Exportações para os EUA caem 25,5% em janeiro, aponta Monitor da Amcham

Publicado em 12/02/2026 10:39
Foi o sexto mês seguido de queda

As exportações brasileiras ao mercado americano somaram US$ 2,4 bilhões em janeiro, queda de 25,5% em relação ao mesmo mês de 2025. Trata-se do sexto recuo consecutivo, iniciado em agosto do ano passado. As importações brasileiras de produtos americanos também recuaram em janeiro, com queda de 10,9%. Como as exportações sofreram uma retração mais acentuada, o déficit mensal do Brasil na balança bilateral se aprofundou, atingindo cerca de US$ 700 milhões — mais que o triplo do valor registrado em janeiro de 2025. Os dados são do Monitor do Comércio Brasil–EUA, elaborada pela Amcham Brasil e mostra que o início de 2026 um cenário desafiador para o comércio entre Brasil e Estados Unidos. A mais recente edição

A queda nas exportações foi influenciada principalmente pelo desempenho do petróleo bruto, que recuou 39,1% na comparação anual. Também pesaram os efeitos das sobretaxas aplicadas a produtos brasileiros, com redução média de 26,7%. Os bens atualmente sujeitos a tarifas adicionais de 40% e 50% registraram queda de 38,2% (equivalente a US$ 325 milhões a menos), enquanto os produtos abrangidos pela Seção 232, como siderúrgicos e cobre, caíram 38,3% (–US$ 253 milhões).

Entre os itens com maior impacto negativo nas exportações do mês estão: semimanufaturados de ferro ou aço, sucos, elementos químicos inorgânicos e combustíveis derivados de petróleo.

“O ano de 2026 começa marcado por forte pressão sobre o comércio entre Brasil e Estados Unidos. A combinação entre os efeitos das sobretaxas, especialmente sobre bens industriais, e a queda das exportações de petróleo, tem desacelerado as trocas bilateral”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.

“Os dados de janeiro confirmam que o início de 2026 segue marcado por pressões relevantes sobre o comércio bilateral. A combinação entre a queda das exportações brasileiras e a manutenção de tarifas elevadas, especialmente sobre bens industriais, tem aprofundado o desequilíbrio na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos”, afirma Abrão Neto.

Setores mostram resiliência em parte exportadora

Apesar do cenário desafiador, parte da pauta exportadora brasileira manteve desempenho positivo. Entre os dez produtos mais exportados para os Estados Unidos em janeiro, seis registraram performance superior às vendas brasileiras para o restante do mundo — com destaque para café não torrado, carne bovina, aeronaves, celulose e equipamentos de engenharia.

O Brasil segue entre os poucos países com os quais os Estados Unidos mantêm superávit comercial expressivo, posição que se consolidou em 2025. 

“O comércio bilateral é sustentado por cadeias produtivas integradas, investimentos mútuos e trocas entre empresas do mesmo grupo. Avançar no diálogo econômico de alto nível entre os dois países é essencial para restaurar previsibilidade, reduzir barreiras e criar condições para a retomada do fluxo comercial ao longo de 2026”, reforça Abrão Neto.

Sobre o Monitor do Comércio Brasil–EUA

O Monitor do Comércio Brasil–EUA é uma publicação periódica da Amcham Brasil, que acompanha a evolução das trocas comerciais entre os dois países, com base em dados oficiais e análises sobre tendências econômicas e setoriais.

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Fonte:
Amcham Brasil

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