Ibovespa tem queda modesta com Powell sob holofotes
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 12 Jan (Reuters) - O Ibovespa teve uma queda modesta nesta segunda-feira, marcada pela repercussão da ameaça de acusação criminal contra o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, e receios sobre a autonomia do BC norte-americano, enquanto, na cena corporativa, Vamos disparou mais de 8% após dados do quarto trimestre de 2025.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa encerrou com variação negativa de 0,13%, a 163.150,35 pontos, após marcar 162.277,01 na mínima e 163.493,22 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$18,02 bilhões.
No final do domingo, Powell disse que o Fed havia recebido intimações do Departamento de Justiça referentes a comentários que ele fez ao Congresso sobre os custos excedentes de um projeto de reforma de um prédio de US$2,5 bilhões no complexo da sede do Fed em Washington.
Ele citou o movimento como "pretexto" do governo do presidente Donald Trump para tentar ganhar mais influência sobre as taxas de juros que o republicano quer reduzir drasticamente.
Na visão do economista-chefe do Goldman Sachs, Jan Hatzius, a ameaça contra Powell reforça preocupações com a independência do banco central dos Estados Unidos. Ele afirmou, contudo, não ter dúvidas de que Powell tomará decisões com base nos dados econômicos e não será influenciado de uma forma ou de outra.
Para o analista Nícolas Merola, da EQI Research, está havendo uma escalada de tensões entre o governo de Trump e o Fed, o que adiciona incerteza no cenário, principalmente sobre o posicionamento da autoridade monetária norte-americana em relação à inflação.
Ele destacou que o mandato de Powell está próximo do final e que Trump já disse que tem como pré-requisito para o próximo candidato a comandar o Fed que ele seja mais "dovish", mais leniente com a inflação e, por consequência, tenha uma tendência ou uma visão de queda da taxa básica de juros.
Em Nova York, o S&P 500 fechou com elevação de 0,16%, encontrando apoio em ações de empresas relacionadas ao setor de inteligência artificial e em papéis do Walmart, enquanto agentes também analisaram planos de Trump de limitar os juros do cartão de crédito nos Estados Unidos.
A oscilação discreta do Ibovespa ocorre após uma semana positiva, a primeira completa do ano, com alta de 1,76%, quando voltou a superar os 164 mil pontos no melhor momento. Em 2025, ano marcado por novas máximas históricas, acumulou uma valorização de quase 34%, melhor desempenho anual desde 2016.
Estrategistas do Bank of America elevaram a recomendação das ações brasileiras a "overweight" em seu porfólio de América Latina, conforme relatório nesta segunda-feira, destacando que o país está na direção de um ciclo de queda de juros acentuado, possivelmente começando no primeiro trimestre do ano.
DESTAQUES
- CURY ON cedeu 3,97%, seguida por DIRECIONAL ON, em queda de 2,44%, e MRV&CO ON, em baixa de 2,33%, em meio à expectativa para a divulgação de prévias operacionais das construtoras nesta semana. TENDA ON, que não faz parte do Ibovespa, caiu 4,76%, após números do quarto trimestre do ano passado, com vendas líquidas consolidadas de R$1,2 bilhão. Analistas do BTG Pactual afirmaram que os números ficaram um pouco abaixo das suas expectativas.
- VAMOS ON valorizou-se 8,18%, após a companhia de locação de caminhões, máquinas e equipamentos divulgar receita líquida de R$1,48 bilhão no quarto trimestre de 2025, expansão de 24,3% em relação ao mesmo período de 2024. A empresa também informou que a margem Ebitda no segmento de locação apresentou expansão em relação aos três meses anteriores e ante mesmo período do exercício anterior e que as suas previsões para Ebitda, lucro líquido e alavancagem foram alcançadas.
- C&A MODAS ON recuou 2,59%, após duas altas seguidas, retomando a correção negativa dos primeiros pregões do ano, com o declínio acumulado até o momento somando 17,6%. No ano passado, a ação da varejista subiu quase 72%. No setor, nesta segunda-feira, LOJAS RENNER ON subiu 0,83%.
- ASSAÍ ON avançou 4,55%, após reportar números preliminares mostrando que encerrou 2025 com índice de dívida líquida em relação ao Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) de aproximadamente 2,56 vezes. O resultado, conforme a rede atacarejo, ficou abaixo do guidance previamente comunicado ao mercado de 2,60 vezes. No terceiro trimestre, o endividamento da companhia segundo essa métrica era de 3,03 vezes.
- PORTO SEGURO ON caiu 0,78%, com analistas do Santander cortando a recomendação das ações para "neutra". Entre as razões para a decisão, eles citaram crescimento lento na divisão de seguros de automóveis, expectativa de concorrência menos racional no segmento, o tempo necessário para destravar valor de suas verticais e ambiente de Selic mais baixa.
- BRAVA ENERGIA ON subiu 4,5%, após divulgar que Richard Kovacs será o presidente-executivo a partir de 1º de fevereiro, após renúncia de Décio Oddone. Kovacs era presidente do conselho de administração da petrolífera e seguirá como membro do colegiado. Alexandre Cruz foi eleito chairman. Para analistas do Safra, as nomeações fortalecem a governança corporativa por meio de uma liderança experiente, forte alinhamento com acionistas e processo de sucessão ordenado.
- GOL PN, que não faz parte do Ibovespa, disparou 56%, após publicar no final da sexta-feira, depois do fechamento do mercado, laudo de avaliação elaborado pela Apsis Consultoria que indicou um valor de R$10,13 por lote de mil ações preferenciais como preço para oferta para fechamento de capital da companhia aérea.
(Por Paula Arend Laier)
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