Ibovespa retoma sinal positivo com Vale em pregão volátil com receio sobre fiscal
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 17 Set (Reuters) - O Ibovespa voltava a trabalhar com sinal positivo nesta quinta-feira, apoiado principalmente pelas ações da Vale, após recuar mais de 1% com o anúncio de reajuste nos benefícios do Bolsa Família adicionando preocupações sobre o quadro fiscal do país.
Por volta de 12h40, o Ibovespa, referência do mercado acionário brasileiro, subia 0,47%, a 186.419,20 pontos. No pior momento, cravou 183.242,37 pontos, queda de 1,2%. O volume financeiro no pregão somava R$11,57 bilhões.
A menos de 20 dias das eleições, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca novo mandato, anunciou nesta quinta-feira aumento de 15% nos benefícios do Bolsa Família a partir de outubro. Ao lado de Lula na apresentação da medida, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, afirmou que o custo do reajuste é de R$5,8 bilhões em 2026 e de R$22 bilhões em 2027.
O anúncio, afirmou Gustavo Silva, sócio-fundador da Private Investimentos, volta a colocar a questão fiscal no centro das atenções. "A medida tem um efeito social e de renda importante, mas, sob a ótica do mercado, o momento do anúncio e o aumento de despesas levantam novamente dúvidas sobre a trajetória dos gastos públicos e a sustentabilidade da dívida no longo prazo."
De acordo com Silva, permanece uma percepção maior de incerteza fiscal, justamente em um momento em que o país ainda convive com juros muito elevados. "Para o mercado, tão importante quanto a direção dos juros é a previsibilidade da política econômica e a confiança de que as contas públicas permanecerão sustentáveis ao longo do tempo."
Agentes financeiros têm defendido medidas para melhorar o quadro fiscal do país, em meio à trajetória crescente da dívida pública em relação ao PIB. Pesquisas eleitorais recentes mostrando uma disputa acirrada entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) para o Planalto têm repercutido positivamente no mercado, uma vez que alimentam apostas de mudanças em Brasília com reflexos na política fiscal.
Mais cedo, pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostrou que Flávio ampliou sua vantagem sobre Lula (PT) em um eventual segundo turno da eleição presidencial, embora os candidatos permaneçam em empate técnico. A quinta-feira também reserva novo levantamento Datafolha sobre a disputa.
Estrategistas do BTG Pactual mantiveram a classificação neutra para as ações brasileiras em seu portfólio para a América Latina, ressaltando que a corrida eleitoral está totalmente indefinida.
"Acreditamos que a eleição está acirrada demais para permitir previsões confiáveis e, por isso, continuamos favorecendo empresas de alta qualidade e elevada liquidez, que, em nossa avaliação, tendem a apresentar bom desempenho sob qualquer um dos cenários, seja uma vitória do atual governo ou da oposição", afirmaram em relatório a clientes.
"Temos evitado recomendações de ações cuja tese de investimento dependa excessivamente de uma melhora fiscal. Podemos mudar essa abordagem se houver razões para isso, mas acreditamos que a classificação atual para o país, Neutra, com foco em qualidade e liquidez, continua sendo a melhor forma de navegar o cenário que está por vir."
Investidores da bolsa paulista também analisam nesta sessão a decisão do Banco Central na véspera de cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, a 13,75% ao ano. A autoridade monetária deixou os próximos passos em aberto ao afirmar, ao fim da última reunião de política monetária antes das eleições presidenciais, que o atual cenário de incerteza demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.
No exterior, o S&P 500 avançava 1,1%, em mais uma sessão de recuo dos preços do petróleo o mercado internacional, o que favorecia também a melhora no pregão brasileiro.
DESTAQUES
• VALE ON avançava 2,11%, em linha com o movimento de mineradoras no exterior. Na China, o contrato futuro de minério de ferro mais negociado na Bolsa de Commodities de Dalian fechou o pregão diurno com alta de 0,28%, a 710,5 iuanes (US$105,92) por tonelada. Na contramão, CSN MINERAÇÃO ON perdia 5,76%.
• PETROBRAS PN caía 0,12% e PETROBRAS ON perdia 0,07%, em sessão negativa para o petróleo no exterior. O barril sob o contrato Brent recuava 2,23%, a US$103,47. A estatal também informou que assinou contratos de partilha de produção para a exploração de oito blocos marítimos na Costa do Marfim "com elevado potencial".
• ITAÚ UNIBANCO PN reverteu a fraqueza inicial e subia 0,94%, ajudando na melhora do índice. SANTANDER BRASIL UNIT era o destaque positivo do setor com alta de 2,38%, enquanto BTG PACTUAL UNIT avançava 0,87%, BANCO DO BRASIL ON registrava acréscimo de 0,26% e BRADESCO PN mostrava estabilidade. O Bradesco encerrou a primeira etapa de seu aumento de capital, com subscrição de 402,4 milhões de novas ações (de 604,85 milhões ações), somando R$6,5 bilhões.
• MRV&CO ON recuava 4,38%, em pregão negativo para construtoras, na esteira do avanço das taxas dos contratos de DI com prazos mais longos. O índice imobiliário na B3 registrava declínio de 1,49%.
• C&A MODAS ON caía 3,15%, com o setor de varejo também contaminado pelo movimento na curva futura de juros. O índice de consumo na B3 caía 0,46%.
(Edição Alberto Alerigi Jr.)
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