BNDES pode vender participações em empresas para entrar em novos setores, diz presidente
![]()
Por Rodrigo Viga Gaier
RIO DE JANEIRO (Reuters) -O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) poderá vender participações em empresas onde já investe para ingressar em novos segmentos da economia, afirmou o presidente da instituição, Aloizio Mercadante, nesta terça-feira.
Mercadante não antecipou quais papéis o banco poderá vender de sua carteira de participações, tampouco onde esses recursos poderiam ser alocados. Mas disse que pode sair de "empresas que estão consolidadas e maduras" para que o BNDES possa "fazer outros negócios".
No ano passado, as participações acionárias renderam ao banco de fomento mais de R$10 bilhões. Desde 2023, a carteira de participação societária valorizou-se mais de R$19 bilhões, de acordo com o banco.
"Isso é basicamente a valorização dos papéis das empresas na bolsa...antes havia uma pressão muito grande para se desfazer da carteira, mas acertamos em manter", explicou.
"Não quer dizer que a gente não possa vender (alguma participação) no futuro...pretendemos inclusive vender, mas faremos isso sempre com muito cuidado e garantindo o melhor resultado para o banco."
A carteira de participações do BNDES totalizou R$82 bilhões em 2024, com destaque para as posições do banco em Petrobras<PETR3.SA, JBS, Eletrobras e Copel.
DESEMBOLSOS MAIORES EM 2025
Mercadante afirmou ainda, durante entrevista a jornalistas sobre os resultados do BNDES em 2024, que as aprovações de crédito e desembolsos do banco este ano devem ter como destaques concessões rodoviárias, além do setor naval e exportações.
A perspectiva é que esse ano, diante de várias concessões de estradas federais, as aprovações de empréstimos para o setor rodoviário possam bater novo recorde, chegando a R$30 bilhões, segundo Mercadante, ante R$23,5 bilhões no ano passado.
O banco também espera ampliar o volume de desembolsos e aprovações como um todo em 2025, apesar da alta dos juros.
Em 2024, o banco emprestou R$133,7 bilhões, alta de 17% em relação a 2023. As aprovações de crédito somaram R$212,6 bilhões, alta de 22%, com a indústria registrando pela primeira vez um crescimento maior do que a agropecuária.
"Esse ano, vamos ter os R$10 bilhões da LCD (Letra de Crédito de Desenvolvimento) junto com outros instrumentos que nos ajudam a ter a perspectiva de que o crédito esse ano pode continuar crescendo", afirmou.
De acordo com o Mercadante, o BNDES pretende captar US$2 bilhões para compor o "funding" e continuará movimento de captação de recursos no mercado doméstico.
No ano passado, o BNDES teve lucro líquido de R$26,4 bilhões, crescimento de 20,5% sobre 2023. Em termos recorrentes, o resultado foi de R$13,2 bilhões, expansão de 11%.
O banco transferiu no ano passado R$29,5 bilhões para o Tesouro Nacional em pagamento de dividendos. Para 2025, a previsão é que esse pagamento será acima dos 25% do lucro da instituição, segundo Mercadante.
"Se a gente considerar o que pagamos de impostos, que a maioria dos bancos de desenvolvimento não paga no mundo, são R$36 bilhões, e, se considerar mais R$2,5 bilhões em devolução de recursos ao Tesouro, são R$38,5 bilhões transferidos ao Tesouro", calculou.
"O banco colaborou significativamente com o esforço fiscal do governo em 2024."
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
0 comentário
Governo prevê descongelar R$5,7 bi em verbas de ministérios apesar de frustração em taxação de dividendos
Novas tarifas dos EUA alcançam 23,1% das exportações brasileiras, diz MDIC
Dólar fecha o dia estável no Brasil e acumula queda de 0,58% na semana
Ibovespa fecha em queda firme pressionado por blue chips
Pequenas empresas dos EUA entram com ação judicial contestando tarifas de Trump por "trabalho forçado"
Trump diz que EUA vão iniciar investigação sobre UE após multa aplicada ao Google