Mendonça prorroga inquérito do caso Master por 60 dias e defesa discute delação
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Por Ricardo Brito
BRASÍLIA, 18 Mar (Reuters) - O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quarta-feira prorrogar por mais 60 dias o inquérito que investiga as fraudes do Banco Master, em um momento em que a defesa do banqueiro Daniel Vorcaro discute uma eventual delação premiada, segundo despacho do magistrado e fontes com conhecimento direto das tratativas.
Na decisão, Mendonça citou que a Polícia Federal havia pedido uma nova prorrogação do prazo para a "realização de diligências reputadas imprescindíveis para o esclarecimento dos fatos".
"Considerando-se as razões apresentadas pela autoridade de polícia judiciária federal..., defiro o pedido, prorrogando o inquérito por mais 60 (sessenta) dias", decidiu o relator do caso.
A prorrogação das apurações conduzidas pela PF ocorre duas semanas após Daniel Vorcaro ter sido preso preventivamente pela segunda vez nas investigações do Master, o que aumentou a pressão por uma eventual colaboração do banqueiro.
Segundo três fontes a par das tratativas, emissários e advogados de Vorcaro já deram sinais nos últimos dias a integrantes do Congresso Nacional e a envolvidos nas investigações que ele estaria, sim, disposto a fazer uma colaboração premiada, revelando nomes e situações que poderiam implicar diversas autoridades.
Na segunda-feira, o novo advogado de Vorcaro, José Luiz de Oliveira Lima, teve uma audiência com André Mendonça e, segundo uma fonte com conhecimento das conversas, chegou a falar sobre uma eventual delação.
Procurado, o advogado não respondeu de imediato a pedido de comentário. Em resposta anterior à Reuters, ele disse que não iria comentar.
"Como pontuei a vários jornalistas, esse caso é singular, não vou interagir com a imprensa neste momento, só em questões pontuais", limitou-se a dizer Juca, como é conhecido.
MATERIAL
Segundo uma fonte da corporação e outra do Supremo, a PF ainda tem muito material para analisar das três fases da operação Compliance Zero, que investiga crimes como gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção.
Há perícias e análises em celulares apreendidos a serem feitas, assim como a necessidade de destrinchar milhares de operações bancárias do Master e instituições coligadas, além do próprio Vorcaro e de pessoas e empresas ligadas a ele.
A fonte do STF disse que, dado o volume de material e eventuais novas frentes de investigação que devem aparecer, a conclusão da apuração deverá atravessar até as eleições de outubro. Ela poderia ser abreviada se eventualmente ocorresse uma delação premiada, o que poderia encurtar o prazo para a finalização das investigações.
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