Lula diz que EUA ultrapassaram "linha inaceitável" com ataques à Venezuela
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Por Tatiana Ramil e Lisandra Paraguassu e Ricardo Brito
3 Jan (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado que os ataques dos Estados Unidos à Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro "ultrapassam uma linha inaceitável" e representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela.
Em um comunicado, Lula disse ainda que "a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe" e que a comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio.
"O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação", acrescentou o presidente, classificando a ação dos EUA como "mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
Os Estados Unidos atacaram a Venezuela durante a noite e capturaram Maduro, afirmou o presidente Donald Trump, após meses de pressão sobre ele por acusações de tráfico de drogas e ilegitimidade no poder.
Washington não faz uma intervenção tão direta na América Latina desde a invasão do Panamá em 1989 para depor o líder Manuel Noriega devido a alegações semelhantes.
Uma fonte do Itamaraty disse à Reuters que o ataque dos EUA pegou todos de surpresa. O Brasil esperava uma ação norte-americana contra a Venezuela, mas não nessa magnitude, segundo a fonte.
O governo brasileiro realizou reunião no Ministério das Relações Exteriores, com participação virtual de Lula e do chanceler Mauro Vieira, além da presença da secretária-geral do Itamaraty, Maria Laura da Rocha, entre outros, para avaliar a situação na Venezuela. Vieira estava em férias e estava voando de volta ao Brasil.
Presente na reunião, o ministro da Defesa, José Múcio, disse que não havia movimentação anormal na fronteira do Brasil com a Venezuela, que seguirá sendo monitorada.
"Já temos um contingente suficiente para dar conta, a fronteira está absolutamente tranquila", afirmou ele a jornalistas.
Nos últimos anos, Roraima, Estado que faz fronteira com a Venezuela, tem recebido um grande fluxo de imigrantes.
A fronteira venezuelana com o Brasil ficou brevemente fechada neste sábado, mas foi reaberta depois de cerca de duas ou três horas, disse à Reuters o governador de Roraima, Antonio Denarium (PP).
Mais cedo, o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, havia confirmado à Reuters que a Venezuela tinha fechado a fronteira com o Brasil.
"Nosso adido policial e adido adjunto estão na embaixada em Caracas, colhendo informações para assessorar a embaixadora e tentar antever movimentos. Por enquanto, todos em segurança", declarou Rodrigues.
(Por Tatiana Ramil, em São Paulo, e Ricardo Brito e Lisandra Paraguassu em Brasília)
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