercado está observando e ainda está sem uma diretriz mais clara sobre a questão dos bancos americanos. Considerando que semana que vem teremos uma ‘superquarta’, com definição de juros no Brasil e nos EUA, o mercado segue com incerteza”, comentou Charo Alves, especialista da Valor Investimentos.
Como na segunda-feira a queda das taxas foi substancial em alguns vencimentos --13 pontos-base para janeiro de 2024 e 19 pontos-base para janeiro de 2025, por exemplo--, nesta terça-feira o mercado corrige em parte os preços.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2024 estava em 13,055%, ante 13,011% do ajuste anterior. Já a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 12,22%, ante 12,166%. A taxa para janeiro de 2027 estava em 12,575%, ante 12,452% do ajuste anterior.
O movimento no Brasil está alinhado ao dos Treasuries, cujos retornos também subiam nesta sessão. Pela manhã, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que o índice de preços ao consumidor norte-americano subiu 0,4% no mês passado, após avanço de 0,5% em janeiro. Os dados ficaram dentro do esperado.
Às 16:39 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 13,20 pontos-base, a 3,6472%.
Além de observar o exterior, as mesas de operação no Brasil aguardam a apresentação do novo arcabouço fiscal, previsto para este mês. Na tarde desta terça-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a Junta Orçamentária deve se reunir ainda esta semana para iniciar a análise de proposta do governo para o novo arcabouço fiscal. A junta é formada pelos ministros da Casa Civil, Fazenda, Planejamento e Gestão e outros integrantes da equipe econômica.
Perto do fechamento, os contratos futuros de juros precificavam 14% de chances de a Selic ser cortada em 0,25 ponto porcentual, para 13,50% ao ano, no próximo encontro do Copom, marcado para 21 e 22 de março. A curva a termo precificava ainda 86% de chances de a Selic seguir em 13,75% ao ano.
(Por Fabrício de Castro)
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