“Apesar dos desafios, a Reforma Tributária trará ampliação do crédito tributário e queda na sonegação fiscal”, comenta presidente do IBPT
Apesar das incertezas, o novo sistema tributário no Brasil tende a valorizar o crédito para empresas e, consequentemente, contribuir para a redução da sonegação fiscal. A avaliação é do presidente-executivo do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), João Eloi Olenike, durante o primeiro dia da 2ª edição do Workshop “Por dentro da Reforma Tributária” — evento que reúne empresários de diversos setores para discutir os impactos e promover o aprimoramento de conhecimento por parte de companhias, estados e municípios.
“Quem não fornecer crédito poderá ficar fora do mercado. Para isso, automaticamente, terão que cessar a sonegação fiscal, caso estejam no mercado informal. O sistema será, ao final do período de transição (oito anos) menos burocrático e haverá uma queda expressiva na inadimplência, como já observamos nos estudos do Instituto nos últimos anos”, comenta Olenike.
O presidente também ressaltou sobre a expectativa de aumento no número de normas tributárias nos próximos anos — que já somam mais de 542 mil desde a promulgação da Constituição, segundo dados do IBPT, em estudo denominado “Quantidade de Normas editadas no Brasil nos 37 anos da CF”. Ele destaca, ainda, que haverá mais burocracia durante a transição, aumento de custos para cumprimento de exigências, inovações tecnológicas e, consequentemente, maiores gastos para as empresas.
“Apesar de acreditar que a reforma poderia ser mais justa para o contribuinte, é inegável que trará simplificação ao sistema. Mas, antes disso, enfrentaremos um processo difícil. Grandes e pequenas empresas terão gastos semelhantes para se adequar. A solução talvez esteja em transformar esses custos em créditos a serem descontados no recolhimento dos novos tributos”, opina.
Estados e municípios: mudança de comportamento
O Consultor do Senado Federal e especialista em Finanças Públicas e Estudos Econômico-Fiscais, Fábio Dáquilla, destacou os desafios impostos pela nova lógica da tributação, que passará a ocorrer no local de consumo, e não mais na origem da produção. Na visão do especialista, os grandes centros consumidores tendem a ganhar mais relevância do que os polos produtores.
“Diante dessa mudança, recomendo que estados e municípios foquem no potencial de seus territórios, promovam reformas internas e analisem a vocação local. Os entes federativos precisarão atuar como escritórios de projetos, captando recursos e funcionando como balcões de negócios. Para as empresas, o período de transição pode ser decisivo para o sucesso ou o fracasso. É fundamental revisar anualmente os preços, o público-alvo, a operação e os contratos relacionados à tributação”, pontua.
Durante o painel do presidente do IBPT, Gilberto Luiz do Amaral, foi feito um alerta sobre a dificuldade de se atingir a prometida neutralidade da reforma, além do aumento de normas e os desafios do curto prazo para implementação.
“Acredito que, para superar esses obstáculos, é essencial investir em planejamento estratégico, revisão de contratos e acordos comerciais, bem como em tecnologia e capacitação das equipes — com urgência”, afirma.
0 comentário
Setores defensivos compensam fraqueza de tecnologia e ações da China têm pouca variação
Inflação anual na zona do euro ultrapassa 3% e consolida apostas de alta dos juros pelo BCE
Atividade industrial da China acelera em agosto com melhora na demanda, aponta PMI
Wall Street fecha em baixa com alta nos preços do petróleo; índices registram ganhos mensais
Governo fará novos esforços de revisão de gastos e benefícios fiscais, diz Durigan
Dólar tem baixa leve sob influência do noticiário político e do exterior