Ibovespa fecha em queda com Vale e bancos entre as maiores pressões

Publicado em 04/05/2026 17:41

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Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO, 4 Mai (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta segunda-feira, abaixo dos 186 mil pontos, com blue chips como Vale e Itaú Unibanco entre as maiores pressões de baixa, enquanto Embraer figurou entre os destaques positivos após receber encomenda do Oriente Médio.

A cena geopolítica continuou no radar dos investidores da bolsa paulista, que também analisaram o anúncio do Novo Desenrola, programa do governo federal para renegociação de dívidas para famílias, micro e pequenas empresas e agricultores familiares.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa recuou 0,92%, a 185.600,12 pontos, tendo marcado 185.537,58 pontos na mínima e 187.666,20 pontos na máxima.  O volume financeiro somou R$26,38 bilhões na volta do fim de semana prolongado.

De acordo com analistas do Itaú BBA, o Ibovespa permanece acima da região de 184.300 pontos, que o mantém em tendência de alta no curto prazo, mas a perda desse nível pode abrir espaço para quedas até 179.700 e 174.900 pontos. Para retomar força e atrair fluxo comprador, o Ibovespa precisa romper a resistência em 189.100 pontos, afirmaram no relatório Diário do Grafista.

Estrategistas da XP veem a bolsa brasileira com um movimento de correção, que pode continuar no curto prazo, em função de fatores técnicos, posicionamento e fluxos.

"Ainda assim, continuamos vendo o Brasil como um vencedor relativo no cenário global e esperamos que os fluxos sigam positivos para emergentes e para o Brasil, especialmente quando os riscos geopolíticos diminuírem", afirmou a equipe chefiada por Fernando Ferreira.

"Além disso, embora o mercado tenha corrigido, as estimativas de lucro por ação continuam sendo revisadas para cima", afirmaram em relatório a clientes, elevando também o valor justo do Ibovespa para o final de 2026 para 205 mil pontos, de 196 mil anteriormente.

No exterior, o barril do petróleo sob o contrato Brent chegou a ultrapassar US$115, em meio a noticiário envolvendo o Estreito de Ormuz, relevante rota de passagem da commodity, mas encerrou a US$114,44, alta de 5,8%.

O Irã atingiu vários navios no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira e incendiou um porto de petróleo dos Emirados Árabes Unidos (EAU), enquanto a tentativa do presidente Donald Trump de usar a Marinha dos EUA para liberar a navegação provocou a maior escalada da guerra desde que um cessar-fogo foi declarado há quatro semanas.

Os militares dos EUA disseram que dois navios mercantes norte-americanos conseguiram atravessar o estreito, sem especificar quando. O Irã negou que tais travessias tivessem ocorrido.

No Brasil, o governo lançou o Novo Desenrola, prevendo utilizar até R$15 bilhões em garantias da União para viabilizar juros mais baixos aos devedores, em uma resposta aos altos níveis de endividamento da população. O anúncio incluiu regras mais duras para a concessão de empréstimos com desconto em folha por aposentados do INSS e servidores públicos.

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DESTAQUES

• VALE ON recuou 3,1% em sessão sem o referencial dos preços do minério de ferro na China por feriado naquele país. Na sexta-feira, quando a B3 fechou por feriado no Brasil, os ADRs da Vale fecharam em queda em Nova York.

• ITAÚ UNIBANCO PN fechou em baixa de 1,8%, em dia negativo no setor. BRADESCO PN perdeu 2,12%, BANCO DO BRASIL ON fechou em queda de 1,35% e SANTANDER BRASIL UNIT recuou 1,65%. A sessão teve anúncio de medidas do governo para renegociação de dívidas, enquanto entidades do setor citaram "grande preocupação" com a recente suspensão da concessão de crédito consignado do INSS. Na semana, a agenda também reserva os resultados de Itaú e Bradesco no primeiro trimestre.

• PETROBRAS PN subiu 0,53%, em dia de alta do petróleo no exterior. No final da quinta-feira, a companhia divulgou dados de vendas e produção no primeiro trimestre. Também anunciou nos últimos dias aumento dos preços de querosene de aviação e gás natural. O BTG Pactual elevou o preço-alvo das ações de R$56 para R$62 e reiterou recomendação de compra para o papel. No setor, PRIO ON, que divulga balanço na terça-feira, após o fechamento, avançou 5,65%, enquanto BRAVA ON cedeu 2,04% e PETRORECONCAVO ON caiu 1,31%.

• EMBRAER ON valorizou-se 2,54% tendo no radar o anúncio de que os Emirados Árabes Unidos fizeram uma encomenda de cargueiros KC-390, a primeira compra da aeronave por um país do Oriente Médio. O acordo inclui 10 pedidos firmes e 10 opções de compra, e representa a maior encomenda internacional de um único país do cargueiro da Embraer, afirmou a fabricante brasileira.

• BRASKEM PNA subiu 3,83%, no quarto pregão seguido de alta. Na última quarta-feira, acionistas da petroquímica elegeram um novo conselho de administração.

• HAPVIDA ON caiu 7,18%, em pregão de ajustes, após acumular alta de quase 23% em abril. Apenas no último dia 30, a ação fechou em alta de 5,45%, em sessão marcada por assembleia de acionistas do grupo, que aprovou aumento no número de assentos do colegiado de nove para dez e elegeu três novos conselheiros, todos indicados pela gestora Squadra, enquanto dois saíram.

• CYRELA ON perdeu 4,98% e MRV ON recuou 3,47%, com o índice do setor imobiliário fechando em baixa de 2,12%, após o governo anunciar medidas para renegociação de dívidas pela população, incluindo o uso do FGTS, importante financiador de imóveis.

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(Por Paula Arend Laier; edição de Pedro Fonseca)

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Fonte:
Reuters

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