Dólar vira para o negativo no Brasil com disputa eleitoral no foco

Publicado em 10/09/2026 12:17 | Atualizado em 10/09/2026 13:02

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 10 Set (Reuters) - O dólar perdeu força ante o real e virou para o território negativo no fim da manhã desta quinta-feira, na contramão do exterior, em meio à expectativa pela divulgação de nova pesquisa sobre a disputa presidencial.

Às 12h09, o dólar à vista caía 0,41%, a R$5,0902 na venda.  

Na B3, o contrato de dólar futuro para outubro -- atualmente o mais líquido no mercado brasileiro -- cedia 0,31%, aos R$5,1120.

A nova pesquisa AtlasIntel/Bloomberg está programada para esta quinta-feira. Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a especulação no mercado é de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecerá bem posicionado na disputa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pelo Planalto.

No mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista.

Lula ainda é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação. Assim, notícias favoráveis a Flávio têm favorecido a queda do dólar.

Além da disputa eleitoral, a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) segue no foco dos investidores. Na véspera, o presidente da corte, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas anteriormente pelos colegas André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência ou não no cargo do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Além disso, retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news.

O recuo do dólar no Brasil ocorre na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana avança ante boa parte das demais divisas, em um dia marcado pela alta dos rendimentos dos Treasuries e pelo avanço do petróleo Brent para acima dos US$105 o barril.

Mais cedo, os EUA informaram que os preços ao produtor no país em agosto subiram 0,4% e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na última semana, para 206.000 em dado com ajuste sazonal, ante projeção dos economistas ouvidos pela Reuters de 205.000 pedidos.

Às 12h05, o índice do dólar -- que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas -- subia 0,12%, a 98,901.

No início do dia, o Banco Central vendeu, em dois leilões simultâneos, US$1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$1 bilhão de swap cambial reverso -- neste caso, uma operação cujo efeito é equivalente à compra de dólares no mercado futuro.

As duas operações simultâneas são conhecidas como "casadão" pelos investidores e dão liquidez ao mercado. O efeito delas sobre as cotações do dólar é, em tese, nulo, já que o BC vendeu US$1 bilhão em uma ponta e comprou US$1 bilhão em outra.

No fim da manhã, o Banco Central vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolagem do vencimento de 1º de outubro.

(Edição de Eduardo Simões e Isabel Versiani)

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