Marine Le Pen diz em julgamento de apelação que não tinha noção de ter feito nada de errado
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Por Juliette Jabkhiro
PARIS, 13 Jan (Reuters) - A líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen disse no dia de abertura de seu julgamento de apelação, nesta terça-feira, que determinará se ela poderá concorrer à eleição presidencial de 2027, que ela não tinha noção de ter feito algo errado.
Em março, Le Pen foi condenada a cinco anos de proibição de ocupar cargos públicos, com efeito imediato, depois que ela e outros oito ex-parlamentares do Reunião Nacional (RN) foram considerados culpados pelo uso indevido de mais de 4 milhões de euros de fundos da União Europeia.
Os juízes disseram que, entre 2004 e 2016, Le Pen e outros usaram fundos destinados ao trabalho no Parlamento Europeu para pagar funcionários que, na verdade, estavam trabalhando para o partido.
O próprio partido e uma dúzia de assistentes parlamentares foram considerados culpados de receber o dinheiro.
LE PEN MUDA DE TOM NO JULGAMENTO DA APELAÇÃO
Nas poucas palavras que Le Pen disse no tribunal nesta terça-feira, ela adotou um tom bastante diferente de seu primeiro julgamento, no qual negou veementemente ter feito algo errado e acusou os juízes de serem politicamente tendenciosos.
Em vez disso, nesta terça-feira, ela disse que, se potencialmente fez algo errado, não foi intencional.
"Quero declarar desde já que, se algum delito foi cometido, quero que o tribunal entenda que não tínhamos absolutamente nenhuma intenção de fazer algo errado", disse Le Pen.
"O Parlamento Europeu não nos alertou de nada, como poderia ter feito", disse ela, acrescentando: "Acredito firmemente que nunca escondemos nada".
Le Pen também recebeu inicialmente uma sentença de quatro anos de prisão -- dois anos dos quais foram suspensos e dois anos a serem cumpridos em prisão domiciliar -- e uma multa de 100.000 euros. Ao contrário da proibição, essas penalidades não entraram em vigor porque ela recorreu.
O partido Reunião Nacional e outras 10 pessoas consideradas culpadas de desviar fundos do Parlamento Europeu ou de receber esses fundos também recorreram.
A audiência está prevista para terminar em 12 de fevereiro. Le Pen será interrogada longamente pelo tribunal na próxima terça e quarta-feira.
O advogado do Parlamento Europeu Patrick Maisonneuve disse esperar que as condenações de Le Pen e de seus corréus sejam mantidas, incluindo os mais de 3 milhões de euros concedidos como indenização ao Parlamento Europeu. O RN também foi condenado a pagar uma multa de 2 milhões de euros, com metade do valor suspenso.
Espera-se uma decisão antes do verão, o que significa que as esperanças de Le Pen de concorrer em 2027 permanecem vivas se sua proibição de cinco anos for revogada ou drasticamente reduzida.
Se ela não puder concorrer, espera-se que seu protegido, o presidente do partido RN, Jordan Bardella, de 30 anos, assuma a candidatura.
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