Taxas dos DIs sobem com Oriente Médio e noticiário político no radar
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 13 Jul (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a segunda-feira com altas firmes, acima de 15 pontos-base em vários vencimentos, em sintonia com o avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar a retomada do bloqueio naval contra o Irã.
O noticiário político brasileiro também esteve no radar, após nova pesquisa eleitoral e proibição de que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visite o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena em prisão domiciliar.
No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 14,015%, com alta de 16 pontos-base ante o ajuste de 13,857% da sessão anterior. O DI para janeiro de 2035 marcou 14,39%, com elevação de 13 pontos-base ante 14,258%.
No fim de semana e nesta segunda-feira, forças dos EUA e do Irã trocaram ataques com mísseis e drones no Oriente Médio. Teerã informou ter fechado novamente o Estreito de Ormuz, via de transporte de cerca de 20% do petróleo e do gás comercializados no mundo.
Nesta segunda-feira, Trump afirmou que os EUA estavam restabelecendo o bloqueio naval ao Irã. Além disso, disse que os EUA serão reembolsados em 20% de toda a carga transportada pelo Estreito de Ormuz, "por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo".
Em reação, o petróleo Brent teve ganhos fortes durante a sessão, retornando para acima dos US$80 o barril, enquanto os rendimentos dos Treasuries avançaram.
No Brasil, as tensões no Oriente Médio se traduziram na alta das taxas dos DIs, ampliada pelo anúncio de Trump e pelo noticiário político.
Depois de a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) deixar a equipe que auxilia Flávio na formulação de um plano de governo, nesta segunda-feira o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas dele ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A decisão ocorre após Flávio ter divulgado pelas redes sociais, no final de semana, uma carta na qual Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, colocou o filho mais velho como seu porta-voz na disputa eleitoral e pediu que possíveis diferenças sejam deixadas de lado. Em sua decisão, Moraes lembra que, ao conceder a prisão domiciliar a Bolsonaro em março, determinou a "proibição de utilização de redes sociais, diretamente ou por intermédio de terceiros".
Operador ouvido pela Reuters pontuou que o cenário externo, juntamente com as notícias envolvendo Damares e Flávio, dava suporte à curva de juros brasileira. Isso porque o desgaste de Flávio -- ainda visto como o principal nome da oposição -- eleva as chances de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, visto como um obstáculo para o equilíbrio fiscal.
Mais cedo, uma nova pesquisa eleitoral BTG/Nexus mostrou empate técnico na disputa pelo Planalto entre Lula e Flávio. Na simulação de segundo turno, Lula tem 47% das intenções de voto, contra 44% de Flávio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
No pico da sessão regular, às 16h09, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcou 14,395% (+14 pontos-base).
No boletim Focus divulgado mais cedo, a mediana das projeções dos economistas do mercado para a taxa básica Selic no fim de 2026 seguiu em 14,00%, o que pressupõe mais um corte até o fim do ano de 25 pontos-base da taxa básica, hoje em 14,25%. Para o final de 2027, a projeção da Selic permaneceu em 12,00%.
Já a inflação projetada no Focus para o fim deste ano cedeu de 5,30% para 5,16%. Para o encerramento de 2027, passou de 4,18% para 4,20%.
Na última quinta-feira -- atualização mais recente -- a precificação das opções de Copom negociadas na B3 indicava 78% de chance de corte de 25 pontos-base da Selic em agosto, contra 21,5% de probabilidade de manutenção da taxa básica em 14,25%.
Três semanas antes, em 18 de junho, o quadro era o inverso, com 28,5% para corte de 25 pontos-base e 66% para manutenção.No exterior, às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 4 pontos-base, a 4,614%.
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