Dólar à vista cai ante o real em dia de ajuste técnico e incertezas sobre crise nos EUA
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(Reuters) -Após subir mais de 1% na segunda-feira, o dólar à vista fechou esta terça-feira em baixa ante o real, mas sem se afastar dos níveis mais elevados dos últimos dias, em meio à cautela dos investidores com a crise bancária nos Estados Unidos.
Embora o dia tenha sido de acomodação, com os investidores globais em busca de ativos mais arriscados após o impacto da falência de dois bancos nos EUA, o ambiente de incerteza segurou uma queda maior do dólar no Brasil.
O dólar à vista fechou o dia cotado a 5,2577 reais, em baixa de 0,21%.
Pela manhã, o dólar até chegou a exibir perdas maiores ante o real, em meio a uma visão mais positiva nos mercados globais sobre a crise bancária norte-americana. Às 11h25 (horário de Brasília), o dólar à vista marcou a cotação mínima de 5,2217 reais (-0,89%), mas foi voltando a patamares mais elevados durante a tarde.
“Estamos vivendo em um ambiente de incerteza. Na segunda-feira, o dólar subiu bastante, pressionado pela questão da quebra dos bancos nos EUA. Nesta terça-feira, ele se ajustou”, comentou a economista Cristiane Quartaroli, do Banco Ourinvest.
Este ajuste técnico, lembrou o gerente de câmbio da Fair Corretora, Mário Battistel, não permitiu que o dólar à vista se afastasse dos 5,25 reais. “A instabilidade internacional faz com que as taxas fiquem em níveis altos. O mercado está em compasso de espera”, comentou.
Esta cautela foi percebida também no mercado futuro – o mais líquido no país e, no limite, o que conduz os negócios com a moeda à vista. O dólar para abril oscilou perto da estabilidade durante boa parte da sessão.
Na B3, às 17:50 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,08%, a 5,2715 reais.
Além dos fatores externos, as mesas de operação no Brasil aguardam a apresentação do novo arcabouço fiscal, previsto para este mês.
Na tarde desta terça-feira, o ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que a Junta Orçamentária deve se reunir ainda esta semana para iniciar a análise de proposta do governo para o novo arcabouço fiscal. A junta é formada pelos ministros da Casa Civil, Fazenda, Planejamento e Gestão e outros integrantes da equipe econômica.
Profissionais ouvidos pela Reuters comentaram que, sem o detalhamento do novo arcabouço, os investidores evitam mudar de forma radical suas posições no mercado futuro.
Às 17:50 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,01%, a 103,670.
Pela manhã, o Banco Central vendeu 14.785 contratos de swap cambial ofertados para a rolagem dos vencimentos de abril.
(Por Fabrício de Castro; edição de Isabel Versiani e Alexandre Caverni)
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