Dólar recua com ajuste e dados de serviços dos EUA, mesmo após "payroll" forte
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar saltou brevemente frente ao real nesta sexta-feira, imediatamente após a divulgação de um relatório forte de emprego dos Estados Unidos, mas a moeda logo perdeu fôlego e passou a cair depois de atingir a maior cotação intradiária em quase 20 dias, acelerando essas perdas na esteira de dados fracos sobre o setor de serviços norte-americano.
Por volta de 12h12 (de Brasília), o dólar à vista caía 0,92%, a 4,8633 reais na venda.
Mais cedo, imediatamente após a divulgação dos dados de emprego norte-americanos, o dólar chegou a subir 0,69%, a 4,9410 reais na venda, pico intradiário desde 18 de dezembro.
No entanto, logo perdeu fôlego e caiu para território negativo, com alguns participantes do mercado dizendo à Reuters que o salto repentino de mais cedo pode ter atraído exportadores, que aproveitam preços mais altos do dólar para vender a moeda, e outros agentes que buscam realizar lucros.
O dólar acelerou ainda mais as perdas, indo às mínimas do pregão, após o Instituto de Gestão do Fornecimento (ISM, na sigla em inglês) informar que o setor de serviços dos Estados Unidos desacelerou consideravelmente em dezembro, com uma medida de emprego caindo para o nível mais baixo em quase três anos e meio.
No exterior, o índice que compara o dólar a uma cesta de seis pares fortes devolveu ganhos de mais cedo e passou a cair mais de 0,4% após os dados, que, por serem fracos, poderiam incentivar o Fed a não manter a política monetária no patamar rígido atual por muito tempo.
O cenário mais amplo, no entanto, parece não ser favorável à performance do real daqui para frente.
Os empregadores dos Estados Unidos contrataram mais trabalhadores do que o esperado em dezembro e aumentaram os salários em um ritmo sólido, alimentando algumas dúvidas sobre as expectativas do mercado financeiro de que o Federal Reserve começaria a cortar a taxa de juros em março.
A economia norte-americana abriu 216 mil vagas de emprego no mês passado, informou o Departamento do Trabalho em seu relatório de emprego nesta sexta-feira. Economistas consultados pela Reuters previam abertura de 170 mil empregos em dezembro.
Além disso, a taxa de desemprego não subiu, como era esperado, e o crescimento anual dos salários acelerou para 4,1%, de 4,0% no mês anterior.
"Parece pouco, mas a gente lembra que o banco central americano pensa que precisaria estar em 3% para não pressionar a inflação, então a gente vê que isso vai mexer nas expectativas do mercado sobre corte de juros", disse Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos.
"A probabilidade maior de corte de juros é lá para a metade do ano, talvez, com algum otimismo, em maio, mas antes disso parece extremamente improvável, até porque o banco central norte-americano sempre falou que ia ser cauteloso neste momento", afirmou Cruz, acrescentando que essa visão tende a prejudicar ações e a favorecer o dólar globalmente num curto prazo.
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