Trump alerta em discurso na ONU que pode “aniquilar” Irã sem um acordo de paz

Publicado em 22/09/2026 17:51

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Por Gram Slattery e Humeyra Pamuk

NAÇÕES UNIDAS, 22 Set (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aproveitou seu discurso na Assembleia Geral da ONU nesta terça-feira para argumentar que a guerra com o Irã impediu Teerã de obter uma arma nuclear e alertar que pode “aniquilar a República Islâmica” caso não seja alcançado um acordo para pôr fim ao conflito.

Ao mesmo tempo em que previu que seu governo fecharia um acordo de paz com o Irã após as eleições legislativas de meio de mandato dos EUA, em 3 de novembro, Trump pediu que outras nações se unam aos Estados Unidos no isolamento econômico do Irã para forçá-lo a sentar-se à mesa de negociações.

“Tenho uma grande decisão a tomar. Um acordo será fechado com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi antes?”, disse Trump. “Ou devo aniquilar a República Islâmica e fazê-lo rapidamente, sem nunca lhes dar a chance de matar e destruir pessoas e países novamente?”

Mais tarde, ele disse a repórteres na Organização das Nações Unidas que autoridades norte-americanas haviam mantido uma reunião “muito boa” de três horas com a delegação iraniana nesta terça-feira. Posteriormente, ele pareceu esclarecer que os enviados especiais Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com mediadores, e não diretamente com autoridades iranianas.

“Steve e Jared tiveram hoje uma reunião muito produtiva com mediadores do Irã, apenas mediadores”, disse ele aos repórteres no início de uma reunião com líderes do Golfo na ONU. “Vamos ver o que acontece com isso.”

Desde que voltou ao cargo no ano passado para um segundo mandato, Trump tem causado turbulências na ordem global, unindo-se a Israel para atacar o Irã, ordenando um ataque à Venezuela que resultou na captura do líder do país e ameaçando tomar a Groenlândia.

Em um discurso de 37 minutos antes de uma agenda diplomática frenética que incluiu reuniões com os líderes do Reino Unido, da Ucrânia e do Japão, Trump expôs sua visão de política externa, argumentando que a guerra contra o Irã poupou o mundo da ameaça de um poder nuclear, ao mesmo tempo em que afirmou que o domínio dos EUA no Hemisfério Ocidental é essencial para impedir que crises se enraízem.

“Nossas ações na Venezuela são a prova de que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças à América ganhem espaço em qualquer lugar do Hemisfério Ocidental”, disse Trump. “Enquanto outros falaram de paz, eu fiz a paz.”

Do lado de fora da sede da ONU, dezenas de manifestantes contra o governo iraniano se reuniram, alguns deles segurando cartazes pedindo democracia e condenando a ditadura.

Trump descartou sugestões de que as eleições de meio de mandato, nas quais seu Partido Republicano corre o risco de perder o controle do Congresso, poderiam limitar sua maneira de lidar com a guerra. Alguns analistas argumentaram que uma tomada do Congresso pelos democratas enfraqueceria sua influência no conflito.

“O que eles não percebem é que eu não estou concorrendo”, disse Trump, referindo-se à liderança em Teerã. “Eu já fiz isso e venci com uma vitória esmagadora. Vencemos com uma vitória esmagadora, e estarei aqui por mais dois anos e meio.”

TURBULÊNCIA DIPLOMÁTICA

Visando os vizinhos dos EUA, Trump classificou o México como “o epicentro da violência dos cartéis”, instou seu governo a “recuperar o controle de seu território” e disse que os EUA buscavam “uma mudança fundamental na situação em Cuba”.

Membros da delegação cubana saíram do salão quando Trump mencionou sua campanha de pressão contra o país.

“É um Estado absolutamente falido, está fracassando como nunca antes e vai cair”, disse Trump.

No entanto, a aparição de Trump foi menos dramática do que em 2025, quando ele usou um discurso combativo para repreender líderes mundiais, alertando que alguns países estavam “indo para o inferno” e reclamou das instalações da ONU depois de ficar brevemente preso em uma escada rolante com defeito e sofrer uma falha inicial no teleprompter.

Trump renovou suas críticas à ONU, destacando seus esforços para reduzir sua burocracia, mas não apresentou novos ataques nem deu indícios de que os EUA deixariam quaisquer outras agências da ONU.

Trump falou menos de uma semana depois que uma missão de investigação da ONU afirmou ter motivos razoáveis para acreditar que as forças norte-americanas cometeram crimes de guerra em dois ataques ao Irã, incluindo um que atingiu uma escola primária na cidade de Minab, no sul do país.

Ele renovou suas críticas a organismos internacionais que poderiam servir como freio ao poder dos EUA, destacando o Tribunal Penal Internacional e declarando que os militares norte-americanos não estariam sujeitos à sua autoridade.

“Nunca permitiremos que militares dos EUA ou qualquer outra pessoa sejam investigados ou submetidos a julgamentos espetaculares por um tribunal antiamericano sem jurisdição sobre nós”, afirmou.

Antes de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre IA e segurança internacional na quarta-feira, Trump reconheceu os desafios da nova tecnologia, mas disse: “Não vou sufocar o crescimento de algo que será maior do que a Revolução Industrial.”

O discurso deu início a um dia de diplomacia de alto nível nas Nações Unidas, onde Trump deveria se reunir com mais de uma dúzia de líderes mundiais, enquanto as guerras no Oriente Médio e na Ucrânia continuavam a colocar à prova sua agenda de política externa.

O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, disse ter “estabelecido uma boa conexão” com Trump em seu primeiro encontro, no qual discutiram comércio, a Ucrânia e a situação das Ilhas Malvinas. Após a reunião, Trump chamou Burnham de “um homem de negócios nato”.

No início das conversas, aberto à imprensa, a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, disse que o encontro demonstraria a força da aliança entre os EUA e o Japão em meio a um “ambiente de segurança severo, inclusive na Ásia”, uma aparente referência à China. Trump deve se reunir com o presidente chinês, Xi Jinping, em Washington nesta semana.

Trump elogiou Takaichi efusivamente, chamando-a de amiga e prevendo que ela “ficaria na história como uma das grandes primeiras-ministras”.

Sobre seu encontro com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, Trump disse aos repórteres que os dois conversaram sobre encontrar uma solução para pôr fim à guerra da Rússia na Ucrânia.

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