Dólar sobe ante o real com intensificação do conflito entre EUA e Irã
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SÃO PAULO, 13 Jul (Reuters) - O dólar fechou a segunda-feira em alta ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante outras divisas de países emergentes no exterior, em meio ao recrudescimento da guerra entre Estados Unidos e Irã.
O dólar à vista encerrou a sessão com alta de 0,46%, aos R$5,1314. No ano, a moeda passou a acumular baixa de 6,51% ante o real.
Às 17h02, o dólar futuro para agosto -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- subia 0,36% na B3, aos R$5,1555.
Forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones no Oriente Médio ao longo do fim de semana e nesta segunda-feira. Teerã informou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, via de transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
Nesta segunda, Trump afirmou que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã. Além disso, disse que os EUA serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, "por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo".
Em reação, o petróleo Brent teve ganhos fortes durante a sessão, retornando para acima dos US$80 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram.
Nos mercados de moedas, o dólar sustentou ganhos ante divisas emergentes como o peso chileno, o rand sul-africano e o real -- ainda que no caso brasileiro as variações fossem limitadas.
Após registrar a cotação mínima de R$5,1089 (+0,02%) às 10h02, o dólar à vista atingiu a máxima de R$5,1417 (+0,66%) às 13h37, já após o anúncio de Trump.
“A escalada das tensões geopolíticas afetou de novo as cotações e o dólar sobe -- mas não muito”, comentou à tarde o diretor da Correparti Corretora, Jefferson Rugik. “Há uma aversão ao risco, mas não tão profunda.”
No cenário local, uma nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus mostrou pela manhã empate técnico na disputa pelo Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Na simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
No boletim Focus divulgado mais cedo, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim deste ano seguiu em R$5,20 e para o final do próximo ano em R$5,28.
Já a Selic projetada para o encerramento de 2026 seguiu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte de 25 pontos-base da taxa básica até o fim do ano. Para o final de 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12,00%.
Atualmente a Selic está em 14,25% ao ano, bem acima das taxas praticadas em países como EUA e Japão, e este diferencial de juros vinha sendo apontado nos últimos meses como um fator favorável à atração de dólares para o Brasil. Hoje o cenário é um pouco diferente em função da perspectiva de alta de juros nos EUA e de nova baixa no Brasil.
No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial para rolagem do vencimento de 3 de agosto.
No exterior, às 17h10, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,22%, a 101,280.
(Edição de Pedro Fonseca)
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