Dólar se reaproxima dos R$5,30 com perspectiva de corte de juros nos EUA
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SÃO PAULO, 3 Dez (Reuters) - Após oscilar abaixo dos R$5,30 no início da tarde, o dólar fechou a quarta-feira em queda no Brasil, pouco acima deste nível, acompanhando o recuo quase generalizado da moeda norte-americana no exterior, em meio à perspectiva de corte de juros nos EUA.
O dólar à vista fechou em baixa de 0,31%, aos R$5,3136 na venda. No ano, a divisa acumula perdas de 14,01%.
Às 17h02, o contrato de dólar futuro para janeiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- cedia 0,34% na B3, aos R$5,3445.
A moeda norte-americana se manteve em baixa ante o real durante todo o dia, sofrendo forte influência do exterior, com os investidores à espera taxas de juros menores nos EUA.
Um dos fatores para isso é a perspectiva de que o substituto de Jerome Powell no comando do Fed, a ser escolhido pelo presidente Donald Trump, seja alguém com perfil “dovish” (brando) na política monetária.
Na terça-feira Trump afirmou que anunciará o sucessor de Powell no início de 2026 e que o atual secretário do Tesouro, Scott Bessent, não quer o cargo. Notícias na imprensa dão conta de que Kevin Hassett, assessor econômico da Casa Branca, é o favorito para assumir.
Como Hassett é considerado um nome de perfil “dovish”, sua possível indicação elevou entre os investidores a expectativa de juros mais baixos nos EUA.
Pela manhã, dados divulgados nos EUA reforçaram a expectativa de que um novo corte de juros ocorra já na semana que vem. O relatório da ADP mostrou que foram fechados 32.000 postos de trabalho no setor privado norte-americano no mês passado, contra previsão de criação de 10.000 postos.
Neste cenário, após atingir a máxima intradia de R$5,3254 (-0,09%), o dólar à vista marcou a mínima de R$5,2988 (-0,59%) às 13h01.
“Já temos alguns pregões de queda para o dólar, e hoje os dados do exterior corroboraram a perspectiva de corte de juros pelo Fed”, comentou durante a tarde Thiago Avallone, especialista em câmbio da Manchester Investimentos.
Pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também trouxe novas indicações de que as relações comerciais entre Brasil e EUA -- um fator de estresse para o câmbio há alguns meses -- estão se azeitando. Após conversar na véspera por telefone com o presidente norte-americano, Donald Trump, Lula disse nesta quarta-feira que os EUA devem anunciar em breve novas revogações de tarifas cobradas de produtos brasileiros.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de janeiro. À tarde, o BC informou que o Brasil teve fluxo cambial total negativo de US$7,115 bilhões em novembro.
No exterior, às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,44%, a 98,865.
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