Dólar sobe mais de 1% no Brasil em dia de Ptax e avanço da moeda no exterior

Publicado em 30/01/2026 17:24

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 30 Jan (Reuters) - O dólar fechou a sexta-feira com alta firme no Brasil e novamente próximo dos R$5,25, influenciado pela disputa pela formação da Ptax de fim de mês e pelo avanço firme da moeda norte-americana no exterior, onde investidores reagiram à indicação do substituto de Jerome Powell no Federal Reserve e às tensões entre EUA e Irã.

O dólar à vista fechou o dia com alta de 1,04%, aos R$5,2481, mas ainda assim encerrou o primeiro mês do ano com baixa acumulada de 4,39%. Na semana, a divisa cedeu 0,75%.

Às 17h05, o dólar futuro para março -- que nesta sessão passou a ser o mais líquido no Brasil -- subia 1,04% na B3, aos R$5,2825.

Calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista, a Ptax serve de referência para a liquidação de contratos futuros. No fim de cada mês, agentes financeiros tentam direcioná-la a níveis mais convenientes às suas posições, sejam elas compradas (no sentido de alta das cotações) ou vendidas em dólar (no sentido de baixa).

Em função da disputa, investidores comprados em dólar forçaram a alta das cotações nos horários próximos às janelas de coleta do BC, às 10h, 11h, 12h e 13h.

Além deste fator técnico, o dólar acompanhava o exterior, onde a divisa norte-americana subia ante as demais após o presidente dos EUA, Donald Trump, escolher o ex-diretor do Fed Kevin Warsh para chefiar o banco central do país ao fim do mandato de Powell, em maio.

Entre os investidores, uma das avaliações foi a de que Warsh, apesar de favorável ao corte de juros pelo Fed, seria menos radical neste sentido do que outros nomes que eram cogitados para o cargo. Assim, a percepção de que os juros podem não cair tão cedo dava força à moeda norte-americana.

Com a Ptax definida no Brasil no início da tarde (R$5,2301 na venda), a disputa técnica deixou de influenciar as cotações, mas um novo fator de estresse surgiu nos EUA. Trump afirmou que uma grande armada -- maior que a enviada anteriormente à Venezuela -- está a caminho do Irã.

Em reação, o dólar voltou a acelerar ao redor do mundo, inclusive ante o real, e o Ibovespa renovou mínimas, com alguns investidores realizando parte dos lucros recentes.

Após registrar a cotação mínima de R$5,1943 (estável) às 9h13, pouco depois da abertura, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,2799 (+1,65%) às 15h20, já após a fala de Trump.

“Essa ameaça (de Trump) de mandar tropas maiores para o Irã pegou mal aqui”, em um ambiente que "nos últimos dias vinha se mantendo calmo", comentou Fernando Bergallo, diretor da assessoria FB Capital.

No exterior, o dólar se mantinha em alta ante as demais divisas no fim da tarde. Às 17h11, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,90%, a 97,046.

No fim da manhã, o Banco Central do Brasil vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de março.

(Edição de Alexandre Caverni)

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Fonte:
Reuters

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