Dólar tem viés de baixa ante real após governo dos EUA ameaçar Powell com processo
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SÃO PAULO, 12 Jan (Reuters) - O dólar tem leve viés de baixa ante o real nesta manhã de segunda-feira após o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, revelar no domingo que o governo Trump o ameaçou com uma acusação criminal.
A ameaça é vista nos mercados globais como uma estratégia de pressão do governo sobre o Fed visando mais cortes de juros nos EUA.
Às 9h24, o dólar à vista cedia 0,12%, aos R$5,3602 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais líquido no Brasil -- caía 0,29%, aos R$5,3865.
No domingo, Powell revelou que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de uma reforma de US$2,5 bilhões na sede da instituição, em Washington.
"Na sexta-feira, o Departamento de Justiça notificou o Federal Reserve com intimações do grande júri, ameaçando com uma acusação criminal relacionada ao meu depoimento perante o Comitê Bancário do Senado em junho passado", disse Powell.
De acordo com o chair do Fed, “essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças do governo e da pressão contínua" por taxas de juros mais baixas e, de forma mais ampla, por uma maior influência sobre a instituição.
A ameaça a Powell conduzia nesta manhã a queda do dólar ante boa parte das demais divisas, como o euro, a libra, o franco suíço e a maior parte das moedas de países emergentes. Às 9h21, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- caía 0,45%, a 98,788.
No Brasil, a segunda-feira é de agenda econômica e política esvaziada, com o Congresso Nacional ainda em recesso.
Mais cedo, o boletim Focus do Banco Central mostrou que a mediana das projeções dos economistas para o dólar no fim de 2026 e de 2027 seguiu em R$5,50. Já a inflação esperada para 2026 passou de 4,06% para 4,05% e para 2027 seguiu em 3,80%.
A taxa básica Selic para o fim deste ano continuou em 12,25% e para o final do próximo ano permaneceu em 10,50%.
O diferencial entre a taxa de juros norte-americana, hoje na faixa de 3,50% a 3,75%, e brasileira, que está em 15%, vem sendo apontado como um fator de atração de recursos para o Brasil, mantendo o dólar em níveis mais distantes dos R$6,00 nos últimos meses.
Na sexta-feira, o dólar fechou cotado a R$5,3664, em baixa de 0,42%.
Às 11h30, o Banco Central realiza leilão de 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.
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