Mercado brasileiro deve ter alta após Flávio Bolsonaro superar pesquisas, dizem analistas
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SÃO PAULO/BRASÍLIA, 5 Out (Reuters) - O mercado financeiro brasileiro deve reagir em alta nesta segunda-feira, depois que o senador Flávio Bolsonaro superou as expectativas das pesquisas e assumiu a liderança no primeiro turno das eleições presidenciais do país no domingo, segundo analistas ouvidos pela Reuters.
Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lideraram o grupo de 12 candidatos como os dois favoritos da eleição, em uma campanha que girou em torno do aumento do custo de vida, da corrupção, da criminalidade e da insegurança.
Flávio Bolsonaro obteve 47% dos votos válidos, superando as previsões das pesquisas, e agora enfrentará Lula, que recebeu cerca de 45% dos votos, no segundo turno, no final deste mês.
As pesquisas apontavam que Lula lideraria o primeiro turno e Flávio Bolsonaro ficaria em segundo lugar.
Enquanto os mercados brasileiros ainda estavam fechados, as negociações no exterior indicavam um início forte para eles assim que abrissem. O ETF MSCI Brasil, listado na bolsa de Frankfurt, subia mais de 14%, enquanto as ações de empresas brasileiras listadas no exterior, incluindo o Itaú Unibanco e a Petrobras, se valorizavam.
"Esperamos uma forte alta dos ativos brasileiros", afirmou Thierry Larose, gestor de carteiras da Vontobel.
Flávio Bolsonaro tem se apresentado aos investidores como uma versão "mais moderada" de seu pai, com uma agenda pró-mercado que inclui maior contenção dos gastos públicos, privatizações e redução de impostos.
"Resta saber se Flávio Bolsonaro acabaria se mostrando mais responsável em termos fiscais do que Lula seria em um quarto mandato presidencial. No entanto, é provável que os mercados lhe concedam o benefício da dúvida", destacou Larose.
"MERCADO QUER MUDANÇA"
Os analistas também esperam que o real, que era negociado em torno de 5,22 por dólar, se valorize. O Société Générale prevê que a moeda se valorizará para 5,10 até o final de 2026, com potencial para cair abaixo de 5,00 no primeiro semestre de 2027.
"O mercado quer mudança, quer reformas, não quer um déficit público elevado; com o atual governo, tudo isso vai continuar", disse Pedro Galdi, analista de investimentos da plataforma AGF Investments, à Reuters, acrescentando que espera uma alta do mercado brasileiro, das ações e do real frente ao dólar.
Há quatro anos, a moeda brasileira se valorizou mais de 4% em relação ao dólar e o índice de ações de referência do Bovespa, o, subiu 5,5% no dia seguinte ao primeiro turno, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro obteve um desempenho melhor do que o esperado contra Lula.
Um desempenho semelhante pode ocorrer na segunda-feira, disse Ivo Chermont, economista-chefe da Quantitas.
"Os investidores vão acordar na segunda-feira com uma alta muito forte em todas as classes de ativos", disse Chermont. "Provavelmente estamos falando de uma queda do dólar na faixa de 2% a 4%, de uma alta das ações talvez de 4% a 6% e de um aperto significativo tanto nas taxas de juros nominais quanto nas reais."
O forte desempenho do filho de Bolsonaro no domingo poderia reacender a confiança nos mercados brasileiros no curto prazo, disse Bryan Harris, sócio-gerente da Sabio, empresa de inteligência política e corporativa.
"O mercado estará à espera de sinais claros de Bolsonaro de que ele está comprometido em resolver os problemas do país", disse Harris, embora tenha acrescentado que o senador tem demonstrado pouca aptidão para a formulação de políticas econômicas.
ALERTAS DE INTERFERÊNCIA
Na véspera da votação de domingo, aliados de Lula alertaram que o governo do presidente dos EUA, Donald Trump, poderia se recusar a reconhecer uma vitória de Lula, citando uma tentativa frustrada de enviar observadores eleitorais dos EUA ao Brasil.
Trump não apoiou formalmente nenhum candidato antes da votação, mas já havia recebido Flávio Bolsonaro na Casa Branca e o elogiou publicamente.
Outros haviam alertado sobre interferências externas, com a Reuters informando na semana passada que a inteligência brasileira informou autoridades francesas e alemãs sobre supostas interferências dos EUA e da Rússia antes da eleição — alegações que os EUA rejeitaram.
(Reportagem de Oliver Griffin e Luciana Magalhães, em São Paulo, e Marcela Ayres, em Brasília; reportagem adicional de Libby George em Londres)