Juros futuros sobem com nova pesquisa eleitoral e disparada dos rendimentos dos Treasuries

Publicado em 23/09/2026 17:10 | Atualizado em 23/09/2026 18:18

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Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO, 23 Set (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quarta-feira com altas, em sintonia com o forte avanço dos rendimentos dos Treasuries no exterior, com investidores também reagindo ao leve fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma nova pesquisa eleitoral.

No fim da tarde, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,585%, com alta de 10 pontos-base ante o ajuste de 13,485% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,035%, com elevação de 7 pontos-base ante 13,962%.

A nova pesquisa Atlas/Bloomberg mostrou Lula com 47,7% das intenções de voto no segundo turno na disputa pelo Planalto, contra 47,4% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Como a margem de erro é de 1 ponto percentual, os dois estão em empate técnico.No entanto, o resultado coloca Lula novamente na liderança numérica, já que no levantamento anterior o petista tinha 46,8% e Flávio somava 47,2%.

Nas últimas semanas, a percepção de fortalecimento da candidatura de Flávio vinha favorecendo o chamado “trade eleitoral”, que se traduz no avanço do Ibovespa e na queda do dólar e das taxas dos DIs. Lula é visto com desconfiança por boa parte do mercado, que enxerga sua reeleição como um empecilho para o controle das contas públicas e, consequentemente, da inflação.

Assim, notícias desfavoráveis para Flávio -- como o leve fortalecimento de Lula no segundo turno da pesquisa Atlas/Bloomberg -- tendem a trazer um viés de alta para o dólar e para as taxas dos DIs.

Durante o dia, o viés de alta para as taxas no Brasil se intensificou com a aceleração dos rendimentos dos Treasuries, em meio à expectativa de que o Federal Reserve possa voltar a subir juros no curto prazo em função da guerra no Oriente Médio e seus impactos inflacionários.

Em outro sinal de pressão inflacionária, a S&P Global informou pela manhã que seu Índice de Gerentes de Compras (PMI) dos EUA, que acompanha os setores de manufatura e serviços, subiu para 58,4 em setembro. Esse foi o nível mais alto desde julho de 2021, após o resultado de 56,0 em agosto. Uma leitura acima de 50 indica expansão no setor privado.

Em reação, os rendimentos dos Treasuries dispararam.

“No título de cinco anos, a taxa está acima de 5%, o que é bastante impressionante”, destacou à tarde a analista Laís Costa, da Empiricus Research, ao justificar o avanço dos prêmios no Brasil.

Após marcar a mínima de 13,495% (+1 ponto-base) às 10h25, a taxa do DI para janeiro de 2028 atingiu a máxima de 13,590% (+11 pontos-base) às 13h54, quando os rendimentos dos Treasuries também estavam próximos dos picos do dia.

Apesar da alta, a curva brasileira continuou refletindo expectativa de novo corte da Selic, hoje em 13,75%, no encontro de novembro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central. Durante a tarde, a curva precificava cerca de 60% de chance de corte de 25 pontos-base, contra 40% de probabilidade de manutenção.

Profissionais ouvidos pela Reuters nos últimos dias têm pontuado que a eleição se tornou um fator fundamental para o próximo encontro do Copom, que ocorre logo após o segundo turno. “A eleição tira a incerteza, qualquer que seja o resultado. Então o mercado volta a tomar risco”, avaliou Costa.

“Seja com a continuação deste governo, com sinalizações melhores na área fiscal, seja com Flávio Bolsonaro, o real vai andar -- e isso vai bater na inflação também.”

Pela manhã, o diretor de Política Monetária do BC, Nilton David, afirmou durante evento em São Paulo que o atual processo de cortes da Selic é de "calibração" -- e não de afrouxamento monetário. Ao mesmo tempo, defendeu que, em momentos de incerteza como o atual, a política monetária deve adotar movimentos suaves e cautelosos, minimizando solavancos.

No exterior, às 16h36, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- disparava 14 pontos-base, a 5,11%. Já o petróleo Brent subia 4,45%, para US$103,65 o barril.

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