Dólar segue exterior e cai ante real enquanto mercado monitora tarifas dos EUA
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou a quinta-feira em baixa no Brasil, acompanhando o recuo generalizado da moeda norte-americana no exterior, ainda que o mercado siga operando sob tensão em meio às promessas de tarifas de importação dos Estados Unidos.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,37%, aos R$5,7045. Em 2025 a moeda norte-americana acumula queda de 7,68%.
Às 17h02 na B3 o dólar para março -- atualmente o mais líquido -- cedia 0,31%, aos R$5,7125.
Em mais um dia de agenda econômica esvaziada no Brasil, os investidores se voltaram para o cenário externo, onde o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu anunciar novas tarifas no próximo mês ou antes, acrescentando madeira e produtos florestais à lista de produtos no alvo de seu governo. Anteriormente, Trump já havia anunciado a intenção de tarifar carros importados, semicondutores e produtos farmacêuticos.
O fato de Trump indicar que as tarifas não serão imediatas, porém, abriu espaço para uma queda do dólar nesta quinta-feira, mesmo porque a sessão da véspera já havia sido de elevação da moeda norte-americana pelo mesmo motivo -- as promessas de tarifas.
“Tivemos ontem um movimento meio global de aversão ao risco, com as moedas (de emergentes) performando pior com a questão das tarifas dos Estados Unidos”, comentou durante a tarde o economista-chefe da Western Asset, Adauto Lima. “Hoje o câmbio está voltando um pouco para abaixo dos R$5,70, devolvendo”, acrescentou.
Após marcar a cotação máxima de R$5,7271 (+0,02%) às 9h01, na abertura do mercado, o dólar à vista atingiu a mínima de R$5,6865 (-0,69%) às 14h43. No restante da tarde, recuperou algum fôlego, mas ainda encerrou em baixa.
“O dólar está caindo hoje, mas o cenário ainda é de volatilidade”, avaliou Lucas Almeida, especialista em investimentos e sócio da AVG Capital.
“Acredito que as novas tarifas anunciadas pelo governo Trump aumentam a incerteza no comércio global, e esse tipo de medida protecionista pode ter efeitos contraditórios: por um lado, fortalece o dólar no curto prazo pela busca de segurança; por outro, pode gerar ajustes nos fluxos de capitais, beneficiando algumas moedas emergentes, como o real.”
No exterior, o dólar seguia em queda ante praticamente todas as demais divisas -- a exceção era o peso argentino. Às 17h11, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,73%, a 106,400.
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