Dólar fecha estável em dia de ajustes técnicos e ruídos sobre o pacote fiscal
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar à vista fechou a quinta-feira praticamente estável ante o real, em um dia de ajustes técnicos às cotações do mercado futuro e de ruídos em relação ao pacote fiscal do governo Lula, enquanto no exterior a sessão foi de baixa generalizada para a moeda norte-americana, passada a eleição presidencial nos EUA.
O dólar à vista fechou o dia em leve alta de 0,03%, cotado a 5,6759 reais. No ano, porém, a divisa acumula elevação de 16,99%.
Às 17h03, na B3 o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,62%, a 5,6915 reais na venda.
No início da noite de quarta-feira, com o mercado à vista já fechado, o dólar para dezembro -- o mais líquido atualmente no Brasil -- ganhou força, com investidores reagindo negativamente a críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao mercado financeiro. Segundo Lula, o pacote de medidas fiscais ainda não estava fechado.
"Estou em um processo de discussão muito, muito sério com o governo, porque conheço bem o discurso do mercado, a gana especulativa do mercado", disse Lula em entrevista à Rede TV, que teve trecho veiculado no portal UOL antes da publicação na íntegra mais tarde.
Nesta quinta-feira as cotações do mercado à vista se ajustaram ao avanço da véspera da moeda para dezembro. Isso fazia o dólar à vista sustentar ganhos pela manhã, enquanto o dólar para dezembro cedia.
O mercado ponderava também a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na véspera, que elevou a taxa Selic em 50 pontos-base, para 11,25% ao ano.
Mais do que a decisão em si, que era largamente esperada, profissionais destacaram o compromisso do colegiado com o atingimento do centro da meta de inflação, de 3%, o que ajudava a sustentar as taxas de curto prazo dos DIs (Depósitos Interfinanceiros).
No exterior, o dólar cedia ante as demais moedas, com investidores ajustando posições passado o primeiro impacto da vitória do republicano Trump sobre a democrata Kamala Harris.
Isso acabou pesando sobre as negociações no Brasil e o dólar à vista marcou a cotação mínima de 5,6338 reais (-0,77%) às 11h05.
Depois disso a moeda se reaproximou da estabilidade, até que durante a tarde a CNN Brasil noticiou que o corte de gastos do governo Lula poderia ficar entre 10 bilhões e 15 bilhões de reais. Como o mercado tem citado a necessidade de um esforço maior, em torno de 50 bilhões de reais, a reação foi negativa e o dólar atingiu a máxima de 5,7247 reais (+0,83%) às 14h51.
O desmentido oficial do governo, divulgado logo depois, fez o dólar à vista perder força e se reaproximar da estabilidade. O Ministério da Fazenda informou que não procediam as informações veiculadas na mídia sobre a suposta análise das duas propostas para a área fiscal.
“É importante ressaltar que tal informação não corresponde ao que vem sendo debatido entre a equipe econômica, demais ministérios e a Presidência da República”, disse a pasta em nota.
Também durante a tarde, o Federal Reserve cortou sua taxa de juros em 25 pontos-base, para a faixa entre 4,50% e 4,75%, como era largamente esperado pelo mercado. A instituição disse que a atividade econômica norte-americana continuou a se expandir em um ritmo sólido e que os riscos para inflação e emprego estão “mais ou menos equilibrados”.
O anúncio do Fed, no entanto, não impactou de forma decisiva as cotações no Brasil.
No exterior, às 17h16 o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,79%, a 104,280.
No fim da manhã o BC vendeu 14.000 contratos de swap cambial tradicional em leilão para rolagem do vencimento de 2 de dezembro de 2024.
0 comentário
Bolsonaro deixa UTI após melhora da infecção, diz Michelle
Governo avalia alternativas para preservar setor aéreo da alta do petróleo
Aliados dos EUA rejeitam pedido de apoio de Trump no Estreito de Ormuz
Ações europeias interrompem três dias de perdas com queda dos preços do petróleo
Chanceler da Alemanha diz que país não participará da guerra contra o Irã
ANP prevê definir nesta semana preço de referência para subsídio ao diesel