Dólar interrompe série de ganhos e fecha em baixa no Brasil, aos R$5,3684
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 15 Jan (Reuters) - O dólar interrompeu uma sequência de três sessões consecutivas de altas e fechou a quinta-feira em baixa ante o real, com agentes do mercado citando um fluxo de entrada de recursos no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana sustentou ganhos ante as divisas fortes.
O dólar à vista encerrou o dia em baixa de 0,61%, aos R$5,3684, após acumular nas três sessões anteriores elevação de 0,65%. No ano, a divisa acumula queda de 2,20%.
Às 17h03, o contrato de dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,56% na B3, aos R$5,3875.
Antes da abertura da sessão, o Banco Central anunciou a liquidação extrajudicial da Reag Trust Distribuidora de Títulos Valores Mobiliários, rebatizada de CBSF, gestora ligada às fraudes do Banco Master, também em liquidação. Em nota, o BC afirmou que a liquidação da Reag ocorreu "por graves violações às normas" do sistema financeiro.
Embora o noticiário sobre a Reag tenha ficado no radar dos investidores, profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que ele não influenciou os preços.
Assim, durante a manhã o dólar se manteve próximo da estabilidade ante o real, embora no exterior a divisa norte-americana subisse ante seus pares fortes e sustentasse sinais mistos ante as moedas emergentes.
Durante a tarde, porém, o dólar se firmou em baixa, com alguns profissionais citando um fluxo positivo de recursos para o Brasil, em meio ao relativo alívio com o cenário externo e à queda inesperada dos pedidos de auxílio-desemprego nos EUA.
Em entrevista exclusiva à Reuters, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que não tem planos de demitir o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, apesar de uma investigação criminal do Departamento de Justiça sobre sua conduta. "Não tenho nenhum plano para fazer isso", disse Trump, quando questionado se tentaria remover Powell de seu cargo.
Trump também disse que a Ucrânia -- e não a Rússia -- está impedindo um possível acordo de paz e, em outros momentos da entrevista, ameaçou intervir em apoio aos manifestantes no Irã. Ao mesmo tempo, afirmou que as mortes na repressão aos protestos no Irã estavam diminuindo.
“O dólar recuou hoje no mercado doméstico em meio a um ambiente de apetite renovado por risco no cenário externo, sustentado pela suavização da retórica dos Estados Unidos em relação ao Irã, o que reduziu prêmios geopolíticos incorporados nos ativos durante as últimas semanas”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
“A percepção de risco também foi beneficiada pela sinalização de Donald Trump de que não pretende demitir Jerome Powell, preservando a leitura de independência do Federal Reserve, em um contexto de dados econômicos positivos de atividade nos EUA divulgados hoje”, acrescentou.
No exterior, no fim da tarde o dólar seguia em alta ante as divisas fortes, mas recuava ante pares do real como o peso mexicano, o rand sul-africano e a lira turca. Às 17h08, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- subia 0,24%, a 99,312.
No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 2 de fevereiro.
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