Dólar cai abaixo dos R$5,30 com fluxo para a bolsa e alívio das tensões externas
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 22 Jan (Reuters) - O forte fluxo de investimentos estrangeiros para a bolsa brasileira e o alívio das tensões relacionadas à Groenlândia no exterior voltaram a pesar nesta quinta-feira sobre o dólar, que encerrou o dia abaixo dos R$5,30 pela primeira vez em 2026.
O dólar à vista fechou com queda de 0,71%, aos R$5,2833, na menor cotação de fechamento desde 11 de novembro do ano passado, quando atingiu R$5,2746. Em 2026, a divisa acumula queda de 3,75%.
Às 17h28, o dólar futuro para fevereiro -- atualmente o mais negociado no Brasil -- cedia 0,79% na B3, aos R$5,2915.
A bolsa de ações brasileira voltou a ser destaque nesta quinta-feira, com o Ibovespa chegando a oscilar acima dos 177 mil pontos pela primeira vez na história, em meio ao forte fluxo de investimentos estrangeiros.
A entrada de recursos no país pesou sobre o dólar, que caiu abaixo dos R$5,30, em movimento favorecido ainda pelo recuo da moeda norte-americana ante boa parte das divisas de emergentes no exterior, em função do alívio sobre a disputa pela Groenlândia.
Na véspera, o presidente dos EUA, Donald Trump, já havia descartado o uso da força para assumir o controle da ilha e desistido de impor tarifas a países europeus como forma de pressão. Nesta quinta-feira, Trump disse que garantiu acesso total e permanente dos EUA à Groenlândia, em um acordo com a Otan.
Este cenário colocou o dólar em baixa ante moedas emergentes como o peso colombiano, o rand sul-africano, o peso chileno e o peso mexicano.
No Brasil, em meio à forte alta do Ibovespa, o dólar à vista marcou a cotação mínima de R$5,2816 (-0,74%) às 16h34, já na reta final da sessão.
“O Brasil permanece como uma das moedas com maior ‘carry’ entre os emergentes, fator que, combinado a um ambiente global construtivo para risco, segue favorecendo a valorização do real frente ao dólar este ano”, disse Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, em comentário escrito.
Em operações de carry trade, investidores tomam empréstimos no exterior, onde os juros são menores, e aplicam no Brasil, onde o retorno é maior.
Às 17h22, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes -- cedia 0,56%, aos 98,330.
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