Ibovespa recua com exterior desfavorável em meio à análise de balanços e decisão do BC

Publicado em 19/03/2026 11:15

Logotipo Reuters

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 19 Mar (Reuters) - O Ibovespa recuava nesta quinta-feira, pressionado pelo cenário externo desfavorável, com nova disparada do petróleo, que voltou a tocar os US$119 após ataques do Irã a instalações de energia no Oriente Médio.

Investidores da bolsa paulista também repercutiam a decisão de política monetária do Banco Central na véspera, bem como uma série de resultados corporativos no Brasil, com Hapvida chegando a desabar quase 15% após tombo de quase 65% no lucro do quarto trimestre.

Por volta de 11h, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, caía 0,6%, a 178.563,65 pontos. O volume financeiro somava R$7,16 bilhões.

No cenário geopolítico, o Irã atacou infraestruturas de energia no Oriente Médio, em retaliação aos ataques israelenses às suas instalações de gás, marcando a maior escalada da guerra de quase três semanas.

Os ataques causaram danos à maior usina de gás do mundo no Catar, tiveram como alvo uma refinaria na Arábia Saudita, forçaram os Emirados Árabes Unidos a fechar as instalações de gás e provocaram incêndios em duas refinarias do Kuweit.

O barril sob o contrato Brent chegou a superar US$119 momentaneamente, sendo cotado nesta manhã a US$111,25, em alta de 3,6%.

Preocupações relacionadas à guerra pesavam também em Wall Street, onde o S&P 500, referência do mercado acionário norte-americano, recuava 0,48%.

No Brasil, o BC abriu um aguardado ciclo de corte de juros com redução de 0,25 ponto percentual na taxa Selic, para 14,75%, mas defendeu cautela à frente, citando “forte aumento da incerteza” com o acirramento dos conflitos no Oriente Médio.

DESTAQUES

- HAPVIDA ON recuava 6,33%, após reportar lucro líquido ajustado de R$181 milhões no quarto trimestre de 2025, queda de 64,9% ano a ano, com o Ebitda caindo 32,8% e a sinistralidade crescendo. Na mínima, nos primeiros negócios, chegou a desabar 14,7%, a R$7.

- VIVARA ON perdia 5,27%, tendo no radar balanço com queda de 40,7% no lucro líquido no quarto trimestre de 2025 ante o mesmo período de 2024, com piora no resultado financeiro, aumento de despesas operacionais e queda de margens. A rede de joalherias também estimou a abertura de 55 a 65 lojas das marcas Vivara e Life em 2026. Em teleconferência com analistas, executivos afirmaram que empresa está focando em engenharia de produto e eficiência fabril para evitar aumento de preços.

- MINERVA ON caía 6,98%, com executivos da maior exportadora de carne bovina da América do Sul afirmando que o primeiro trimestre do ano está sendo mais difícil, considerando as volatilidades dos mercados em meio à guerra no Irã e as pressões de custos, como aqueles gerados pela alta do petróleo para o transporte. A companhia também divulgou na véspera Ebitda de R$1,17 bilhão no quarto trimestre, crescimento de 24,1%.

- PETRORECONCAVO ON declinava 3,49%, mesmo com a alta do petróleo no exterior. A companhia divulgou na noite da véspera lucro líquido de R$50,7 milhões no quarto trimestre, enquanto o Ebitda somou R$295 milhões.

- PRIO ON avançava 3,06%, tendo também como pano de fundo o anúncio de que abriu o primeiro poço produtor do campo de Wahoo, na Bacia de Campos. A companhia disse que irá informar sobre a produtividade do poço e a previsão de entrada dos demais poços "após a estabilização da produção e conclusão dos procedimentos de medição fiscal".

- ENEVA ON subia 1,85%, após conquistar contratos equivalentes a 5,06 gigawatts (GW) de capacidade no leilão realizado pelo governo, recontratando usinas já existentes e viabilizando a construção de dois novos "hubs" de usinas e terminais de gás, com investimentos totais estimados em R$18,2 bilhões. Na véspera, a ação disparou 15%.

- MBRF ON tinha acréscimo de 0,41%, após reportar lucro líquido de R$91 milhões no quarto trimestre de 2025, com queda de 91,9% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A companhia, uma das maiores produtoras de carnes do mundo, se vê preparada para enfrentar os efeitos da guerra no Oriente Médio, onde estão alguns de seus mais importantes mercados no exterior, disse o CEO.

- PETROBRAS PN subia 0,83%, endossada pelo movimento do petróleo no exterior. Executivos da estatal também afirmaram na véspera que o parque de refino da companhia opera atualmente acima de sua capacidade total, enquanto a companhia busca impulsionar sua oferta de combustíveis no Brasil após uma disparada dos preços do petróleo no cenário internacional.

- VALE ON recuava 2,52%, em dia de queda dos futuros do minério de ferro na China, com uma diminuição das pressões sobre a oferta depois que a compradora estatal chinesa relaxou algumas restrições ao minério de ferro Jimblebar. O contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian caiu 0,55%, para 807,5 iuanes (US$117,04) a tonelada.

- ITAÚ UNIBANCO PN perdia 0,78%, com o setor como um todo pressionado pela aversão a risco oriunda do exterior, enquanto agentes também repercutiam a decisão do BC. BRADESCO PN caía 1,07%, BANCO DO BRASIL ON recuava 0,9%, SANTANDER BRASIL UNIT cedia 0,91% e BTG PACTUAL UNIT era negociada em baixa de 2,44%.

- GRUPO MATEUS ON, que não está no Ibovespa, desabava 15,26%. A companhia divulgou um lucro líquido atribuído aos controladores de R$324,3 milhões no quarto trimestre de 2025, crescimento de 2,2% ano a ano.

Já segue nosso Canal oficial no WhatsApp? Clique Aqui para receber em primeira mão as principais notícias do agronegócio
Fonte:
Reuters

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

Ao continuar com o cadastro, você concorda com nosso Termo de Privacidade e Consentimento e a Política de Privacidade.

0 comentário